Agro
Mercado de milho mantém cautela com baixa liquidez e pressão cambial; preços recuam na B3
O mercado de milho no Brasil continua apresentando ritmo lento nas negociações, com baixa liquidez e movimentações pontuais. O cenário reflete o avanço da colheita da safra de verão e o início do plantio da segunda safra (safrinha), em meio a um ambiente de cautela tanto por parte de produtores quanto de compradores. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o foco tem sido o consumo interno e a gestão estratégica dos estoques.
Rio Grande do Sul: preços recuam com avanço da colheita
No Rio Grande do Sul, as indicações de preço variam entre R$ 54,00 e R$ 72,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos. O preço médio estadual apresentou queda de 0,89%, passando de R$ 59,34 para R$ 58,81 por saca.
A semeadura da safra 2025/26 está praticamente concluída, com 99% da área plantada, enquanto a colheita já alcança 68%, avanço expressivo frente aos 49% da semana anterior. Apesar de registros pontuais de cigarrinha-do-milho e de impactos em áreas mais tardias, as produtividades são consideradas satisfatórias.
Santa Catarina e Paraná registram impasses e variação regional
Em Santa Catarina, o mercado segue travado pela diferença entre pedidas e ofertas. Os vendedores pedem R$ 75,00 por saca, enquanto os compradores indicam valores próximos a R$ 65,00. A colheita já chega a 22% da área, com boa produtividade, mas os altos custos logísticos e a retenção de estoques limitam o avanço das negociações.
No Paraná, as vendas ocorrem em torno de R$ 70,00 por saca, com compradores oferecendo cerca de R$ 60,00 CIF. As cotações variam entre regiões, com destaque para Maringá (R$ 65,69) e Cascavel (R$ 51,81). A colheita da primeira safra atinge 25%, enquanto o plantio da safrinha está em 30%, ainda abaixo da média histórica.
Mato Grosso do Sul: pressão sobre preços e avanço da safrinha
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam de R$ 53,00 a R$ 55,00 por saca, pressionados pela oferta elevada e pela necessidade de liberar espaço nos armazéns. Mesmo com a demanda crescente do setor de bioenergia, as cotações seguem sob pressão. O plantio da safrinha avança lentamente, atingindo 19% da área.
B3: milho recua com câmbio e incertezas externas
Na B3 (Bolsa Brasileira de Futuros e Commodities), o milho encerrou a sessão com quedas nos principais contratos futuros, refletindo o fortalecimento do dólar frente ao real e as discussões sobre biocombustíveis nos Estados Unidos.
O contrato março/26 fechou a R$ 70,70 (-R$ 0,62), enquanto o maio/26 encerrou a R$ 70,29 (-R$ 0,56). Já o vencimento julho/26 teve leve alta de R$ 0,05, mas acumula perda semanal de R$ 0,14.
De acordo com a TF Agroeconômica, o atraso no plantio da safrinha, causado pelo excesso de chuvas no centro do país, tem impedido quedas mais acentuadas nos preços. Ainda assim, a colheita da safra de verão e a volatilidade cambial mantêm o mercado em alerta.
Chicago opera de forma mista com foco no clima e no etanol
Na Chicago Board of Trade (CBOT), o milho registrou variações moderadas. O contrato março/26 subiu 0,06%, a 427,75 centavos por bushel, enquanto o maio/26 recuou 0,40%, para 438,50 centavos.
O mercado acompanha a possível liberação permanente do uso do E-15 (etanol) nos Estados Unidos, além das chuvas na Argentina e do avanço do plantio no Brasil, fatores que podem alterar a oferta global nas próximas semanas.
Perspectivas: câmbio e clima seguirão no radar do mercado
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou levemente a estimativa de exportações de milho para fevereiro, mas analistas alertam que o fortalecimento do real pode reduzir a competitividade brasileira no curto prazo.
Com o avanço da colheita e o início da safrinha, o mercado deve continuar atento às condições climáticas e à oscilação cambial, fatores determinantes para as próximas movimentações de preço.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportações do Rio Grande do Sul somam US$ 4,4 bilhões no 1º trimestre de 2026, com destaque para carnes
As exportações do Rio Grande do Sul totalizaram US$ 4,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em termos nominais, o resultado representa o quarto maior valor da série histórica iniciada em 1997, evidenciando a relevância do estado no comércio exterior brasileiro.
Carnes impulsionam desempenho da pauta exportadora
Entre os principais produtos exportados, o destaque ficou para o segmento de proteínas animais e animais vivos.
As exportações de carne suína registraram crescimento expressivo de 49,6%, com incremento de US$ 75,8 milhões. Também apresentaram avanço:
- Vendas de bovinos e bubalinos vivos: alta de US$ 57,2 milhões;
- Carne bovina: aumento de US$ 33,7 milhões.
O desempenho positivo desses produtos contribuiu para amenizar as perdas em outros segmentos relevantes da pauta exportadora.
Exportações caem em relação a 2025
Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor total exportado pelo estado apresentou retração de 7,5%, o equivalente a uma queda de US$ 357,4 milhões.
O recuo foi influenciado principalmente pela redução nas vendas de produtos estratégicos:
- Soja em grão: queda de 77,0% (-US$ 188,3 milhões);
- Fumo não manufaturado: retração de US$ 172,9 milhões;
- Celulose: recuo de US$ 68,1 milhões;
- Polímeros de etileno: diminuição de US$ 45,5 milhões.
Estado mantém posição no ranking nacional
Apesar da retração no valor exportado, o Rio Grande do Sul manteve a sétima colocação entre os principais estados exportadores do país.
O estado ficou atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará e Paraná. No entanto, houve redução na participação relativa, que passou de 6,2% para 5,3% no período analisado.
Diversificação de destinos marca exportações gaúchas
No primeiro trimestre de 2026, o Rio Grande do Sul exportou para 169 destinos, reforçando a diversificação de mercados.
Os principais compradores foram:
- União Europeia: 12,2% das exportações;
- China: 9,2%;
- Estados Unidos: 7,3%.
Entre os parceiros comerciais, a China apresentou a maior queda em termos absolutos, com retração de US$ 301,6 milhões, impactada pela redução nas compras de soja e fumo.
Os Estados Unidos também registraram recuo relevante (-US$ 148,7 milhões), influenciado principalmente pelos setores florestal e de armas e munições.
Egito e Filipinas ganham destaque nas compras
Em contrapartida, alguns mercados ampliaram significativamente suas importações de produtos gaúchos.
Destacam-se:
- Egito: aumento de US$ 105,1 milhões;
- Filipinas: alta de US$ 104,5 milhões.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelas vendas de cereais e carnes.
Cenário internacional pressiona comércio exterior
O desempenho das exportações do estado ocorre em meio a um ambiente global de incertezas.
As vendas para o Irã, que representaram 1,8% do total exportado, recuaram 5,5% no período, refletindo impactos de sanções econômicas e restrições financeiras que historicamente afetam as relações comerciais com o país.
No caso dos Estados Unidos, a queda de 31,9% nas exportações foi superior à média geral do estado. O resultado está ligado, entre outros fatores, ao desempenho do setor de armas e munições, sensível a mudanças regulatórias e tarifárias.
Perspectivas indicam cenário desafiador
Apesar do bom desempenho de segmentos como o de carnes, a retração em produtos-chave como soja e celulose evidencia os desafios enfrentados pelo estado no comércio internacional.
O cenário para os próximos meses seguirá condicionado à demanda global, às condições de mercado e ao ambiente geopolítico, fatores que devem continuar influenciando o desempenho das exportações gaúchas ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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