Agro
Exportações do Chile para o Brasil somam US$ 897 milhões em 2026 e têm salmão, vinhos e frutas como destaques
As exportações do Chile para o Brasil seguem em expansão no início de 2026, com destaque para o desempenho de salmão, vinhos e frutas frescas, que lideram a pauta de embarques no período de janeiro a abril.
Segundo dados do ProChile, instituição vinculada ao Ministério das Relações Exteriores responsável pela promoção comercial do país, as exportações chilenas para o mercado brasileiro totalizaram US$ 897 milhões no acumulado do período, reforçando o Brasil como um dos principais destinos estratégicos da América Latina.
Brasil é o quinto maior destino das exportações chilenas
O Brasil ocupa a quinta posição entre os principais mercados de destino das exportações do Chile, atrás de China, Estados Unidos, Japão e Índia.
No período analisado, o país respondeu por 4,72% do total exportado pelo Chile, evidenciando a relevância crescente da relação comercial entre os dois países, especialmente no segmento de alimentos e bebidas de maior valor agregado.
Durante a APAS Show 2026, realizada em São Paulo, uma delegação com 22 empresas exportadoras chilenas apresentou ao mercado brasileiro uma ampla oferta de produtos premium, incluindo frutas, vinhos, azeites, pescados, queijos e bebidas tradicionais como pisco e cervejas.
Salmão lidera exportações e reforça peso do setor pesqueiro
O salmão e a truta seguem como os principais produtos exportados do Chile para o Brasil, com embarques de US$ 359 milhões entre janeiro e abril de 2026.
O segmento representa 40,03% do total exportado ao país e registrou crescimento de 3,6% no período.
Somando toda a cadeia de pesca e aquicultura, o volume chegou a US$ 365 milhões, alta de 3,3% na comparação anual, consolidando o Chile como um dos principais fornecedores globais de pescado para o mercado brasileiro.
Vinhos chilenos ampliam presença no Brasil
O setor de vinhos também apresentou forte desempenho no início de 2026, com exportações de US$ 64 milhões, crescimento de 17,6% no período.
Entre os destaques estão:
- Vinhos tintos engarrafados: US$ 31 milhões (+28,3%)
- Vinhos brancos engarrafados: US$ 8 milhões (+38,7%)
- Cabernet Sauvignon engarrafado: US$ 6 milhões (+7,6%)
O avanço reforça a estratégia chilena de ampliar a presença de rótulos premium no mercado brasileiro, com foco em maior valor agregado e diversificação de consumidores.
Frutas frescas ganham espaço e ampliam diversificação das exportações
As exportações de frutas frescas do Chile para o Brasil somaram mais de US$ 56 milhões entre janeiro e abril de 2026, com destaque para o crescimento em diferentes categorias.
Entre os principais desempenhos estão:
- Cerejas frescas: US$ 7 milhões (+47,8%)
- Kiwis frescos: US$ 7 milhões (+26,4%)
- Tomates processados: US$ 5 milhões (+125,3%)
- Nozes: US$ 3 milhões (+89,5%)
- Avelãs: US$ 2 milhões (+957,1%)
- Amêndoas: US$ 1 milhão (+426,4%)
- Azeite de oliva: US$ 9 milhões (+42,5%)
Apesar do avanço em segmentos específicos, as exportações agrícolas totais registraram leve queda de 0,9%, somando US$ 123 milhões no período.
Agroalimentos representam mais de 60% das exportações chilenas ao Brasil
No agregado, os embarques de agroalimentos — que incluem produtos de origem animal e vegetal — totalizaram US$ 557 milhões entre janeiro e abril, o equivalente a 61,53% das exportações chilenas ao Brasil no período.
Em 2025, essa categoria já havia superado US$ 1,53 bilhão, representando 57,37% do total exportado ao mercado brasileiro, o que evidencia o crescimento da participação de alimentos e bebidas na pauta comercial.
Relação comercial Brasil–Chile segue estratégica e com espaço para expansão
O diretor do ProChile no Brasil, Hugo Corales, destaca que o fluxo comercial entre os países permanece sólido, com exportações chilenas em torno de US$ 4,6 bilhões, enquanto as importações vindas do Brasil variam entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões.
O cenário reforça o potencial de expansão da corrente de comércio, especialmente em produtos de maior valor agregado e nichos premium.
Segundo Corales, fatores como acordos comerciais, logística aérea eficiente e proximidade geográfica — com voos de cerca de quatro horas entre os países — tornam o Chile um parceiro estratégico para o mercado brasileiro.
Perspectivas: foco em produtos premium e novos mercados regionais
A estratégia chilena para o mercado brasileiro também envolve a ampliação da presença para além dos grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro, com foco crescente em regiões como o Nordeste, impulsionado pelo turismo e pela diversificação do consumo.
O movimento reforça a tendência de fortalecimento do comércio agroalimentar entre Brasil e Chile, com destaque para produtos premium e de maior valor agregado, especialmente em pescados, vinhos e frutas frescas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro
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