Agro
Exportações do agro: Câmara Árabe promove missão empresarial ao Marrocos e Tunísia para ampliar negócios na África
A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira abriu inscrições para uma missão empresarial ao Marrocos e à Tunísia, programada para ocorrer entre os dias 6 e 13 de junho. A iniciativa tem como objetivo fortalecer as exportações brasileiras para o continente africano e ampliar as oportunidades comerciais para empresas de diversos segmentos da economia.
A ação é voltada a empresas brasileiras de todos os portes e setores, incluindo companhias sem experiência prévia em exportação, reforçando a estratégia de diversificação de mercados e ampliação da presença do Brasil no comércio internacional.
Missão empresarial terá rodadas de negócios e visitas técnicas
A programação prevê uma agenda intensa de relacionamento institucional e comercial nos dois países do Norte da África.
A delegação inicia as atividades em Túnis, capital da Tunísia, com participação em seminários de negócios, reuniões com empresários locais e visita à feira International Food Show Africa, considerada uma importante vitrine para o setor alimentício e agroindustrial na região.
Na sequência, os participantes seguem para Casablanca, no Marrocos, com passagem pela capital Rabat, onde estão previstas reuniões com representantes da embaixada brasileira, entidades empresariais e visitas técnicas a empresas locais.
A agenda também inclui eventos de networking, encontros de negócios e uma visita ao porto de Tânger, importante hub logístico e industrial conectado ao comércio internacional da região.
Marrocos e Tunísia ampliam compras de produtos brasileiros
Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os dois países mantêm fluxo comercial relevante com o Brasil e apresentam potencial para ampliação das exportações, especialmente no agronegócio.
Em 2025, o Marrocos importou US$ 1,36 bilhão em produtos brasileiros. Entre os principais itens embarcados estão açúcar, milho, bovinos vivos, pimenta e carne bovina.
Já a Tunísia adquiriu US$ 289,17 milhões em produtos do Brasil no mesmo período, com destaque para soja, milho, café, tabaco e óleos vegetais.
África ganha importância estratégica para o agronegócio brasileiro
O avanço das relações comerciais com países africanos vem ganhando espaço na estratégia exportadora brasileira, especialmente diante da crescente demanda por alimentos, insumos agroindustriais e proteínas animais.
Além do potencial de consumo, mercados como Marrocos e Tunísia ocupam posições estratégicas no comércio internacional, funcionando como portas de entrada para negociações com outras regiões da África, Europa e Oriente Médio.
A missão organizada pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira busca justamente ampliar a inserção das empresas brasileiras nesses mercados, fortalecer conexões comerciais e gerar novas oportunidades de exportação para o agronegócio e a indústria nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar
A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.
Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.
A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.
Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.
Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.
Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.
A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.
O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.
Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.
A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.
A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.
A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.
Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.
Fonte: Pensar Agro
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