Brasil
Ministério da Saúde avança em ações de saúde mental e direitos humanos em parceria com instituições nacionais
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (SAES) e do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (DESMAD), vem ampliando uma agenda estratégica que integra saúde mental e direitos humanos, com enfoque no enfrentamento de violências que resultam em intenso sofrimento psicossocial e vulneração de grupos historicamente marginalizados. Liderados pela Coordenação-Geral de Saúde Mental e Direitos Humanos (CGSMDH), os esforços buscam qualificar a resposta do SUS diante de violações que atingem a integridade física e psíquica de indivíduos e comunidades, especialmente em contextos de violência armada ou de Estado.
Nesse conjunto de ações, destaca-se o Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em fase final de formalização, que apoiará a implementação e manutenção do Centro de Memória das Vítimas de Violência de Estado, no município de Santos (SP), vinculado ao coletivo Mães de Maio. Como parte da estratégia, o Ministério da Saúde prevê o fornecimento de equipamentos tecnológicos para viabilizar ações de telessaúde direcionadas às vítimas e seus familiares, ampliando o acesso ao cuidado psicossocial e fortalecendo iniciativas de memória, reparação e acolhimento.
Para o diretor do DESMAD, Marcelo Kimati, esse conjunto de ações revela o caráter transformador da política pública. “As ações que estamos desenvolvendo reafirmam o compromisso do Ministério da Saúde com uma política de saúde mental que reconhece as dores do nosso país, enfrenta desigualdades históricas e promove cuidado digno às populações mais vulnerabilizadas. Cada parceria firmada fortalece uma rede de proteção que articula memória, reparação e cuidado, sempre orientada pelos princípios do SUS e pelos direitos humanos. Estamos construindo, coletivamente, respostas mais humanas, mais qualificadas e mais justas para situações de extremo sofrimento”, destaca.
Também está em curso uma iniciativa estruturante por meio do Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que visa promover a saúde mental e a equidade étnico-racial em comunidades quilombolas, além de fortalecer a economia popular e solidária, a mobilização social e a educação patrimonial. A parceria envolve a realização de inventários participativos que valorizam referências culturais e ancestrais como elementos fundamentais para o bem-estar coletivo. A estratégia do DESMAD nesse processo é articular as Redes de Atenção Psicossocial (RAPS) nos territórios, construindo dispositivos de cuidado que reconheçam a potência da cultura, da memória e da autonomia comunitária como determinantes positivos de saúde mental.
Outros movimentos importantes se somam a essa agenda. O Grupo de Trabalho Bem Viver, em articulação interna, consolida práticas que integram cuidado, ancestralidade e justiça social, enquanto dois Termos de Execução Descentralizada (TEDs) avançam em parceria com universidades federais. O TED com a Unifesp permitirá operacionalizar as ações de telessaúde previstas no ACT com o MDHC, ampliando o suporte técnico metodológico destinado ao Centro de Memória de Santos. Já o TED com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se dedica à construção de estratégias para o enfrentamento ao racismo na atenção psicossocial, incluindo a elaboração de uma linha de cuidado específica para mães e familiares vítimas de violência armada. O DESMAD apoiará o projeto com assessoria técnica e recursos financeiros, reforçando o compromisso intersetorial com práticas de cuidado antirracistas e territorializadas.
Somando-se a esse conjunto de ações, está em etapa inicial a consultoria destinada ao cuidado psicossocial de familiares de pessoas desaparecidas, desenvolvida em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) e financiada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). A iniciativa prevê a elaboração de material formativo para qualificação das RAPS nos territórios, contribuindo para ampliar a capacidade de acolhimento e resposta do SUS a situações de sofrimento prolongado e de alto impacto emocional. O DESMAD atuará com suporte técnico especializado para garantir a consistência metodológica e a relevância das orientações produzidas.
O conjunto dessas ações evidencia o fortalecimento de uma política pública que integra memória, justiça, equidade racial, telessaúde, economia solidária e cuidado psicossocial como dimensões complementares de promoção de direitos humanos no SUS. Ao articular instituições, saberes e territórios, o Ministério da Saúde reafirma seu papel na construção de respostas inovadoras, sensíveis e estruturadas às complexidades da saúde mental no Brasil. As iniciativas em andamento consolidam uma agenda que não apenas amplia o acesso ao cuidado, mas reconhece a importância de reparar injustiças, fortalecer comunidades e promover dignidade, autonomia e esperança para populações historicamente afetadas por múltiplas violências.
Patrícia Coelho
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Operação Brasil Contra o Crime Organizado prende 76 pessoas e provoca prejuízo superior a R$ 45 milhões às facções
Brasília, 22/5/2026 – A Operação Brasil Contra o Crime Organizado, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), divulgou, nesta sexta-feira (22), o balanço operacional consolidado das atividades realizadas entre 17 e 22 de maio nas regiões de fronteira e divisas do País. O prejuízo estimado ao crime organizado ultrapassa R$ 45,7 milhões.
As ações foram coordenadas pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), por meio da Coordenação-Geral de Fronteiras e Amazônia (CGFRON), e ocorreram de forma integrada nas 27 unidades da Federação. A iniciativa ampliou significativamente o alcance da operação em relação a 2025, quando as atividades foram realizadas em sete estados.
Balanço parcial da semana
• 76 prisões e apreensões, sendo 51 prisões em flagrante, 19 por mandado judicial e 6 apreensões de adolescentes;
• cumprimento de 8 mandados de busca e apreensão;
• instauração de 12 inquéritos e conclusão de 2;
• realização de 32 operações com resultado de inteligência;
• realização de 70 bloqueios, barreiras e blitz policiais.
As operações também impactaram a logística do crime organizado, principalmente no tráfico de drogas, armas e contrabando. Entre os materiais apreendidos no período, estão:
• 8,3 toneladas de maconha;
• mais de 613 kg de cocaína e pasta base;
• 373 kg de skunk;
• 2 metralhadoras, 3 fuzis, 14 espingardas, 4 pistolas e 3 revólveres;
• mais de 89 mil munições;
• cigarros contrabandeados, agrotóxicos ilegais e veículos utilizados pelas organizações criminosas.

- Operação Brasil Contra o Crime Organizado prende 76 pessoas e provoca prejuízo superior a R$ 45 milhões às facções. foto: Divulgação
Os resultados consolidados entre 11 e 22 de maio demonstram o impacto da atuação integrada das forças de segurança pública em todo o Brasil, com prejuízo superior a R$ 213 milhões ao crime organizado. Até o momento, as ações contabilizam 242 prisões, mais de 60 toneladas de drogas apreendidas, armamentos de grosso calibre — incluindo fuzis e metralhadoras — e mais de 89 mil munições retiradas de circulação.
Segundo o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, a ampliação nacional da operação fortalece o enfrentamento qualificado às organizações criminosas. “A expansão da operação para todas as unidades federativas representa um avanço importante na integração das forças de segurança pública. Estamos ampliando o compartilhamento de inteligência, fortalecendo a atuação nas fronteiras e atingindo diretamente a estrutura financeira e logística das facções criminosas em todo o território nacional”, afirmou.
Além das medidas repressivas, a operação também intensificou a presença do Estado em áreas estratégicas de fronteira e divisas, com fiscalizações, visitas preventivas e abordagens policiais. Durante a semana, mais de 2,4 mil pessoas e mais de mil veículos foram abordados pelas equipes policiais.
A Operação Brasil Contra o Crime Organizado integra a estratégia nacional do Governo Federal voltada ao enfrentamento qualificado das organizações criminosas, ao combate aos crimes transfronteiriços e à descapitalização financeira das facções.
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