Agro
Mercado do algodão enfrenta pressão por alta oferta e demanda fraca, aponta Itaú BBA
Preços do algodão atingem menor nível em cinco anos
O mercado de algodão segue em queda tanto no Brasil quanto no exterior, segundo o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Em outubro, os preços da pluma no mercado interno alcançaram o menor patamar dos últimos cinco anos, refletindo a combinação de alta oferta e demanda enfraquecida.
Na Bolsa de Nova York, o algodão registrou a terceira queda mensal consecutiva, recuando 1,5% e encerrando o mês em US$ 0,637 por libra-peso. O cenário foi agravado pela paralisação do governo norte-americano, que suspendeu temporariamente os relatórios do USDA, gerando especulações sobre a safra dos Estados Unidos.
Já na primeira quinzena de novembro, houve uma leve recuperação, com alta de 2,6%, impulsionada pelo aumento dos preços do petróleo, que tende a favorecer as fibras naturais frente às sintéticas.
Mercado interno segue pressionado por oferta elevada
No Brasil, os preços caíram pelo quinto mês consecutivo em outubro, acumulando retração de 4,6%, para R$ 3,35/lb em Rondonópolis (MT). Em novembro, as cotações mantiveram tendência de baixa, embora em ritmo mais moderado.
De acordo com o Itaú BBA, a colheita praticamente concluída e o aumento do volume beneficiado — que já alcança 70%, segundo a Abrapa — ampliaram a oferta disponível no mercado. A demanda interna e externa ainda enfraquecida tem contribuído para a manutenção dos preços em baixa.
Com o aumento da disponibilidade de pluma e a queda na paridade de exportação, o mercado doméstico opera no menor nível de preço dos últimos cinco anos, reforçando o cenário de pressão sobre o setor.
Safra 2024/25 deve elevar estoques e manter preços baixos
A safra 2024/25 deverá ampliar ainda mais os estoques de algodão no Brasil. Segundo o relatório, o aumento da área plantada e a alta produtividade devem elevar o estoque final para cerca de 3 milhões de toneladas.
Esse excedente deve continuar pressionando o basis (diferença entre os preços internos e externos) da pluma brasileira, principalmente em um cenário de demanda global estagnada.
USDA projeta maior produção global de algodão
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima suas projeções de produção mundial de algodão. A safra americana 2025/26 foi estimada em 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 200 mil toneladas em relação a setembro, impulsionada por ganhos de produtividade.
Mesmo com o ajuste positivo nas exportações, para 2,7 milhões de toneladas, os estoques dos EUA subiram para 940 mil toneladas, levando o USDA a reduzir o preço médio esperado da safra para US$ 0,62/lb, dois centavos abaixo da estimativa anterior.
A produção global também foi revisada para cima:
- China: +200 mil toneladas;
- Brasil: +100 mil toneladas;
- Exportações brasileiras: 3,2 milhões de toneladas;
- Consumo mundial: mantido em 25,9 milhões de toneladas;
- Estoques globais: em alta, chegando a 16,5 milhões de toneladas.
Crescimento global desacelera e pode afetar consumo têxtil
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o PIB mundial deve crescer 3,2% em 2025, mas desacelerar para 2,9% em 2026, devido aos efeitos de mudanças nas políticas comerciais.
Esse cenário de crescimento mais moderado tende a reduzir o consumo global de têxteis, o que pode gerar novas pressões sobre o mercado do algodão nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Zarc do milho é atualizado com nova classificação de solos e séries climáticas
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho grão foi atualizado. As portarias com os novos zoneamentos foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (10).
A atualização contempla revisão da classificação dos solos por capacidade de água disponível e atualização das séries históricas do clima. As alterações refletem, sobretudo, a crescente variabilidade climática e o aumento da frequência de ocorrência de eventos extremos nos últimos anos, como secas e excesso de chuvas.
Para o cálculo do risco são utilizadas séries de 30 anos de dados meteorológicos, incluindo temperaturas máxima, mínima e média, precipitação e evapotranspiração de referência. Também são considerados parâmetros relacionados à cultura e às características dos solos.
Classes de águas disponíveis
O estudo passa a utilizar seis classes de água disponível no solo, que variam de AD1 (baixa retenção) a AD6 (alta retenção de água), substituindo a classificação anteriormente baseada em três grupos de solos.
Segundo pesquisadores da Embrapa responsáveis pelos estudos do Zarc, a classificação por água disponível permite caracterizar de forma mais detalhada as condições dos diferentes ambientes de produção. A capacidade de armazenamento de água depende das características físicas do solo e não apenas de sua textura.
Base climática
A atualização também incorpora novos dados meteorológicos às séries históricas utilizadas nos estudos, incluindo informações de chuva e temperatura provenientes de um número ampliado de estações meteorológicas.
As informações são utilizadas na definição das épocas de semeadura com menor risco climático para a cultura, considerando as condições observadas nas diferentes regiões produtoras do país.
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