Agro
Frete pode custar mais que a carga: logística de commodities entra em zona crítica no Brasil em 2026
O transporte de cargas de baixo valor agregado vive um dos momentos mais desafiadores da logística brasileira em 2026. Em meio à alta do diesel, tensões geopolíticas que impactam o petróleo e custos operacionais elevados, cresce a percepção de que, em algumas operações, o frete já representa uma fatia desproporcionalmente alta em relação ao valor da mercadoria transportada.
Diesel e cenário internacional elevam custo logístico no Brasil
A recente volatilidade do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio e aumento da pressão sobre o mercado energético global, levou o barril a patamares próximos de US$ 110 em determinados momentos, refletindo diretamente no custo do diesel no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal adotou medidas emergenciais, incluindo uma Medida Provisória que ampliou subsídios ao combustível rodoviário. A iniciativa buscou reduzir impactos imediatos sobre o transporte de cargas.
Apesar do alívio pontual, especialistas alertam que o problema estrutural permanece.
Diesel representa até 35% do custo do transporte rodoviário
Segundo dados da NTC&Logística, o diesel responde por cerca de 35% do custo operacional do transporte rodoviário no Brasil.
Esse peso varia conforme o tipo de carga:
- Em produtos de alto valor agregado (eletrônicos, medicamentos), o impacto do frete é diluído
- Em commodities agrícolas e cargas de baixo valor, a pressão é muito maior
De acordo com especialistas do setor, pequenas variações no combustível já são suficientes para comprometer margens em operações do agronegócio.
Agro sente mais forte: milho, madeira e grãos sob pressão
No transporte de commodities como grãos, madeira e insumos agrícolas, o frete pode representar parcela significativa do valor final da operação, especialmente em rotas de longa distância até portos.
O Brasil mantém forte dependência do modal rodoviário, responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, o que amplia a sensibilidade do setor às variações do diesel e dos custos operacionais.
Estrutura do frete agrava impacto no setor
Outro fator relevante é a composição da tabela de frete, que considera variáveis como:
- Número de eixos do caminhão
- Tipo de implemento
- Distância percorrida
- Condições da carga
Em operações de baixo valor agregado, essas variáveis podem alterar significativamente a viabilidade econômica do transporte.
“Quando se fala em milho, madeira ou outras commodities de margem apertada, qualquer variação no frete pesa muito mais no resultado final”, afirma Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias.
Infraestrutura precária aumenta custo logístico no país
Além do combustível, o setor enfrenta pressões adicionais relacionadas a:
- Manutenção da frota
- Pneus e insumos
- Pedágios
- Seguro
- Juros e financiamento de veículos
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as más condições das rodovias brasileiras elevam o consumo de combustível e aumentam o desgaste dos veículos, encarecendo ainda mais o frete no país.
Eficiência logística ganha protagonismo no agronegócio
Com custos mais altos, empresas do setor passaram a intensificar estratégias como:
- Carga fracionada
- Redespacho
- Compartilhamento de cargas
- Otimização de rotas
A busca é por maior ocupação dos veículos e redução de viagens ociosas, diluindo o custo por tonelada transportada.
No Transvias, esse movimento já aparece nos dados recentes.
“No agro, o embarcador busca previsibilidade e redução de custo ao mesmo tempo. A eficiência virou prioridade”, afirma Martins.
Demanda por soluções logísticas cresce até 27%
No primeiro trimestre de 2026, o Transvias registrou aumento de 27% nas buscas por transportadoras especializadas em carga fracionada e redespacho, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Nas principais rotas do agronegócio, o movimento também é claro:
- Sorriso (MT) – Porto de Santos (SP): maior volume de consultas por fretes competitivos
- Cascavel (PR) – Paranaguá (PR): alta de 18% nas cotações logísticas
Perspectiva: eficiência será determinante para competitividade do agro
O cenário aponta para um ambiente de maior pressão estrutural sobre o transporte de commodities no Brasil, com custos elevados e forte dependência rodoviária.
Para especialistas, a tendência é que a eficiência logística deixe de ser diferencial e passe a ser fator de sobrevivência operacional no agronegócio brasileiro.
“A logística brasileira ficou mais sensível. Hoje, eficiência não é mais opção, é necessidade”, resume Célio Martins.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Brasil avança na retomada das exportações de aves e mel para a UE
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que foi concluída, na manhã desta sexta-feira (4/9), a auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da União Europeia no Brasil, com foco nas cadeias produtivas de carne de aves e de mel.
Os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo Brasil foram considerados satisfatórios pelas equipes europeias para as cadeias de aves e mel, representando um avanço no processo de reinclusão do País na lista de fornecedores autorizados a exportar esses produtos para o bloco.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou o resultado. “Agora pela manhã se encerrou a auditoria das autoridades sanitárias da União Europeia no nosso país. E os nossos controles sanitários foram considerados satisfatórios, foram aprovados para as nossas aves e para o nosso mel. Agora é esperar o processo burocrático, mas muito rapidamente nós vamos ver o Brasil de volta à lista dos fornecedores de aves e de mel para a União Europeia.”
Solicitada pelas autoridades europeias, a auditoria teve início em 24 de agosto e incluiu visitas a estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais. Durante a missão, as equipes técnicas brasileiras apresentaram os procedimentos e controles adotados no País, permitindo a verificação, em campo, da estrutura e do funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro.
O resultado reforça a solidez do sistema oficial de defesa agropecuária e o compromisso do Brasil com a segurança e a qualidade dos produtos de origem animal destinados ao mercado interno e aos mais de 150 países que importam produtos agropecuários brasileiros.
Desde a decisão adotada pela União Europeia em 12 de maio de 2026, o Governo brasileiro mantém intenso diálogo político e técnico com as autoridades do bloco. O País implementou as medidas necessárias ao atendimento dos requisitos aplicáveis e apresentou a documentação e as informações pertinentes às cadeias destinadas à exportação, com atenção especial a aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.
O Mapa permanece em articulação com a União Europeia e com os setores produtivos envolvidos, acompanhando as próximas etapas do processo para a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne de aves e mel ao bloco.
Informações à imprensa
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