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Ministério do Turismo assina acordo interministerial na COP3O para dar novo impulso ao Programa Orla

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A gestão integrada e sustentável das orlas brasileiras deu um passo decisivo nessa sexta-feira (14.11) durante a COP30, em Belém (PA), com a assinatura de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério do Turismo (MTur), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério das Cidades (MCID), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A cerimônia, realizada no estande do Ministério do Turismo na Green Zone, no espaço “Conheça o Brasil”, marcou o compromisso de consolidar o Programa Orla como instrumento estratégico de planejamento, ordenamento territorial e promoção do turismo sustentável em áreas costeiras e fluviais.

A ministra do Turismo em exercício, Ana Carla Lopes, destacou a força da articulação entre os órgãos federais. “O que estamos fazendo hoje aqui marca história. O mundo discute como enfrentar as mudanças climáticas, e nós mostramos que é possível alinhar proteção ambiental, uso adequado das áreas costeiras e desenvolvimento turístico sustentável. Essa cooperação reafirma que as prefeituras não estão sozinhas. Estamos convidando os municípios a atuarem conosco na proteção e no uso responsável das praias e das áreas ribeirinhas, garantindo desenvolvimento para quem vive nesses territórios”, afirmou.

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A nova etapa do Programa Orla – fundamentada na Lei nº 7.661/1988 e atualizada pelo Decreto nº 5.300/2024 – integra políticas ambientais, urbanas, patrimoniais e turísticas. O objetivo é fortalecer a governança federativa e apoiar municípios na gestão qualificada de áreas sensíveis, ampliando também o papel do turismo sustentável.

A necessidade de integração se torna ainda mais evidente diante do cenário climático atual. A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Anna Flávia Franco, lembrou que a orla brasileira está na linha de frente dos impactos climáticos.

“As mudanças climáticas afetam diretamente a orla. Eventos que antes ocorriam a cada 50 anos acontecem hoje com intensidade muito maior e em intervalos cada vez menores. Enfrentar isso exige planejamento, ciência e integração federativa”, defendeu Anna Flávia Franco, destacando ainda que o Programa Orla, aliado a outras políticas ambientais, é essencial para fortalecer a adaptação climática.

O alerta também foi compartilhado pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que chamou atenção para o avanço do mar sobre áreas urbanas.

“As cidades litorâneas têm sofrido cada vez mais com a elevação do nível do mar. Se não atuarmos agora, podemos perder patrimônios valiosos do Brasil e do mundo. Estudos indicam que regiões inteiras, como partes da ilha do Marajó, correm risco real de desaparecer”, apontou Jader Filho.

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ACORDO – O documento garante apoio técnico e metodológico contínuo aos municípios, ampliando a capacidade de atuar em zonas ambientalmente sensíveis. Outra frente prevista é a expansão do Programa Orla, que a partir de 2026 passará a contemplar formalmente as orlas fluviais. O acordo ainda prioriza iniciativas de inclusão social, geração de renda e fortalecimento do turismo sustentável, além de promover a proteção e a valorização das comunidades costeiras e ribeirinhas que dependem diretamente desses territórios.

PROGRAMA ORLA – O programa é uma iniciativa interministerial que busca integrar as políticas ambiental, urbana, patrimonial e de turismo no cuidado com os espaços litorâneos e fluviais do Brasil, garantindo que esses territórios – que pertencem ao povo brasileiro – cumpram sua função socioambiental e econômica de forma sustentável.

Por Lívia Albernaz
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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Ministério da Saúde destaca contribuição de migrantes para o fortalecimento do SUS

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No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, o Ministério da Saúde (MS) reconhece a contribuição das pessoas migrantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da inclusão e da cooperação entre povos na construção de uma saúde pública universal, equitativa e de qualidade. Instituída pela Lei nº 14.678, a data também marca o início da Semana do Migrante e do Refugiado, realizada entre 19 e 23 de junho.

Anualmente, durante o período, são promovidos debates sobre direitos, dignidade, integração e reconhecimento das contribuições das pessoas que cruzaram fronteiras e hoje contribuem para o desenvolvimento do país. No MS, essas trajetórias se traduzem em cuidado, inovação, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas. Ao ultrapassar limites geográficos em busca de novos horizontes, essas pessoas trouxeram conhecimentos e heranças culturais que hoje se refletem no aprimoramento contínuo do SUS.

O trabalho é impactado por profissionais de diferentes nacionalidades que atuam em áreas como assistência, vigilância em saúde, gestão, pesquisa, ensino e atenção. Por meio de suas vivências, formações e trajetórias, essas pessoas ampliam perspectivas, fortalecem práticas e contribuem para qualificar as ações e os serviços de saúde em todo o país.

Marcas da guerra, adaptação cultural e acolhimento no Brasil

A coordenadora-geral de Articulação Interfederativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Fatima Ali, é palestina. Enfermeira de formação e servidora aposentada da Secretaria Municipal de Porto Alegre, a profissional atua no SUS há 20 anos. Filha de pai palestino da região norte da Cisjordânia, Ali relembra as dificuldades da adaptação cultural e da resistência para a sobrevivência do seu povo, após 78 anos da catástrofe que provocou o deslocamento forçado de 750 mil palestinos durante a Guerra Árabe-Israelense. “O fenômeno não é resultado de conflitos pontuais, mas de extermínio. Lutamos para manter vivos os laços familiares”, relata ao citar o que mais a marcou no percurso de adaptação e acolhimento em outro país.

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal

A enfermeira explica o que pensa e como se sente atuando há duas décadas no sistema de saúde brasileiro. “O SUS é um grande desafio, a maior política social do mundo, inclusiva, universal. É a prática da constante solidariedade, do reconhecimento das diversidades e dos territórios”. Quando perguntada sobre qual mensagem deixaria sobre acolhimento, cooperação e construção coletiva na saúde pública, ela faz um convite à reflexão e à justiça. “Imagine você sendo forçado a sair [do seu país] sem olhar para trás. A sensação do desterro é permanente. É necessário manter viva a esperança como princípio fundamental para sobreviver à limpeza étnica. Por um mundo mais justo!”, conclui.

Estudos, mudança de vida e ascensão profissional

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A nutricionista Maria del Pilar Flores-Quispe, de 44 anos, é peruana e atua como consultora no Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS. No Peru, atuou em sua área de formação em serviços de alimentação, academia, hospital, presídio, projetos de assistência e numa prefeitura, mas vislumbrava avanços acadêmicos e profissionais que pareciam inacessíveis. “Queria realizar um mestrado, mas a pós-graduação no Peru é muito cara, mesmo em universidades públicas. Soube que no Brasil davam bolsas de estudo, eu lia relatórios da UNICEF e via que o país era destaque na América Latina no avanço de indicadores nutricionais e de saúde. Isso me motivou a buscar uma oportunidade. Em 2015, houve um chamado para latino-americanos e consegui obter uma vaga para o mestrado em Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul”, conta.

Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal

Ao citar o que mais a impactou no processo de migração, a peruana destaca a dificuldade com o idioma e as mudanças progressivas na ascensão social. “Me marcou falar o que realmente sentia em outra língua, como se não pudesse traduzir, mesmo já sabendo português. Também estava me incorporando a outro nível social. No Peru, minha mãe e eu pertencíamos à classe baixa, e aqui, por causa do ambiente acadêmico, parecíamos pertencer à classe média. Isso foi um choque, pois essa transição estava acontecendo fora do meu país”, explica.

Pilar diz que suas experiências anteriores e trajetória migratória foram fundamentais para a atuação profissional. “Não é instintivo e fácil entender que há um sistema de saúde como o SUS, que não existe em outros países da América Latina. Isso ajuda na interação com outros estrangeiros em projetos ou instituições, para explicar a dimensão do SUS e como ele realmente faz toda diferença na saúde da população que vive aqui, assim como faz diferença na minha saúde e da minha mãe, que mora comigo há um ano. A oportunidade de eu ter morado em diferentes regiões do Brasil tem me ajudado a compreender mais da dimensão territorial e cultural do país”, afirma.

Entre culturas, aprendizados e compromisso com a saúde pública 

Jesualdo Costa, de 38 anos, é natural de Guiné-Bissau, um país lusófano com cerca de 2 milhões de habitantes localizado na África Ocidental. Ele atua na Coordenação-Geral de Provimento Profissional no âmbito do Programa Mais Médicos no Brasil e integra a equipe da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS. Licenciado em Letras/Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, mestre em Teoria e Crítica da Literatura e Cultura, e doutorando em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Vive há 13 anos no Brasil. Para ele, trabalhar no SUS significa aprender e compartilhar.

Foto: Acervo Pessoal
Foto: Acervo Pessoal
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“Venho de Guiné-Bissau, onde a saúde é um grande desafio. Contribuir para um sistema universal como o SUS significa aprender e colaborar. É a oportunidade de vivenciar um modelo que busca garantir acesso à saúde para todos, ao mesmo tempo em que fortaleço meu compromisso com a equidade e a qualidade da assistência”. O profissional contextualiza, ainda, as motivações da migração. “Migrantes não estão aqui apenas pela oportunidade de trabalho, mas também para compartilhar as experiências e vivências que trazem de outras realidades. Essa troca fortalece o cuidado e o próprio sistema. Muitos também vivenciam a importância do SUS como, talvez, a única opção de acesso à saúde, o que reforça ainda mais o compromisso com a luta por um cuidado mais justo e acessível”.

Jesualdo enfatiza que o SUS também se fortalece com a contribuição de profissionais migrantes e exemplifica citando a atuação dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos. “Essa experiência mostra que o acolhimento e a cooperação salvam vidas. No fim, todos somos migrantes em nossas trajetórias, e é essa diversidade que fortalece a saúde pública. Que possamos seguir com base no acolhimento, na cooperação e no respeito às diferenças, guiados pelo princípio do Ubuntu: “eu sou porque nós somos”. É na coletividade que encontramos a força para cuidar melhor de todos”, declara.

Saúde para migrantes, refugiados e apátridas

 No Brasil, o direito à saúde das populações migrantes, refugiadas e apátridas é assegurado pelos princípios de universalidade e equidade do SUS e respaldado por marcos legais como a Lei de Migração, que garante o acesso a direitos e serviços públicos sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória. No âmbito do Ministério da Saúde, normas e iniciativas recentes têm buscado fortalecer esse acesso por meio da qualificação dos serviços, da redução de barreiras documentais e culturais e da construção de uma Política Nacional de Saúde voltada a essas populações, reafirmando o compromisso com o cuidado integral e a inclusão.

 Essas populações são atendidas de forma universal e gratuita, assim como acontece com as pessoas nativas. As ações e estratégias para o cuidado em saúde no âmbito da Atenção Primária estão focadas em afirmar a necessidade de promover acesso à saúde e qualificar os serviços para o melhor cuidado e acolhimento. Na chegada ao país, são orientadas a realizar o cadastramento no e-SUS APS. Os profissionais que recepcionam e realizam o primeiro atendimento são orientados, também, a considerar os aspectos interculturais, para garantir o respeito às diferenças identitárias, enfrentar preconceitos e promover uma abordagem humanizada que considere os contextos socioculturais da comunidade.

Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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