Brasil
Governo do Brasil lança plano inédito para guiar desenvolvimento da bioeconomia na próxima década
O Governo do Brasil lançou, nesta quarta-feira (1/4), em Brasília (DF), o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), marco inédito para o desenvolvimento sustentável do país. Com recursos iniciais de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia, a iniciativa consolida a visão de Estado para impulsionar a bioeconomia na próxima década e enfrenta o desafio de transformar o paradigma produtivo nacional, posicionando a megabiodiversidade brasileira como vetor de oportunidades econômicas ao integrar inovação, tecnologia e indústria para promover desenvolvimento sustentável e inclusão social.
Como desdobramento do eixo de bioeconomia do Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica e da agenda de reindustrialização do país, o PNDBio cria condições de segurança e incentivos para ampliar a participação brasileira nas cadeias globais de valor, alinhando políticas industriais, ambientais e tecnológicas. O plano também prevê a mobilização de recursos por meio do quarto leilão da iniciativa Eco Invest Brasi, lançado durante a COP30, em novembro, e em curso, voltado ao fomento de investimentos em projetos de bioeconomia e turismo sustentável com foco na Amazônia.
No evento de lançamento do PNDBio, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltou o papel da bioeconomia para o enfrentamento à mudança do clima no país e no mundo. “Estamos colaborando com a redução das emissões de gases de efeito estufa. O principal item é evitar o desmatamento, que é uma questão central, e avançar em uma agenda de desenvolvimento sustentável”, disse.
Para a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o PNDBio marca uma mudança de paradigma na integração entre biodiversidade e economia no Brasil e cria caminhos para enfrentar questões globais. “A bioeconomia pode ser usada a favor da paz, porque os biocombustíveis são uma alternativa em um momento de conflitos no mundo. A bioeconomia que estamos construindo hoje, com o presidente Lula e todos os parceiros, é uma para todos – o extrativista, o indígena, a indústria de cosméticos, o setor de fármacos. É uma economia que abre caminho para um novo ciclo de prosperidade, mas que só é possível com democracia e soberania, pois isso é o que permite transformar a biodiversidade em desenvolvimento justo, inclusivo e sustentável”, declarou.
“O Brasil, que ainda mantém cerca de 60% do seu território coberto por vegetação nativa e tem uma enorme diversidade cultural e social, precisava, em algum momento, olhar, enxergar e valorizar esse grande potencial que possui. Uma das ações mais importantes é justamente valorizar economicamente os nossos recursos florestais, fortalecer as cadeias produtivas e valorizar a floresta em pé”, complementou o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho.
O aporte de R$ 350 milhões do Fundo Amazônia também foi anunciado durante o lançamento do PNDBio. O objetivo é fortalecer a sociobioeconomia e a inovação na região amazônica, com foco em inclusão produtiva, fortalecimento de cooperativas, pesquisa e valorização de conhecimentos tradicionais.
As ações devem beneficiar ao menos 60 cooperativas e mais de 5 mil famílias, além de apoiar instituições científicas e organizações socioprodutivas. Entre os destaques estão o Coopera+ Amazônia (R$ 107 milhões), o projeto “Cooperar com a Floresta” (R$ 69 milhões) e o programa “Desafios da Amazônia” (R$ 181,3 milhões), reforçando a estratégia de promover desenvolvimento econômico com inclusão social e conservação ambiental.
Na prática, o PNDBio materializa o equilíbrio entre conservação e produção, condição essencial para a sustentabilidade econômica de longo prazo, especialmente diante dos riscos crescentes que a mudança do clima representa para setores como a agricultura.
Pela primeira vez, o plano consolida uma articulação entre políticas industriais, ambientais e de inovação, ampliando a segurança para a atração de capital produtivo. Também se apoia em iniciativas já em curso no âmbito do MMA, como os programas Bolsa Verde e Prospera Sociobio, que funcionam como mecanismos concretos de financiamento da sociobioeconomia e já contribuem para a implementação das diretrizes do PNDBio.
Aliada à frente macroeconômica, o PNDBio incorpora de forma transversal as dimensões territoriais e sociais. Ao priorizar a inclusão produtiva e a geração de renda para povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares, atores indispensáveis da sociobioeconomia, o Brasil consolida-se como polo mundial de soluções baseadas na natureza, garantindo que a riqueza permaneça nos territórios.
Essa arquitetura integrada é fruto de amplo processo de construção participativa conduzido ao longo dos últimos dois anos pela Comissão Nacional de Bioeconomia (CNBio), sob a coordenação transversal dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Fazenda. O trabalho envolveu 16 ministérios, além de organizações da sociedade civil, academia e setor privado, consolidando mais de 900 contribuições recebidas em consulta pública, como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Missões e metas do PNDBio
A secretária Nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, apresentou as bases estruturantes do plano. De acordo com ela, o PNDBio estabelece diretrizes para a reorganização da produção brasileira, com foco no aumento do valor agregado, no adensamento tecnológico da bioindústria e na produtividade sustentável de biomassa, com igual atenção à redução de desigualdades e à consolidação da sociobioeconomia.
“Estamos falando de apoiar 6 mil negócios comunitários da sociobioeconomia, ampliar o acesso ao crédito, dobrar o valor da produção da sociobiodiversidade e alcançar 300 mil beneficiários com pagamento por serviços ambientais até 2035. Ao mesmo tempo, avançamos na recuperação de áreas degradadas, na consolidação de territórios da restauração e no fortalecimento da economia florestal. É uma estratégia que conecta conservação, geração de renda e inclusão social, com impacto direto na vida das pessoas e no futuro do país”, afirmou.
A diversificação dos sistemas produtivos ganha protagonismo no PNDBio como diretriz para ampliar ganhos no longo prazo, aumentar a resiliência climática das lavouras e recuperar serviços ecossistêmicos essenciais, como a polinização, além de contribuir para a reversão da degradação dos solos. O plano prevê a ampliação de 20% na área cultivada com espécies não commodities, fortalecendo a segurança e a soberania alimentar e o fornecimento de insumos inovadores para a bioeconomia.
Esse movimento se conecta diretamente à agenda de bioindustrialização, que busca posicionar o Brasil como protagonista global nos setores de bioprodutos, biomateriais e soluções tecnológicas de base biológica de alto valor agregado, com estímulo a novos processos produtivos e ao uso de matérias-primas renováveis. Nesse contexto, a agricultura, como pilar da economia, terá aumento da oferta de biomassa com produtividade 20% acima das projeções atuais até 2035, impulsionada pela recuperação de 12,5 milhões de hectares de áreas degradadas.
Um exemplo está na produção de biocombustíveis: a biomassa oriunda de áreas recuperadas e de sistemas mais diversos e resilientes sustentará a meta de ampliar em 70% a produção nacional até 2035, alcançando cerca de 76 bilhões de litros por ano. O avanço consolida a liderança do país em soluções como etanol, biodiesel, biometano e combustível sustentável de aviação (SAF), ao conectar restauração ambiental, inovação produtiva e geração de valor econômico.
No campo do financiamento, o plano também reforça o acesso ao crédito como instrumento estratégico para a sociobioeconomia, com a meta de aumentar em 20% ao ano o número de contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF B) de Microcrédito Produtivo, destinados a esse segmento até 2035, ampliando a inclusão produtiva e o apoio a agricultores familiares e comunidades tradicionais.
Inovação em saúde, química e turismo
O PNDBio estimula ainda o fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento em torno de suprimentos e produtos para saúde e bem-estar. A meta é elevar a participação de fitoterápicos fabricados no Brasil do patamar atual de 0,5% para, no mínimo, 5% do faturamento total do mercado farmacêutico nacional até 2035.
A meta inclui a incorporação de 15 novos fitoterápicos ao Sistema Único de Saúde (SUS), consolidando a inovação a serviço da saúde pública. Adicionalmente, é esperado um aumento de 30% ao ano nas notificações de novos cosméticos e suplementos, garantindo rastreabilidade e alto valor agregado no uso do patrimônio genético brasileiro.
Dialogando com a Nova Indústria Brasil (NIB), política do Governo do Brasil para impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional até 2033, o PNDBio pretende dobrar a capacidade atual e alcançar 7% de participação de matérias-primas renováveis na produção de insumos químicos básicos. A medida visa reduzir a dependência de processos fósseis.
Articulando preservação da biodiversidade à geração de renda descentralizada, o PNDBio também estimulará o ecoturismo sustentável em 60 Unidades de Conservação (UCs) até 2035, transformando a conservação em oportunidade econômica para comunidades locais.
Além disso, o plano projeta a expansão do valor da produção proveniente da sociobioeconomia, ampliando o acesso ao crédito, aos instrumentos de pagamento por serviços ambientais e à repartição de benefícios do patrimônio genético para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares detentores do conhecimento tradicional associado.
A implementação será acompanhada por sistemas de monitoramento e informação que visam garantir transparência, rastreabilidade e segurança jurídica ao longo da execução do plano.
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Brasil
Ministério dos Transportes vistoria obras da Fico e reforça expansão da malha ferroviária nacional
O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro acompanhou, nesta quinta-feira (25), o avanço das obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), em Goiás. Integrada à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), a ferrovia formará um dos principais corredores de exportação do Brasil, conectando regiões produtoras do Centro-Oeste aos portos e ampliando a competitividade logística do país.
Com 364 quilômetros de extensão, o trecho está em construção pela Vale como parte das contrapartidas da renovação antecipada da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O modelo de investimento cruzado permite executar uma nova infraestrutura ferroviária estratégica com recursos privados, reforçando a parceria entre o poder público e a iniciativa privada na expansão da malha ferroviária nacional.
Ao sobrevoar as obras, Leonardo Ribeiro destacou o avanço do empreendimento e o papel da FICO na transformação da logística nacional.
“A FICO é muito mais do que uma ferrovia. Estamos falando de uma infraestrutura estratégica, que terá impacto direto no PIB brasileiro ao integrar a produção do Centro-Oeste à Ferrovia Norte-Sul e, futuramente, ao Corredor Leste-Oeste. Com o leilão desse corredor, o país ganhará uma nova alternativa logística para o escoamento da produção, reduzindo custos de transporte, aumentando a competitividade e fortalecendo o comércio exterior”, afirmou o secretário.
Corredor Leste-Oeste
A Fico I integra um projeto ainda maior: o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, que terá conexão com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e com a Ferrovia Norte-Sul, formando um dos mais importantes eixos ferroviários em desenvolvimento no Brasil.
Com extensão prevista de 1.708 quilômetros, o empreendimento atravessará Bahia, Goiás e Mato Grosso. A ferrovia atenderá importantes regiões produtoras do oeste baiano, do Mato Grosso e do Matopiba, criando uma nova alternativa logística para o escoamento da produção regional em direção ao Porto Sul, em Ilhéus.
Para o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, a FICO demonstra o potencial da atuação conjunta entre o poder público e a iniciativa privada para acelerar investimentos estruturantes.
“Em pouco tempo já é possível perceber o avanço das obras e a transformação que esse empreendimento representa para a infraestrutura brasileira. Esse resultado é fruto do trabalho conjunto entre o Ministério dos Transportes, a ANTT, a Infra S.A. e a iniciativa privada, que transformou uma política pública em uma obra capaz de gerar desenvolvimento, emprego e competitividade para o Brasil,” explicou Sampaio.
Leilões ferroviários
O Corredor Leste-Oeste integra a carteira ferroviária estruturada pelo Ministério dos Transportes para os próximos anos. Em novembro de 2025, a pasta lançou a primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e apresentou a maior carteira ferroviária da história recente do país.
Ao todo, estão previstos oito leilões ferroviários, que somam mais de 9 mil quilômetros de extensão e têm potencial para atrair cerca de R$ 160 bilhões em investimentos, com projeção de movimentar até R$ 600 bilhões ao longo do ciclo de implantação e operação dos empreendimentos.
Assessoria Especial de Comunicação
Ministério dos Transportes
Fonte: Ministério dos Transportes
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