Brasil
Espírito Santo, Ceará, Goiás e Piauí lideram inscrições de ideias no Centelha 3
A terceira edição do programa Centelha já recebeu mais de 9 mil ideias de empreendedores e startups espalhados pelo País. O número é um recorde alcançado pela iniciativa, criada para incentivar novos negócios e capacitar empreendedores em todo o País. Nesse ciclo já foram lançados editais em 16 unidades da Federação. Espírito Santo (1.897), Ceará (1.139), Goiás (1.063) e Piauí (1.018) lideram em números de inscrições.
A terceira etapa do programa tem previsão de investimento de R$ 160 milhões, o maior já feito, e meta de apoiar mais de 1,1 mil novos empreendimentos. O Centelha funciona por meio de chamadas lançadas de forma descentralizada e, pela primeira vez, vai chegar em todo o Brasil. Ao longo do primeiro semestre de 2026 estão previstas as chamadas nas outras 11 unidades da Federação.

- Programa Centelha
Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida Filho, todos os estados vêm registrando aumento nas participações em comparação com etapas anteriores do programa, o que demonstra a articulação e abrangência das ações de ciência, tecnologia e inovação.
“Fizemos muitas melhorias nesta terceira edição. Criamos uma Trilha Pré-Centelha para capacitar as startups e empreendedores antes da submissão das ideias. A gente também direcionou o foco para as ideias com impacto socioambiental aliadas à Estratégia Nacional de Economia de Impacto [Enimpacto]. São resultados animadores, e, em 2026, temos 11 editais por vir”, detalha.
Os editais no terceiro ciclo serão lançados no Acre, em Alagoas, em Minas Gerais, em Mato Grosso do Sul, no Pará, na Paraíba, no Paraná, no Rio de Janeiro, em Rondônia, em Santa Catarina e em São Paulo. O Centelha é uma parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Confederação Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação Certi.
Dezenove estados participaram da primeira etapa do Centelha, de 2019 a 2021. Foram mais de 15 mil ideias submetidas e quase 500 empresas apoiadas. Na segunda etapa, de 2021 a 2024, foram 26 unidades da Federação alcançadas, com mais de 11 mil ideias e 1.142 empresas apoiadas. A meta desta edição é chegar a 2027 com todos os estados e o Distrito Federal com editais abertos ou em execução.
Todos as chamadas e outras informações sobre o programa podem ser consultadas no site https://programacentelha.com.br/.
Brasil
População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral
Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).
A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.
“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.
A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.
As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.
Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.
“Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.
Próximos passos
Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.
Comunidades quilombolas
Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.
Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.
Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.
Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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