Connect with us


Agro

Mapa atualiza zoneamento agrícola de risco climático para girassol

Publicado em

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, nesta quinta-feira (7), as Portarias com a versão aprimorada do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do girassol no Brasil, que passa a considerar seis classes de água disponível no solo.

“O Zarc é uma ferramenta de análise do risco derivado da variabilidade climática e que considera as características da cultura e do solo. Para o aprimoramento do Zarc, empregamos novas metodologias e parâmetros, além de uma base de dados climáticos atualizada, com novos fatores de risco considerados, associando questões hídricas, térmicas e fitossanitárias”, explica o pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja.

Farias explica que, para o girassol, foram definidas as áreas e os períodos de semeadura para o cultivo da planta com probabilidades de perdas de rendimento inferiores a 20%, 30% e 40%, devido à ocorrência de eventos meteorológicos adversos. “Porém, é importante ressaltar que o Zarc não estabelece os períodos e locais de semeadura com maior probabilidade de obtenção dos maiores rendimentos”, enfatiza o pesquisador.

A nova metodologia de abordagem dos riscos associados à água disponível no solo, de acordo com Farias, passa a adotar seis classes de água disponível, e não mais apenas três tipos de solo. O pesquisador afirma que a água disponível será estimada para o solo de cada área de produção, a partir dos teores de silte, areia e argila, por meio do uso de uma equação (função de pedotransferência) ajustada para os distintos solos brasileiros. “Além disso, o Zarc Girassol 6ADs já estará pronto para incorporar, no futuro, o efeito de diferentes níveis de manejo do solo e dos sistemas produtivos a serem associados ao risco climático nos futuros trabalhos de zoneamento”, adianta Farias.

Para o pesquisador, o aprimoramento da metodologia do Zarc Girassol garante maior representatividade da realidade atual, uma vez que os resultados obtidos foram validados em reuniões realizadas com os principais atores da cadeia produtiva do girassol, em novembro de 2025. “Nossa proposta é minimizar os riscos e possibilitar maior estabilidade da produção e da renda para o produtor, o que é estratégico para a manutenção e garantia da capacidade produtiva brasileira”, explica o pesquisador.

Leia mais:  Indústria brasileira do agro encontra oportunidades estratégicas no mercado dos Estados Unidos

CARACTERÍSTICAS DO GIRASSOL

O girassol é pouco influenciado pelas variações de latitude e altitude, apresenta tolerância a baixas temperaturas e é relativamente resistente à seca. Com relação às necessidades hídricas da cultura, Farias afirma que o ideal seria em torno de 500 a 700 mm de água disponível, bem distribuídos ao longo do ciclo. “As fases mais sensíveis ao déficit hídrico ocorrem durante a semeadura e a emergência das plantas e, principalmente, do início da formação do capítulo ao começo da floração, seguida da formação e enchimento de grãos”, destaca Farias.

Outro fator considerado como parâmetro no Zarc foi a associação das condições climáticas ao risco fitossanitário, uma vez que o clima pode favorecer – ou não – o desenvolvimento de importantes doenças de difícil controle. A podridão branca, causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, por exemplo, está associada a condições frias e úmidas. Por outro lado, a mancha de alternaria, causada pelo fungo Alternaria helianthi, decorre de altas temperaturas e chuvas excessivas. “Nosso estudo procurou, também, delimitar as áreas e identificar os períodos de menor risco climático para a ocorrência de problemas fitossanitários e, assim, favorecer a exploração da cultura do girassol no Brasil”, destaca.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a área cultivada no Brasil no ano-safra 2025/2026 seja pouco superior a 63 mil hectares, concentrando-se principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. “Apesar dos diversos usos do girassol e do potencial da cultura como componente de sistemas de produção diversificados e rentáveis, a variabilidade na disponibilidade hídrica e as condições térmicas são as principais limitações à expressão do potencial de rendimento do girassol no Brasil”, explica o pesquisador.

Leia mais:  Consumo de vinho bate recorde no Brasil e cresce 41,9% em 2025; especialistas destacam benefícios à saúde

BASE DE DADOS

A base de dados meteorológicos utilizada na atualização do Zarc é composta por séries históricas de aproximadamente 30 anos, amplamente revisadas, consistidas e atualizadas para períodos mais recentes, obtidas a partir das redes de estações meteorológicas e pluviométricas – convencionais e automáticas – de diversas instituições. “As séries de chuva reunidas, com dados a partir de 1993, passaram por testes de homogeneidade e análise de consistência e contemplam cerca de 4.200 pontos distribuídos no território nacional”, explica Farias.

ZARC E POLÍTICAS PÚBLICAS

Desde 1996, o Zarc é adotado pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). As recomendações do Zarc são utilizadas pelo Proagro e pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em mais de 40 culturas.

De acordo com Farias, o Brasil perde cerca de R$ 11 bilhões por ano devido a riscos extremos, em sua maioria decorrentes de adversidades climáticas, como deficiência hídrica (seca e veranico), temperaturas muito baixas (geada), chuva na colheita, doenças favorecidas pelas condições climáticas, temperaturas muito altas, excesso de chuva, granizo e vendavais. A nova versão do Zarc para o girassol busca aproximar melhor os riscos da realidade de campo e contribuir para a redução de perdas, além da racionalização do crédito e do seguro agrícola.

ACESSO AO ZARC

O acesso à ferramenta pode ser feito por meio da plataforma “Painel de Indicação de Riscos” no site do Mapa. Os resultados do Zarc também podem ser consultados através do aplicativo móvel Zarc Plantio Certo, que está disponível nas lojas de aplicativos iOS e Android.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Comentários Facebook

Agro

Plantio da soja começa no Brasil sob risco de El Niño muito forte

Published

on

O plantio da soja 2026/27 começou de forma pontual no Brasil sob o risco de chuvas irregulares no Centro-Norte e excesso de umidade na Região Sul. Mato Grosso e Paraná já possuem áreas semeadas, enquanto os demais Estados entrarão gradualmente no campo entre setembro e dezembro, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O início da safra coincide com o fortalecimento do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula em mais de 90% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta 90% de chance de intensidade muito forte entre setembro e novembro.

A previsão não significa que todo o país terá falta de chuva. O efeito esperado é diferente em cada região. No Centro-Oeste, no Matopiba e em parte do Norte e do Sudeste, a preocupação está na demora para a regularização das precipitações, nas temperaturas elevadas e na ocorrência de veranicos. No Sul, o principal risco é o excesso de chuva, que pode encharcar o solo, impedir a entrada das máquinas e favorecer doenças.

Mato Grosso abriu o calendário de semeadura em 7 de setembro. As primeiras áreas foram plantadas principalmente em Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Brasnorte e outros municípios do oeste que receberam volumes mais expressivos de chuva. Também há trabalhos em áreas irrigadas.

O avanço ainda é inferior a 1% dos aproximadamente 13 milhões de hectares previstos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A expectativa é de que a semeadura ganhe força somente na primeira quinzena de outubro, quando as chuvas deverão estar mais bem distribuídas.

O problema é que as precipitações registradas até agora são muito localizadas. Enquanto algumas propriedades receberam volume suficiente para acumular água, áreas situadas a poucos quilômetros continuaram secas. Plantar após uma chuva isolada, sem umidade adequada nas camadas mais profundas do solo, aumenta o risco de falhas na germinação, perda de sementes e necessidade de replantio.

A pressa em Mato Grosso está ligada à soja, mas também ao milho e ao algodão cultivados depois da oleaginosa. Quanto mais cedo a soja for colhida, maior será a possibilidade de instalar a segunda safra dentro da janela de menor risco climático. O produtor tenta evitar que o milho e o algodão atravessem o período reprodutivo quando as chuvas já estiverem diminuindo.

Leia mais:  Exportações de café do Vietnã crescem quase 13% em agosto, aponta governo

O Imea projeta produção próxima de 49 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso. Apesar do pequeno aumento de área, a estimativa considera redução de 5,4% na produtividade média em relação à temporada anterior. O Estado também já comercializou antecipadamente cerca de 39% da nova safra, acima da média histórica de 30,55% para o período, o que aumenta a necessidade de compatibilizar contratos de venda com o volume que poderá ser efetivamente colhido.

No Paraná, o plantio começou no Norte, Noroeste e Oeste, onde a semeadura está autorizada desde 1º de setembro. Até o levantamento mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aproximadamente 81 mil hectares haviam sido plantados, o equivalente a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para o Estado.

O Sudoeste paranaense foi liberado para plantar em 11 de setembro. Nos municípios mais ao sul, a autorização começa em 20 de setembro. A umidade disponível pode favorecer a emergência da soja, mas chuvas persistentes aumentam o risco de interrupções, compactação, erosão, doenças fúngicas e replantio. O excesso de precipitação também pode atrasar a colheita do trigo e, consequentemente, a entrada da soja nas mesmas áreas.

Rondônia e Amazonas estão autorizados a plantar desde sexta-feira (11), embora ainda não tenham divulgado avanço significativo da semeadura. Em São Paulo, o calendário começou em 1º de setembro na primeira região produtiva, será aberto neste domingo (13) na segunda e chegará à terceira região no dia 16.

Mato Grosso do Sul poderá iniciar o plantio na quarta-feira (16). No mesmo dia, a semeadura será liberada no sul do Pará. O Acre entra no calendário em 21 de setembro, parte de Santa Catarina no dia 22, Goiás no dia 25 e o Rio de Janeiro no dia 29.

Em 30 de setembro, começa a primeira janela do Piauí. Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Tocantins poderão plantar a partir de 1º de outubro. A mesma data vale para o sul do Maranhão, incluindo Balsas e outros importantes municípios produtores.

No oeste da Bahia, onde estão Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, Formosa do Rio Preto e São Desidério, o calendário começa em 8 de outubro. Outras regiões de Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Paraná, Santa Catarina e São Paulo possuem datas próprias, definidas conforme o clima e o histórico da ferrugem-asiática.

Leia mais:  Exportações de carne bovina desaceleram em volume em março, mas receita cresce com valorização internacional

Alagoas, Amapá, Ceará e Roraima têm calendários mais tardios, com início da semeadura somente em 2027. Por isso, essas áreas não participam da atual largada da safra nacional.

As datas indicam apenas quando a semeadura é permitida do ponto de vista fitossanitário. Elas não significam que o solo já tenha umidade suficiente nem substituem as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A decisão de plantar depende das condições de cada propriedade e da previsão de continuidade das chuvas.

No Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, o maior perigo é uma precipitação antecipada estimular a semeadura e ser seguida por vários dias de calor e tempo seco. Além de prejudicar a formação inicial da lavoura, um veranico pode obrigar o produtor a repetir operações e elevar os gastos com sementes, combustível, máquinas e mão de obra.

Caso as chuvas demorem a se regularizar, o problema será transferido para a segunda safra. O atraso na colheita da soja reduz o tempo disponível para o milho e o algodão, enquanto uma interrupção antecipada das chuvas pode atingir essas culturas durante fases de maior necessidade de água.

No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, o El Niño tende a aumentar a disponibilidade hídrica, mas chuvas frequentes podem produzir o efeito contrário ao desejado. Solo saturado, dificuldade de pulverização, menor luminosidade e aumento da pressão de doenças podem limitar o potencial das lavouras mesmo sem falta de água.

Uma simulação apresentada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria EY, calcula que um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015 poderia retirar até 12 milhões de toneladas da safra brasileira. O número representa cerca de 6,5% das 186 milhões de toneladas projetadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o país.

A estimativa de perda não é uma previsão consolidada, mas uma simulação de risco. O resultado final dependerá da distribuição das chuvas, das temperaturas, da duração dos veranicos e do manejo adotado em cada região. Em uma safra marcada por extremos opostos, o principal desafio não será apenas saber quanto vai chover, mas onde, quando e com que regularidade essa chuva chegará.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262