Agro
Importação de fertilizantes ultrapassa 5,6 milhões de toneladas em março e reforça ritmo do agro brasileiro
O volume de fertilizantes importados pelo Brasil segue elevado em março, refletindo a demanda do agronegócio e o planejamento antecipado das safras. Levantamento da agência marítima Williams Brasil aponta intensa movimentação nos principais portos do país.
Volume programado supera 5,6 milhões de toneladas
De acordo com os dados, está agendada a importação de 5,629 milhões de toneladas de fertilizantes no período de 1º a 23 de março. O volume evidencia o ritmo acelerado das compras externas, fundamentais para garantir o abastecimento do setor agrícola.
Porto de Santos lidera recebimentos
O porto de Santos (SP) concentra a maior parte das operações, com previsão de desembarque de 1,668 milhão de toneladas. A estrutura e a capacidade logística mantêm o terminal como principal porta de entrada de fertilizantes no país.
Paranaguá aparece como segundo principal destino
Na sequência, o porto de Paranaguá (PR) registra movimentação relevante, com 1,170 milhão de toneladas programadas para descarga. O terminal segue como um dos principais corredores de importação de insumos agrícolas no Brasil.
Line-up considera navios ancorados e previstos até maio
O relatório da Williams Brasil leva em conta diferentes estágios das embarcações: navios já ancorados, aqueles que aguardam atracação ao largo e também os com previsão de chegada até 25 de maio de 2026.
Esse acompanhamento detalhado do line-up oferece uma visão mais ampla do fluxo logístico e da oferta futura de fertilizantes no mercado brasileiro.
Logística portuária segue estratégica para o agronegócio
A forte movimentação reforça a importância da infraestrutura portuária para o abastecimento do agronegócio. Com alta dependência de insumos importados, a eficiência logística é essencial para evitar impactos nos custos de produção e no calendário das lavouras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Monitoramento via satélite passa a ser exigência para exportações do agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com um resultado histórico nas exportações. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o setor alcançou US$ 169,2 bilhões em vendas externas, consolidando sua posição como um dos principais motores da economia nacional.
Entretanto, a manutenção desse desempenho em mercados estratégicos, especialmente na União Europeia, dependerá da capacidade das cadeias produtivas de se adequarem às novas exigências internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade.
A partir de 30 de dezembro deste ano, entra em vigor para grandes operadores o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), legislação que exigirá comprovação técnica de que produtos agrícolas comercializados no bloco não estão associados a áreas desmatadas.
Entre as cadeias mais impactadas estão as de soja e carne bovina, segmentos que possuem grande relevância na pauta exportadora brasileira e que contam com estruturas complexas de fornecimento.
Rastreabilidade digital será obrigatória
Segundo Diogo Bochnia Zuliani, professor do curso de Agronegócio da EAD UniCesumar, a nova regulamentação representa uma mudança significativa nos processos de fiscalização e validação da origem dos produtos.
Atualmente, a comprovação de conformidade é baseada em documentos como Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias presenciais. Com a nova norma, a validação passará a exigir evidências digitais associadas à localização exata das propriedades rurais.
“Exportadores de commodities como carne bovina e soja precisarão apresentar provas técnicas e georreferenciadas da origem de seus produtos. Sem uma rastreabilidade robusta, os produtos poderão ser classificados como de risco, comprometendo o acesso ao mercado europeu”, explica o especialista.
O novo modelo prevê o cruzamento de coordenadas geográficas das propriedades com imagens de satélite e bases de dados ambientais. Além disso, toda a movimentação da produção deverá manter um vínculo documental e digital contínuo desde a fazenda até a exportação.
“Na prática, a geolocalização da área produtiva será confrontada com mapas de cobertura florestal e imagens de monitoramento ambiental. A carga precisará manter uma trilha digital completa ao longo de toda a cadeia logística”, detalha Zuliani.
Brasil possui estrutura para atender às exigências
Apesar dos desafios, especialistas avaliam que o Brasil possui condições técnicas para atender às novas demandas internacionais.
Um estudo realizado em maio de 2026 por universidades norte-americanas, por meio da ferramenta Fields of the World, demonstrou que sistemas de inteligência artificial foram capazes de identificar corretamente 97% das áreas agrícolas brasileiras utilizando dados espaciais e monitoramento remoto.
O resultado reforça a capacidade do país de implementar sistemas de rastreabilidade em larga escala, utilizando tecnologias já disponíveis no mercado.
Além do monitoramento via satélite, ferramentas de inteligência artificial, geoprocessamento e integração de bancos de dados têm ampliado a precisão das informações utilizadas para comprovação da origem da produção agropecuária.
Sustentabilidade se transforma em vantagem competitiva
Para grandes produtores e empresas exportadoras, o processo de adequação já está em andamento. No caso dos pequenos produtores, a implementação dependerá de maior suporte técnico, assistência especializada e atuação das cooperativas para organização das informações exigidas.
Segundo Zuliani, a principal função da tecnologia não é apenas atender às exigências regulatórias, mas proteger os produtores que atuam dentro da legalidade.
“O papel mais estratégico da tecnologia é separar o produtor regular daquele que insere na cadeia produtos de origem duvidosa. A rastreabilidade fortalece a transparência e protege quem produz de forma responsável”, afirma.
Na avaliação do especialista, a integração entre dados públicos, monitoramento ambiental e plataformas digitais pode transformar a sustentabilidade em um diferencial competitivo para o agronegócio brasileiro.
“A garantia de origem transforma a sustentabilidade em uma evidência verificável. Se o Brasil utilizar a integração de dados e o monitoramento ambiental como estratégia nacional, poderá demonstrar ao mercado internacional que produz em escala, com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. Mais do que uma exigência regulatória, essa conformidade tende a se consolidar como uma vantagem competitiva para as exportações brasileiras”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
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