Agro
Mercado do feijão inicia 2026 com oferta restrita e preços firmes em alta
Feijão carioca mantém valorização com oferta limitada
O mercado do feijão carioca encerrou janeiro com preços firmes e movimento de oferta reduzida, consolidando um dos períodos mais valorizados da última década. A falta de produto de padrão superior, especialmente das notas 9 e 9,5, elevou o grão a patamares próximos de R$ 295 por saca CIF São Paulo, segundo o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado.
De acordo com o especialista, o cenário é resultado de uma retenção estratégica por parte dos produtores, combinada à escassez de estoques e à absorção regional das colheitas em Minas Gerais. “O feijão se transformou em um ativo de alto valor. A tecnologia de escurecimento lento, que antes era diferencial, tornou-se essencial para garantir ágio de cerca de R$ 50 por saca em relação às variedades comuns”, explicou Oliveira.
Minas Gerais e interior paulista impulsionam as cotações
A qualidade do produto continuou sendo o principal fator na formação dos preços ao longo de janeiro. O padrão extra (nota 9,5) se manteve valorizado em São Paulo, enquanto as referências FOB avançaram em várias regiões do país.
No interior paulista, as cotações oscilaram entre R$ 278 e R$ 280 por saca, enquanto Minas Gerais registrou negócios pontuais entre R$ 260 e R$ 270. Já em Sorriso (MT), os preços ultrapassaram R$ 240 por saca, sinalizando a extensão do movimento altista em todo o território nacional.
Mesmo com o início da colheita mineira, grande parte do volume foi absorvida pelo mercado interno e pelo consumo do Nordeste, reduzindo a disponibilidade para os grandes centros e mantendo o poder de precificação nas mãos dos produtores.
“O mercado encerra janeiro operando em ambiente firme e dependente do comprador, com viés de alta até a entrada da segunda safra”, resume o analista.
Feijão preto volta a ser rentável e encerra ciclo de prejuízos
No mercado do feijão preto, janeiro representou uma virada significativa após um longo período de margens apertadas. A redução drástica da área plantada no Paraná, aliada à menor oferta no mercado externo, provocou reajuste técnico dos preços, que ultrapassaram R$ 210 por saca no atacado paulista.
“O produtor entendeu que a liquidez restrita exige estratégia. Hoje, quem retém seletivamente o produto e prioriza beneficiamento força a indústria a se adequar ao novo patamar de preços”, destacou Oliveira.
Nos estados produtores, o movimento foi consistente: o Paraná registrou preços entre R$ 170 e R$ 180 por saca FOB, Santa Catarina avançou para R$ 165, e o interior paulista e o Mato Grosso se aproximaram de R$ 195 por saca. No atacado, o intervalo entre R$ 200 e R$ 220 por saca CIF São Paulo consolidou-se como referência para o produto beneficiado.
A expectativa é que a entrada de grãos de melhor qualidade da primeira safra paranaense alivie pontualmente a indústria, mas sem alterar o cenário estrutural de preços sustentados.
Mercado interno ganha força com menor foco em exportações
Com as exportações perdendo espaço em 2026, o mercado doméstico volta a ser o principal vetor de equilíbrio para o setor. “O desafio daqui para frente é manter o equilíbrio entre preço e consumo. O feijão volta a ter valor estratégico, tanto na mesa do brasileiro quanto na pauta agrícola nacional”, conclui Oliveira.
Contexto econômico: estabilidade monetária e cenário global misto
O desempenho do mercado do feijão ocorre em um contexto de estabilidade monetária e volatilidade moderada no cenário financeiro global.
O Banco Central do Brasil manteve, em janeiro de 2026, a taxa Selic em 10,25% ao ano, sinalizando que deve continuar o ciclo gradual de cortes ao longo do primeiro semestre, à medida que a inflação segue dentro da meta. O IPCA acumulado em 12 meses está em 3,9%, dentro do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional.
Na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), o Ibovespa encerrou o mês com leve retração, aos 183 mil pontos, após semanas de recordes históricos. O dólar comercial operou em torno de R$ 5,19, refletindo ajustes de fluxo cambial e incertezas internacionais.
No exterior, bolsas americanas e europeias registraram comportamento misto: o Dow Jones avançou levemente, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq 100 mostraram estabilidade, com investidores avaliando políticas monetárias e perspectivas de crescimento global.
Perspectivas: produtores fortalecem estratégia de retenção
A análise geral do setor indica que feijão carioca e feijão preto seguem com tendência altista de curto prazo, sustentada pela combinação de estoques baixos, clima irregular e controle de oferta. Produtores devem manter a estratégia de comercialização gradual, aproveitando o ambiente de preços firmes até a consolidação da segunda safra.
“O mês de janeiro deixa claro que o produtor recuperou o poder de decisão. A gestão estratégica de oferta é hoje uma ferramenta tão importante quanto a produtividade no campo”, conclui Oliveira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Ureia despenca mais de 40% e fertilizantes voltam ao nível pré-crise com avanço de acordo entre EUA e Irã
Os preços internacionais da ureia registraram forte recuo nas últimas semanas e já retornaram aos níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo análise da StoneX, as cotações destinadas ao mercado brasileiro acumulam queda superior a 40% após oito semanas consecutivas de desvalorização, refletindo o avanço das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã e a expectativa de reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.
O movimento é acompanhado de perto pelo setor de fertilizantes, uma vez que a região concentra uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes nitrogenados. A perspectiva de retomada da navegação vem reduzindo os temores relacionados à oferta global e aos gargalos logísticos que pressionaram os preços nos últimos meses.
Mercado reage à expectativa de normalização logística
De acordo com a StoneX, a possibilidade de restabelecimento do fluxo marítimo no Golfo Pérsico tem provocado uma mudança significativa no comportamento dos mercados de energia e fertilizantes.
As restrições impostas à navegação durante o período de instabilidade elevaram custos e dificultaram o transporte de insumos estratégicos. Agora, com o avanço das negociações entre Washington e Teerã, os agentes de mercado passaram a precificar um cenário de maior disponibilidade de produtos e menor risco logístico.
Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o acordo preliminar representa um importante fator de pressão baixista para o setor.
“O entendimento entre Estados Unidos e Irã tem impacto direto sobre a logística global e a oferta de fertilizantes. O Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para o escoamento de fertilizantes, petróleo, amônia e enxofre, o que torna qualquer sinalização de normalização extremamente relevante para os mercados”, avalia.
Ureia retorna aos patamares anteriores ao conflito
O efeito mais visível foi observado no mercado da ureia. As cotações CFR Brasil recuaram para níveis inferiores aos registrados antes do início da crise geopolítica, revertendo completamente os ganhos observados durante o período de maior incerteza.
A queda acumulada superior a 40% representa uma das correções mais expressivas dos últimos meses e sinaliza uma redução dos prêmios de risco que vinham sendo incorporados aos preços internacionais.
Além da expectativa de reabertura das rotas marítimas, o mercado também passou a considerar uma possível ampliação da oferta global de fertilizantes caso as negociações avancem para uma flexibilização das sanções impostas ao Irã.
Acordo ainda depende de novas etapas
Apesar da reação positiva dos mercados, o acordo entre Estados Unidos e Irã ainda não está concluído. Informações divulgadas pela Reuters indicam que o entendimento atual prevê a extensão do cessar-fogo por mais 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas questões centrais continuam em negociação.
Entre os temas que permanecem em discussão está o futuro do programa nuclear iraniano, considerado um dos principais pontos de divergência entre os dois países.
Especialistas do setor marítimo alertam que a normalização completa das operações não deve ocorrer imediatamente. Mesmo após a eventual reabertura da rota, a retomada da confiança dos operadores logísticos e o reposicionamento das embarcações podem levar semanas.
Fertilizantes ainda dependem da evolução do cenário geopolítico
A StoneX destaca que o mercado segue monitorando fatores que podem limitar a recuperação plena da logística na região.
Existem preocupações relacionadas à segurança da navegação, incluindo relatos sobre possíveis áreas minadas e incertezas quanto às condições definitivas para a circulação de embarcações. Além disso, navios que permaneceram retidos durante o período de restrições poderão enfrentar atrasos até que o fluxo marítimo seja totalmente restabelecido.
Dessa forma, embora a tendência atual seja de alívio para os preços, a oferta global de fertilizantes continua condicionada à evolução das negociações diplomáticas e à estabilidade da região.
Cenário favorece importadores brasileiros
A queda das cotações ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. Tradicionalmente, as compras externas de fertilizantes nitrogenados ganham força ao longo do segundo semestre, período de preparação para importantes culturas da safra de verão.
Com preços mais baixos e perspectiva de melhora na logística internacional, os importadores brasileiros encontram um ambiente mais favorável para negociar volumes e recompor estoques.
Além dos fertilizantes, o anúncio do acordo preliminar também impactou o mercado energético. Os preços do petróleo recuaram para os menores níveis dos últimos três meses, refletindo as expectativas de retomada do fluxo normal de cargas em uma das regiões mais importantes para o comércio global.
Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre fertilizantes mais baratos e redução das incertezas logísticas pode representar um importante fator de alívio nos custos de produção nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
-
Política Nacional5 dias agoSenado analisa propostas de agenda legislativa sobre direitos das mulheres
-
Paraná6 dias agoEstado promove encontro de turismo rural e gastronomia regional em Foz do Iguaçu
-
Esportes6 dias agoAlisson iguala marca histórica de Gylmar e Taffarel ao iniciar sua terceira Copa como titular
-
Política Nacional5 dias agoComissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
-
Brasil4 dias agoMinistério da Saúde e fãs da banda BTS se unem para incentivar a doação de sangue
-
Política Nacional7 dias agoRede de comunicação de MT e federação de fomento comercial serão homenageadas
-
Brasil5 dias agoSeminário destaca avanço da parceria do SUS com hospitais de excelência para ampliar o acesso à saúde
-
Paraná6 dias agoPoupatempo Paraná ultrapassa a marca de 2 milhões de atendimentos
