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Guia de Acesso à Justiça Climática e Socioambiental é lançado durante a COP30

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Belém, 13/11/2025 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça (Saju), lançou, na quarta-feira (12), na COP30, o Guia de Acesso à Justiça Climática e Socioambiental. A publicação é resultado de uma parceria com a rede Latin American Climate Lawyers Initiative for Mobilizing Action (LACLIMA).

Na ocasião, foram discutidas formas de as instituições promoverem o acesso à justiça diante dos desafios climáticos e ambientais, garantindo que todas as pessoas, especialmente as mais vulneráveis, possam exercer seus direitos.

O guia, elaborado pela LACLIMA em conjunto com o MJSP, está disponível na íntegra no site. O material apresenta recursos para fortalecer os direitos socioambientais e a autonomia das comunidades afetadas.

Ao comentar o documento lançado, a Secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, destacou que a iniciativa é essencial diante das atuais agendas da Saju/MJSP.

“Esse instrumento é de extrema importância não apenas para a efetivação da justiça climática — tema que faz parte das nossas principais preocupações —, mas também como ferramenta de empoderamento jurídico comunitário, um dos eixos de atuação da secretaria”, explicou.

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O material foi desenvolvido a partir de amplo diálogo sobre uma lacuna identificada na área da justiça climática. “Discutimos qual seria o melhor formato do guia, com o objetivo de atender a essa necessidade observada em um campo profundamente afetado pelas injustiças climáticas, mas que nem sempre consegue responder de forma efetiva nos espaços institucionais de justiça, nacionais ou internacionais”, disse Sheila Carvalho.

O Guia de Acesso à Justiça Climática e Socioambiental surge como parte dos esforços conjuntos do Governo Federal e da sociedade civil rumo à realização da COP30.

A conferência coloca o Brasil no centro das negociações internacionais sobre clima e meio ambiente, e o guia tem a missão de fortalecer a informação e a participação social, ampliando a capacidade dos cidadãos de defender seus direitos diante das injustiças climáticas.

O material se divide em quatro partes. São elas Fundamentos da Justiça Climática e Socioambiental; Impactos, desigualdades e injustiças diante da crise climática; Caminhos jurídicos de engajamento para Justiça Climática e Socioambiental; e Acesso à Justiça Climática e Socioambiental na prática.

O conteúdo inclui quatro anexos: modelos de documentos jurídicos climáticos e ambientais; principais contatos de órgãos climáticos e socioambientais; Glossário Popular de Acesso à Justiça Climática e Ambiental; e uma seleção de materiais e publicações de referência.

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Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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