Brasil
Inaep inicia grupo de trabalho para fortalecer a proteção de participantes de pesquisas em ciências humanas e sociais
A Instância Nacional em Ética em Pesquisa (Inaep), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, iniciou neste mês as atividades do Grupo de Trabalho sobre as Especificidades das Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais (GT CHS). A comissão será responsável por propor diretrizes para regulamentar a proteção das pessoas que participam de estudos nessa área. A medida fortalece o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (Sinep).
O GT reúne representantes das cinco regiões brasileiras e sua formação considerou critérios como o equilíbrio de gênero, a diversidade étnico-racial e a participação de diferentes áreas do conhecimento.
“Essa composição amplia a pluralidade de perspectivas e contribui para a formulação de propostas que reconheçam as múltiplas realidades da pesquisa em Ciências Humanas e Sociais no país”, avaliou a coordenadora da Inaep, Meiruze Freitas.
Ainda segundo a coordenadora, as pesquisas em ciências humanas têm características próprias, o que exige um olhar atento às formas de coletar e publicar os dados. O cuidado, avaliou, é necessário para respeitar a autonomia das pessoas, garantir sua privacidade e avaliar como os resultados podem afetar quem participou e a comunidade ao redor.
“Reconhecer essas particularidades é fundamental para orientar uma avaliação ética proporcional aos riscos e sensível à diversidade metodológica, inclusive em pesquisas nas quais os procedimentos e as relações de campo se desenvolvem ao longo da investigação”, completou.
Com prazo de atuação de 180 dias, as discussões do GT também priorizarão o reconhecimento de diferentes métodos de pesquisa, a adequação de abordagens aos contextos sociais e o aprimoramento contínuo dos procedimentos de avaliação ética.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Brasil
Ministério da Saúde reúne equipes estaduais em encontro nacional de vigilância das doenças de transmissão hídrica e alimentar
O Ministério da Saúde (MS) realiza, de 14 a 17 de setembro, em Brasília (DF), a Reunião Nacional de Vigilância Epidemiológica das Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (VE-DTHA). Promovido pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), o encontro reúne responsáveis técnicos das Secretarias Estaduais de Saúde (SES) que atuam na vigilância epidemiológica das doenças de transmissão hídrica e alimentar no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa é um espaço de atualização técnica, troca de experiências e alinhamento operacional para o aprimoramento das ações de vigilância, prevenção e resposta às DTHA no Brasil. Organizada pelo Departamento de Doenças Transmissíveis (DEDT), a programação de quatro dias abrange temas relacionados a doenças e surtos, estratégias de investigação, diagnóstico laboratorial, mudanças climáticas, mobilidade humana e gestão do hipoclorito de sódio a 2,5%.
Na abertura do evento, a secretária adjunta da SVSA, Marília Santini, destacou a relevância do alinhamento de ações em todo o território nacional. “Essa é uma iniciativa muito importante para fortalecer a atuação coordenada das equipes de vigilância em saúde e ampliar a capacidade técnica dos estados na identificação, investigação e resposta às doenças de transmissão hídrica e alimentar. O encontro contribui tecnicamente, por meio da análise de dados, da apresentação de estudos e do embasamento científico, para o alinhamento das estratégias e o aprimoramento das ações de saúde pública relacionadas a essa temática em todo o país”, declarou.
Participam representantes de diferentes instituições e áreas técnicas, incluindo as secretarias de Saúde Indígena; Ciência, Tecnologia e Inovação e Complexo-Econômico da Saúde (Sesai e Sectics) do Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Instituto Adolfo Lutz (IAL), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de universidades e SES.
Prevenção, vigilância, investigação e Uma Só Saúde
O cronograma de palestras aborda doenças como cólera, doenças diarreicas agudas (DDA), toxoplasmose, rotavírus, doença de Haff, ciguatera e botulismo. Também estão em pauta discussões sobre segurança dos alimentos e a abordagem de “Uma Só Saúde”, com participação de diferentes áreas e instituições envolvidas na vigilância e prevenção das infecções e intoxicações causadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados.
Entre os temas trabalhados estão a preparação, detecção e resposta à cólera, o panorama e os desafios da vigilância das doenças diarreicas agudas, os desafios diagnósticos relacionados a agentes emergentes e subestimados, e o fortalecimento da vigilância da toxoplasmose. Os debates incluem estratégias integradas para a vigilância epidemiológica do rotavírus e discussões sobre o calendário vacinal da doença.
Outro eixo do encontro é a gestão do hipoclorito de sódio a 2,5%, com discussão sobre o papel da vigilância epidemiológica, os processos de aquisição e os desafios para garantir o insumo como estratégia de proteção à saúde. Trata-se de uma solução desinfetante e antisséptica usada para purificar água para ingestão, distribuída pelo MS nos postos de saúde.
A reunião dedica espaço à qualificação das equipes para investigação de surtos de DTHA. Atividades técnicas interativas e dinâmicas em grupo abordam situações de aumento de casos de doenças diarreicas agudas e os procedimentos para investigação de surtos, aproximando a discussão técnica das situações enfrentadas pelas equipes de vigilância nos territórios.
Clima e eventos extremos
As mudanças climáticas e os eventos extremos integram o cronograma de palestras, com debates sobre sinais de alerta climáticos e ambientais que podem subsidiar a atuação oportuna da vigilância epidemiológica. Serão discutidos planos de contingência, mobilidade humana, vulnerabilidades e estratégias específicas para o enfrentamento das DTHA e DDA em diferentes contextos, incluindo populações indígenas.
No último dia de reunião, a programação abordará doenças relacionadas ao consumo de pescado, com destaque para a doença de Haff e a ciguatera, além de experiências de vigilância epidemiológica desenvolvidas nos estados do Amazonas, Pará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Serão apresentadas ações de articulação interinstitucional, envolvendo a rede laboratorial, a Anvisa e o Mapa na investigação de surtos e na prevenção das DTHA.
O encerramento do encontro contará com uma sessão dedicada às estratégias integradas de vigilância epidemiológica do botulismo no Brasil, incluindo aspectos do cenário epidemiológico, diagnóstico laboratorial e notificação de eventos adversos relacionados ao uso da toxina botulínica.
Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar
As DTHA são causadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados por bactérias e suas toxinas, vírus, parasitas ou substâncias químicas. Existem mais de 250 tipos de DTHA no mundo, com manifestações que podem variar conforme o agente envolvido, sendo náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e febre alguns dos sintomas mais comuns. A ocorrência de casos acima do esperado para determinado período e território pode indicar um surto e deve ser investigada pelas equipes de vigilância epidemiológica.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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