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Frigoríficos brasileiros investem em tecnologia para manter liderança global da carne bovina

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O Brasil consolida sua posição como principal fornecedor global de carne bovina, impulsionado por recordes de exportação e pela crescente demanda internacional. Apesar de mercados mais seletivos, com cotas, tarifas e exigências técnicas rigorosas, o país segue competitivo graças à diversificação de destinos, eficiência produtiva e capacidade de adaptação às normas internacionais.

Exportações brasileiras batem recorde em janeiro

Em janeiro de 2026, o Brasil embarcou 264 mil toneladas de carne bovina, alta de 26,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita chegou a US$ 1,404 bilhão, avanço de 40,2%. O desempenho reflete não apenas volumes maiores, mas também a valorização do produto em mercados que pagam mais por qualidade, rastreabilidade e padronização.

Nesse contexto, a competitividade deixou de ser exclusivamente baseada em preço e passou a depender de capacidade técnica para comprovar atributos do produto, como teor de gordura, de forma rápida, precisa e confiável.

Tecnologia NIR promete precisão na medição do teor de gordura

Para atender a essas demandas, a Pensalab lançou no Brasil uma solução baseada no Micronir, equipamento portátil que utiliza tecnologia NIR (Near Infrared). O dispositivo identifica e quantifica o teor de gordura da carne sem necessidade de amostras destrutivas, fornecendo resultados imediatos e consistentes.

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Segundo Rafael Soares, da Pensalab, o aparelho foi calibrado com dados reais de gordura, criando uma espécie de assinatura espectral da carne. “Com o modelo calibrado, é possível medir em tempo real, acelerando a tomada de decisão e eliminando gargalos no processo produtivo”, explica.

Limitações dos métodos tradicionais

Antes do Micronir, os frigoríficos utilizavam o chamado “gordurômetro”, método manual em que o colaborador estima o teor de gordura a partir de quadrantes da peça. Outra alternativa era enviar amostras para laboratórios, processo que levava horas e nem sempre representava toda a peça.

Diferentemente da avaliação visual, a tecnologia portátil oferece medições precisas, consistentes e em tempo real, garantindo rastreabilidade e qualidade exigidas em mercados como EUA e China.

Impacto da gordura na produção e qualidade

O teor de gordura é crítico em toda a cadeia, desde o abate até cortes processados, como hambúrgueres. Segundo Rafael Soares, a medição correta influencia a qualidade sensorial e a vida útil do produto, além de reduzir riscos de devoluções e renegociações com clientes internacionais.

Estima-se que, em grandes frigoríficos, 4% a 5% das remessas sejam rejeitadas por falta de padronização, percentual que pode ser maior em operações menos estruturadas. “A carne devolvida implica perda de margem e lucratividade para os frigoríficos”, alerta Soares.

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Inovação como diferencial competitivo

O investimento em tecnologia, precisão e comunicação inteligente reforça a competitividade dos frigoríficos brasileiros no mercado global. A Pensalab já planeja expandir a aplicação do Micronir para outras cadeias produtivas, ampliando o impacto da inovação na indústria alimentícia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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