Agro
Falta de manutenção de máquinas agrícolas afeta a produtividade brasileira
Apesar da grande produção agrícola, o Brasil ainda está abaixo de seu potencial, devido a perdas de produtividade por falta de manutenção e regulagem das plantadeiras.
A afirmação é do professor Paulo Arbex, agrônomo e professor de Mecanização da UNESP de Botucatu (SP). Ele lembra que a fase de semeadura é responsável por 70% do sucesso da lavoura e que o treinamento adequado dos operadores para regular o maquinário pode aumentar o potencial produtivo em até 30%.
Arbex, que atua no programa Paraná Mais Orgânico (PMO), ressaltou que medidas simples podem gerar grandes impactos na produtividade, não exigindo tecnologias avançadas.
O professor realiza ações com grupos de pesquisa como o Grupo de Plantio Direto (GPD) e o de Inspeção Periódica de Semeadoras (IPS), percorrendo propriedades em todo o país e realizando palestras. O programa também oferece recursos para custear equipamentos e bolsas de estudo, e é considerado vital para a qualificação dos estudantes de Ciências Agrárias.
Segundo o professor, mesmo em grandes propriedades, descuidos na manutenção das plantadeiras afetam a produtividade. Ele detalhou problemas comuns, como desgaste dos discos de corte e componentes, plantio em condições desfavoráveis de umidade do solo e falta de capacitação dos funcionários.
O agrônomo aconselha medidas preventivas simples, como limpar o dosador de fertilizante e escolher corretamente os discos de corte e sulcadores conforme as condições do terreno. Ele também alerta sobre a importância de manter a velocidade de operação dentro das especificações recomendadas para evitar perdas significativas na plantação.
Quanto à compra de plantadeiras usadas, Arbex recomenda atenção especial à inspeção dos componentes principais. Segundo ele, a verificação minuciosa desses equipamentos é crucial para evitar custos adicionais e prejuízos na produtividade.
Fonte: Pensar Agro
Agro
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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