Brasil
MCTI relança ProÁfrica com investimento de R$ 25 milhões durante Seminário Brasil-África 2026
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) relançou, nesta segunda-feira (25), o Programa de Cooperação Afro-Brasileira em Ciência e Tecnologia (ProÁfrica), durante a abertura do Seminário Brasil-África 2026, no Palácio Itamaraty, em Brasília (DF). A nova chamada pública contará com investimento de R$ 25 milhões, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
A iniciativa, executada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao MCTI, marca a retomada do programa após mais de uma década sem novos editais. Criada em 2005, a iniciativa funcionou ativamente até 2011 e agora volta como uma das principais estratégias do Governo do Brasil para fortalecer a cooperação científica e tecnológica com países africanos.
Durante o evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que o relançamento do programa reforça o compromisso do governo brasileiro com a cooperação Sul-Sul e com o desenvolvimento conjunto de soluções inovadoras. “Reafirmamos, por meio do ProÁfrica, que a ciência não deve ser apenas um exercício intelectual, mas um instrumento de transformação social, econômica e ambiental, que responde às necessidades dos nossos povos”, afirmou a ministra.
A ministra reforçou ainda que o fortalecimento das ações internacionais em ciência e tecnologia foi possível graças à retomada dos investimentos no setor. “Quero ressaltar a relevância da decisão do presidente Lula de descontingenciar integralmente os recursos da principal fonte de financiamento da ciência, tecnologia e inovação brasileira, que permite que tenhamos também ações internacionais estratégicas”, disse.
A nova chamada pública do ProÁfrica apoiará projetos desenvolvidos em parceria entre instituições brasileiras e africanas, com foco na criação de redes temáticas de pesquisa, mobilidade de pesquisadores, formação de recursos humanos e desenvolvimento de tecnologias aplicadas às demandas dos dois territórios.
Os projetos serão estruturados em seis eixos temáticos estratégicos: meio ambiente e sustentabilidade; alimentação e agricultura; energia e recursos naturais; saúde; tecnologias emergentes, como inteligência artificial e biotecnologia; além de ciências humanas e patrimônio cultural. O programa integra a política do Governo do Brasil de fortalecimento do multilateralismo e da cooperação com países do Sul Global. Ela também destacou a ampliação das parcerias em ciência, tecnologia e inovação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e dos Brics.
O Seminário Brasil-África 2026 reuniu representantes do governo brasileiro, embaixadores africanos, pesquisadores e reitores de universidades dos dois continentes em uma agenda voltada ao fortalecimento das relações bilaterais e da cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação.
Brasil
MTE aprova Fluxo Nacional de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas de Exploração Sexual
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (CONAETI), aprovou o Fluxo Nacional de Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas de Exploração Sexual. A medida foi oficializada pela Resolução CONAETI/MTE nº 8, de 18 de maio de 2026, publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (25).
O fluxo foi aprovado em reunião extraordinária da CONAETI, realizada em 7 de maio de 2026. Ele tem como objetivo garantir um atendimento especializado, humanizado e integrado a crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual, fortalecendo a atuação conjunta dos diferentes órgãos e instituições envolvidos no enfrentamento dessa violação.
A resolução reconhece a exploração sexual de crianças e adolescentes como uma das piores formas de trabalho infantil, conforme a Convenção nº 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Decreto nº 6.481/2008. O documento define orientações para a denúncia, a comunicação e o acionamento dos órgãos competentes, além do acolhimento, da proteção das vítimas e da responsabilização dos autores dessa violação.
A aprovação do fluxo, na prática, corresponde à implementação de um instrumento que define a exploração sexual como o uso de crianças e adolescentes para fins sexuais mediante qualquer forma de compensação, financeira ou não, inclusive em ambientes virtuais. Entre as situações previstas estão a exploração mediada por terceiros, o tráfico para fins sexuais, a produção de material pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, o turismo sexual e a exploração em rodovias, grandes obras e espaços públicos.
A normativa também reforça que o consentimento da vítima não descaracteriza a exploração sexual, por se tratar de violação de direitos marcada pela vulnerabilidade e pelo vício de consentimento.
O atendimento previsto pelo fluxo está estruturado em três etapas principais: notícia de fato ou denúncia; comunicação e acionamento dos órgãos competentes; e proteção da vítima, com responsabilização administrativa, criminal e trabalhista dos envolvidos.
As denúncias poderão ser realizadas por qualquer pessoa aos órgãos competentes, como Conselhos Tutelares, Auditoria-Fiscal do Trabalho, órgãos de segurança pública e canais oficiais, entre eles o Disque 100 e os sistemas Ipê Trabalho Infantil e Ipê Trabalho Escravo.
Entre as atribuições previstas para a Auditoria-Fiscal do Trabalho estão a realização de ações fiscais articuladas com órgãos de segurança pública, a verificação de irregularidades trabalhistas, a adoção de medidas de proteção e o encaminhamento de crianças e adolescentes para programas de aprendizagem profissional, observada a idade mínima legal.
O fluxo de atendimento também estabelece princípios fundamentais, como prioridade absoluta, proteção integral, celeridade, não revitimização, respeito à dignidade, preservação da identidade e garantia de escuta especializada e humanizada.
A resolução prevê ainda a atuação integrada de órgãos e instituições como Conselho Tutelar, Ministério Público, Defensoria Pública, Sistema Único de Saúde (SUS), Sistema Único de Assistência Social (SUAS), escolas, polícias e demais integrantes da rede de proteção.
A implementação do fluxo deverá ocorrer de forma articulada entre União, estados, Distrito Federal e municípios, respeitando as especificidades regionais e evitando a sobreposição de ações e a revitimização de crianças e adolescentes.
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