Brasil
Brasil sedia o 10º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS, em Brasília
O Brasil recebe, de segunda-feira (15) a quarta-feira (17), o 10º Fórum de Jovens Cientistas do Brics (Brics Young Scientists Forum – YSF). O evento reúne, em Brasília (DF), jovens pesquisadores e empreendedores dos países-membros para apresentarem soluções inovadoras em ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Ao completar uma década de existência, o fórum consolida-se como um espaço de encontro da comunidade. Mais do que uma vitrine de ideias, o evento promove cooperação internacional e articulação entre instituições acadêmicas, órgãos públicos e setor produtivo, incentivando soluções inovadoras capazes de produzir impactos concretos para a sociedade.
Segundo a coordenadora-geral de Cooperação Multilateral, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e chefe da delegação brasileira, Adriana Thomé, a realização do evento no País representa um marco importante. “Está sendo uma experiência muito interessante receber mais de cem pessoas dos vários países do Brics”, afirmou.
O Brics é um agrupamento formado por onze países-membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O bloco funciona como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas.
Eixos estratégicos
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi convidada pelo MCTI a indicar os representantes nacionais. A edição de 2025 é organizada em torno de três temas:
- Pesquisa sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas: alinhado à COP30, o tema reúne pesquisas sobre gases de efeito estufa, biodiversidade, saúde, energia e segurança alimentar. O foco é desenvolver soluções de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
- Diplomacia científica em um mundo em transformação: o tema aborda o papel da diplomacia científica no fortalecimento do Brics e do Sul Global. Os estudos destacam políticas de ciência, assessoria e impactos em segurança alimentar, energia, saúde e biodiversidade.
- Inteligência Artificial para Soluções Sociais: explora como a IA pode melhorar serviços públicos, reduzir custos e ampliar transparência. A discussão inclui pesquisas em softwares, hardwares e big data, além de questões éticas, privacidade e vieses algorítmicos.
Para Adriana Thomé, assumir a presidência do Brics traz oportunidades estratégicas para o País. “Podemos sugerir temas que são importantes para nossa agenda de ciência e tecnologia. Mudanças climáticas em preparação à COP, inteligência artificial, que é um tema muito discutido no momento, e também diplomacia científica do ponto de vista da cooperação do Sul Global”, explicou a chefe da delegação brasileira.
Inovação e reconhecimento
Um dos pontos altos da programação é a 8ª edição do Prêmio Jovens Inovadores do Brics, que valoriza inventores e pesquisadores com soluções de impacto para desafios sociais e econômicos. O reconhecimento simboliza a confiança do bloco no potencial da juventude em produzir mudanças significativas nas áreas de saúde, meio ambiente, inclusão social e novas tecnologias.
Além do prêmio, a diversidade dos projetos mostra o alcance das pesquisas em curso: inteligência artificial aplicada à saúde, ao saneamento e agricultura; à biomedicina e biotecnologia para diagnóstico de doenças; à gestão de recursos hídricos e enfrentamento das mudanças climáticas; e às inovações espaciais com uso de satélites e dados orbitais.
O encontro também amplia a dimensão cultural e humana da cooperação, é o que diz a representante do MCTI, Adriana Thomé. “Essa é uma experiência bastante enriquecedora para nós em termos culturais, porque estamos recebendo pessoas de diversos países. Também é uma experiência muito importante e muito interessante para enriquecer a ciência, a tecnologia e a inovação dentro do nosso País e fortalecer cada vez mais a cooperação dentro dos países Brics”
*Formação de lideranças globais*
Mais do que um evento acadêmico, o fórum é uma plataforma de formação de lideranças científicas. Jovens pesquisadores têm a oportunidade de dialogar diretamente com gestores de inovação, representantes de governos e investidores, construindo redes de cooperação que ultrapassam fronteiras nacionais.
Os objetivos estratégicos do encontro incluem:
- Intensificar a interação entre jovens dos países do Brics para enfrentar problemas sociais comuns por meio da ciência e da inovação
- Promover o desenvolvimento de competências e pesquisas de jovens cientistas
- Incentivar parcerias transnacionais que possam acelerar a inovação
- Reforçar políticas de ciência, tecnologia e juventude do bloco
Para a chefe da delegação da Rússia, Albina Kutuzova, o fórum é um marco importante: “Para nós, é muito importante participar deste evento, que é reconhecido entre os jovens cientistas do Brics. Os temas escolhidos são muito relevantes e demandados em nosso país”.
O chefe da delegação da Índia, Nagaboopathy Mohan, destacou o esforço da organização brasileira: “É muito bom fazer parte do Brics, especialmente neste ano com o Brasil como sede. Vimos um grande número de atividades e a equipe organizadora fez um trabalho excelente desde o planejamento até a execução. Desde o início, é visível a celebração e o sentimento de união entre todos os delegados”.
O chefe da delegação da África do Sul, Tebogo Modiba, afirmou que o evento promove integração e fortalecimento: “É uma oportunidade de construir um ecossistema maior para o Sul Global prosperar, mesmo em tempos de desafios geopolíticos, e trabalhar em conjunto para fortalecer ainda mais o Brics”.
A chefe da delegação dos Emirados Árabes Unidos, Noora Ali Almarzooqi, falou sobre a importância da colaboração internacional. “É um evento muito significativo, onde jovens cientistas e inovadores podem se reunir, discutir suas pesquisas de ponta e colaborar. Boa sorte a todos os jovens cientistas, estou ansiosa por essas trocas”.
Projeção internacional
A edição anterior do fórum foi em novembro de 2024, na Rússia. Agora, em 2025, Brasília se torna palco do encontro que projeta os jovens cientistas no cenário internacional e fortalece o papel do Brics na construção de soluções globais.
A conexão com a COP30 dá ao fórum um peso adicional: os resultados dos debates sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas poderão subsidiar as negociações internacionais que o Brasil conduzirá em novembro, em Belém (PA).
O Fórum de Jovens Cientistas do Brics reafirma a ciência como vetor de integração entre países emergentes e como ferramenta essencial para enfrentar crises globais. Ao sediar a 10ª edição do evento, o Brasil reforça sua posição de liderança no bloco e destaca a importância da juventude científica para o futuro da cooperação internacional.
Sobre a última edição
A 9ª edição do Fórum de Jovens Cientistas ocorreu em novembro de 2024, na cidade de Sochi, na Rússia. A participação brasileira reforçou o compromisso do país com a inovação e a colaboração internacional.
Os candidatos ao Prêmio Jovem Inovador apresentaram projetos que evidenciaram o potencial do Brasil em áreas estratégicas como energia, mobilidade urbana, sustentabilidade e inteligência artificial. Entre os finalistas estavam Andrey Barbosa (Cnen), com pesquisa sobre oxidação eletroquímica de metano a metanol; Guilherme Fidelis Peixer (UFSC), com o protótipo de sistema magnetocalórico MagChill; Isadora Ferrão (USP), com arquitetura de táxis aéreos para cidades inteligentes; Martina Lichtenfels (Ziel BioSciences), com o projeto BIOverseAI; e Thiago Edwiges (UFPR), que trabalhou no aproveitamento de resíduos da cadeia sucroalcooleira em uma economia circular.
Atualmente, existem 13 grupos de trabalho em diversas áreas científicas, como biotecnologia, astronomia, desastres naturais, energias renováveis, computação de alto desempenho, oceanos, materiais e fotônica. Há também um forte foco em inovação, com iniciativas para redes de parques tecnológicos e centros de transferência de tecnologia.
Neste ano, o Brasil celebra 10 anos desde a assinatura do Memorando de Entendimento sobre a Cooperação em CTI. Ao longo da última década, foram lançadas seis chamadas conjuntas a projetos de pesquisa, financiando 157 projetos e mobilizando quase 6 mil pesquisadores de pelo menos três países do grupo em cada iniciativa.
Durante a presidência brasileira, foram propostas duas novas modalidades de editais: a primeira para projetos na área de inovação, visando a cooperação entre empresas para o desenvolvimento de novos produtos e serviços; e a segunda, chamada de projetos “flagship”, para grandes desafios que buscam responder a demandas urgentes dos países membros.
Outra iniciativa importante é a proposta brasileira de um estudo de viabilidade técnica e financeira de um cabo submarino para transferência de dados de pesquisa e educação. Essa conexão direta entre os países do Sul Global pode garantir maior autonomia, resiliência, velocidades e segurança nas trocas de dados, que são cada vez mais essenciais para a ciência moderna.
Brasil
Parceria entre Ministério da Saúde e Caixa garante cerca de R$ 1 bilhão para instituições filantrópicas
O Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal firmaram, nesta quarta-feira (3/6), contratos que viabilizam a liberação de aproximadamente R$ 1 bilhão para oito instituições hospitalares filantrópicas do país. As unidades integram a rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS) e são referência na oferta de atendimentos especializados. Os recursos serão destinados por meio da linha de crédito “Caixa Hospitais FGTS”, que oferece condições facilitadas de financiamento, contribuindo para o equilíbrio financeiro dos hospitais e Santas Casas para a continuidade da assistência para pacientes da rede pública.
“Temos a expectativa de chegar, nos próximos dias, a R$ 2 bilhões em contratos de financiamento da Caixa para essas instituições. Essas instituições têm um papel importante para a população atendida pelo SUS. Para se ter uma ideia, em 2025, nós realizamos 14,9 milhões de cirurgias, 42% a mais do que foi feito em 2022. A maior parte dessas cirurgias foram feitas pelos hospitais filantrópicos e pelas Santas Casas”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Os contratos assinados nesta quarta-feira contemplam:
- Associação de Combate ao Câncer de Goiás (GO)
- Santa Casa da Misericórdia de São Paulo (SP)
- Santa Casa de Porto Alegre (RS)
- Hospital José Silveira (BA)
- Instituto de Câncer de Londrina (PR)
- Associação Hospitalar Vila Nova (RS)
- Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos (RJ)
- Fundação Assistencial da Paraíba (PB)
Além das contemplações desta etapa, outras 115 instituições já receberam aval para apresentar propostas de financiamento à linha CAIXA Hospitais FGTS. São unidades hospitalares habilitadas pelo programa Agora Tem Especialistas na modalidade crédito financeiro.
Hospitais filantrópicos e Santas Casas no Brasil
No total, existem 1.959 instituições filantrópicas no país, sendo 324 Santas Casas. As unidades oferecem uma ampla variedade de especialidades e serviços, incluindo clínica médica, cirurgia geral, ortopedia, cardiologia, oncologia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de leitos de terapia intensiva e atendimento de urgência e emergência. Com essa estrutura, as instituições contribuem diretamente para a redução do tempo de espera, ampliação do acesso a tratamentos especializados e o fortalecimento da assistência hospitalar em municípios de diferentes localidades.
Toda essa rede assistencial registrou nos últimos três anos (2023-2025), um total de 839,6 milhões de atendimentos ambulatoriais e 17,3 milhões de internações. O custo desses procedimentos para o Governo do Brasil foi de R$ 56,3 bilhões. Os números refletem a dimensão da rede filantrópica no atendimento à população brasileira e sua importância para a garantia do acesso aos serviços de saúde em todo o país.
Eduarda Paixão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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