Agro
IAC orienta produtores rurais para enfrentar alta dos fertilizantes e reforçar eficiência no campo
A escalada nos preços dos fertilizantes, impulsionada por tensões geopolíticas e pela instabilidade nas cadeias globais de suprimento, acende um alerta para o agronegócio brasileiro. Com projeções de novos recordes de preços, produtores rurais precisam adotar estratégias mais eficientes para garantir rentabilidade e sustentabilidade das lavouras.
Diante desse cenário, o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas (SP), vinculado à APTA da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, divulgou recomendações técnicas voltadas ao uso racional de insumos e à melhoria da eficiência produtiva no campo.
Uso eficiente de fertilizantes é prioridade em cenário de crise global
Segundo o pesquisador da área de solos e vice-coordenador do IAC, Heitor Cantarella, o momento exige decisões mais técnicas e estratégicas dentro da porteira.
“Nosso objetivo é orientar os agricultores diante da provável alta dos fertilizantes, resultado de conflitos internacionais que afetam rotas logísticas e a própria produção de insumos”, explica o especialista.
O cenário é agravado pela dependência brasileira: cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no país são importados, muitos deles transportados por rotas estratégicas afetadas por instabilidades geopolíticas.
3 recomendações do IAC para reduzir custos e aumentar eficiência no campo
O Instituto Agronômico destaca três medidas centrais que podem ajudar o produtor rural a enfrentar o aumento dos custos sem comprometer a produtividade.
1. Análise de solo como base da adubação racional
A primeira orientação é a realização de análise de solo detalhada. A prática permite identificar com precisão as necessidades nutricionais da área, evitando desperdícios e aplicações desnecessárias.
Com base nesse diagnóstico, o produtor consegue aplicar o fertilizante correto, na dose adequada e no local apropriado, otimizando o investimento.
2. Calagem melhora aproveitamento dos nutrientes e reduz custos
A segunda recomendação é a adoção da calagem, prática que corrige a acidez do solo e melhora a eficiência da adubação.
O calcário, insumo abundante e de produção nacional, contribui para:
-
- Correção da acidez do solo
- Neutralização da toxidez por alumínio
- Maior desenvolvimento radicular das plantas
- Aumento da disponibilidade de fósforo e outros nutrientes
- Fornecimento de cálcio e magnésio
Além dos benefícios agronômicos, a calagem apresenta custo relativamente baixo quando comparada aos fertilizantes importados, tornando-se uma alternativa estratégica em períodos de alta nos insumos.
3. Boas práticas agrícolas e conceito 4C de manejo
O IAC também reforça a importância da adoção das boas práticas agrícolas, baseadas no conceito conhecido como 4C:
-
- Dose certa
- Fonte certa
- Época certa
- Local certo
Esses princípios são fundamentais para aumentar a eficiência do uso de fertilizantes e evitar perdas econômicas.
Além disso, o instituto destaca a importância da economia circular no campo, com o aproveitamento de resíduos orgânicos como estercos e compostos produzidos na própria propriedade.
Cenário internacional pressiona preços e amplia incertezas
A instabilidade no mercado global de fertilizantes tem impacto direto sobre o Brasil. A guerra entre Estados Unidos e Irã afetou rotas comerciais estratégicas e elevou custos logísticos e de produção.
Um dos principais pontos críticos é o Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte de petróleo e matérias-primas usadas na produção de fertilizantes nitrogenados.
De acordo com o IAC, o preço do enxofre — insumo fundamental para fertilizantes fosfatados — já registrou altas entre 300% e 400% desde o início do conflito.
Impactos podem atingir cadeia produtiva e inflação
A elevação dos custos de produção gera efeitos em cadeia. Caso o aumento seja repassado ao consumidor, há risco de pressão inflacionária. Por outro lado, se o produtor não conseguir repassar os custos, a rentabilidade da atividade agrícola pode ser comprometida, ampliando o endividamento no campo.
Outro fator de preocupação é o momento de baixa nos preços das commodities agrícolas, o que reduz ainda mais as margens do produtor rural.
IAC reforça papel estratégico da pesquisa no apoio ao produtor
Para o Instituto Agronômico, o cenário atual reforça a importância da pesquisa aplicada na agricultura.
Segundo Cantarella, instituições como o IAC têm papel fundamental ao traduzir conhecimento técnico em soluções práticas para o campo, especialmente em momentos de instabilidade global.
“O uso de tecnologias já consolidadas é essencial para orientar o produtor e ajudá-lo a atravessar períodos de crise com maior segurança”, destaca o pesquisador.
Conclusão
Em meio à volatilidade dos preços dos fertilizantes e às incertezas do mercado internacional, o IAC reforça que eficiência agronômica, manejo adequado do solo e uso racional de insumos são os principais caminhos para manter a competitividade da agricultura brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Custos de produção se estabilizam, mas queda nos preços recebidos reduz rentabilidade do agro gaúcho
O agronegócio do Rio Grande do Sul enfrentou um cenário desafiador em maio de 2026. Apesar da estabilidade nos custos de produção, a queda nos preços recebidos pelos produtores rurais voltou a pressionar a rentabilidade das atividades agropecuárias, ampliando a preocupação do setor com as margens de lucro ao longo do ano.
Dados divulgados pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul mostram que o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou variação positiva de apenas 0,04% no mês, refletindo um ambiente de relativa estabilidade para os custos da atividade rural.
Por outro lado, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) apresentou retração de 1,98%, interrompendo a trajetória de recuperação observada nos meses anteriores e reduzindo a receita gerada pelas principais cadeias produtivas do estado.
Queda do dólar e do diesel ajudou a conter os custos
Segundo a Farsul, a estabilidade dos custos foi favorecida principalmente pela valorização do real frente ao dólar, fator que reduziu os preços de insumos importados amplamente utilizados no campo, como fertilizantes e defensivos agrícolas.
Além disso, a redução nos preços do diesel contribuiu para aliviar despesas relacionadas ao transporte, operações mecanizadas e logística das propriedades rurais.
Apesar do resultado praticamente estável em maio, os indicadores apontam que a pressão sobre os custos voltou a ganhar força ao longo dos últimos meses.
No acumulado de 12 meses, o IICP registra alta de 3,11%, sinalizando uma reversão do cenário de deflação observado em parte de 2025. Já no acumulado de 2026, o avanço chega a 5,94%, impulsionado principalmente pelas elevações registradas entre março e abril.
Soja, arroz e suínos puxam queda da receita no campo
Enquanto os custos ficaram praticamente estáveis, a receita dos produtores sofreu novo recuo em maio.
A retração de 1,98% no IIPR foi influenciada principalmente pela desvalorização de importantes produtos da agropecuária gaúcha, entre eles soja, arroz e suínos.
Com o resultado, o índice acumula queda de 7,64% nos últimos 12 meses, demonstrando que os valores pagos ao produtor continuam inferiores aos registrados no mesmo período do ano anterior.
O desempenho reforça um dos principais desafios enfrentados pelo setor: a dificuldade de manter a rentabilidade quando os preços dos produtos agropecuários recuam mais rapidamente do que os custos de produção.
Inflação dos alimentos não tem origem no campo
Outro ponto destacado pelo levantamento é a diferença entre os preços recebidos pelos produtores e os valores pagos pelos consumidores nos supermercados.
De acordo com a análise da Farsul, enquanto o IIPR acumula retração de 7,64% em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para alimentos registra alta de 3,87% no mesmo período.
Para os economistas da entidade, esse descompasso evidencia que a inflação dos alimentos não está sendo gerada dentro das propriedades rurais, mas ao longo das demais etapas da cadeia produtiva, incluindo processamento, transporte, distribuição e fatores macroeconômicos que influenciam os preços finais ao consumidor.
Perspectiva para os próximos meses
A combinação de custos ainda elevados no acumulado do ano e preços recebidos em queda mantém o produtor rural em situação de atenção. Embora fatores como câmbio mais favorável e redução do diesel tenham contribuído para aliviar parte das despesas, a recuperação da rentabilidade dependerá da valorização das principais commodities agropecuárias e de um ambiente de mercado mais favorável nos próximos meses.
Os indicadores fazem parte da série histórica monitorada pelo Sistema Farsul e servem como referência para acompanhar a evolução da renda e dos custos do setor agropecuário gaúcho.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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