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Embrapa lança aplicativo que ajuda agricultores do Semiárido a identificar áreas ideais para barragens subterrâneas

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A gestão eficiente da água em propriedades familiares do Semiárido brasileiro acaba de ganhar um importante reforço tecnológico. O aplicativo GuardeÁgua, desenvolvido pela Embrapa Solos (RJ) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), chega para auxiliar agricultores e técnicos extensionistas na identificação de áreas adequadas à construção de barragens subterrâneas, além de oferecer orientações sobre manejo do solo e da água e indicações de cultivos apropriados a cada tipo de ambiente.

O aplicativo, disponível gratuitamente para Android na Play Store, será lançado oficialmente no dia 10 de dezembro, em Santana do Ipanema (AL). A tecnologia foi criada com apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e faz parte das políticas públicas voltadas à segurança alimentar, redução da pobreza e convivência sustentável com o Semiárido.

Lançamento oficial no Sertão alagoano

O evento de lançamento do GuardeÁgua ocorrerá no Hotel Privillege, em Santana do Ipanema, a partir das 9h, e contará com representantes do MDS, Embrapa e ASA. Agricultores que já adotaram a tecnologia da barragem subterrânea terão papel de destaque, compartilhando experiências e saberes.

Durante a tarde, está prevista uma capacitação sobre o uso do aplicativo e da plataforma web com agricultores e técnicos de extensão rural, no Sítio Bananeira, em São José da Tapera (AL). No dia seguinte (11/12), outra sessão será realizada no Sítio Cachoeirinha, também em São José da Tapera.

“O aplicativo é fruto de uma parceria sólida e representa um avanço na política pública de convivência com o Semiárido, promovendo autonomia e dignidade para as famílias agricultoras”, afirmou Vitor Santana, coordenador-geral de Acesso à Água do MDS.

Segundo ele, o GuardeÁgua reforça o compromisso do Ministério com a segurança hídrica e o desenvolvimento sustentável. “A ferramenta oferece informações precisas e planejamento mais eficiente para construção de barragens subterrâneas, dentro das ações do Programa Cisternas”, complementou.

Tecnologia social para conviver com a seca

A barragem subterrânea é uma tecnologia social consolidada que permite reter a umidade do solo, garantindo condições para o plantio durante boa parte do ano. No entanto, nem todos os locais são adequados à sua instalação — e o aplicativo GuardeÁgua foi desenvolvido justamente para tornar esse processo mais assertivo e técnico.

“O GuardeÁgua fornece informações sobre o manejo da água, do solo e cultivos compatíveis com a área. A família agricultora, junto ao técnico, decide a melhor estratégia para o uso sustentável dos recursos naturais”, explica Flávio Adriano Marques, pesquisador da Embrapa Solos UEP Recife.

A ferramenta coleta dados sobre solo, declividade, rocha, salinização da água, vegetação e localização da nascente, e, com base nessas informações, indica se a área é viável ou não para a construção da barragem.

“Antes, a decisão era tomada com base apenas no bom senso técnico. Agora, temos uma resposta automatizada e baseada em critérios científicos”, destaca Antonio Gomes Barbosa, coordenador do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da ASA.

Aplicativo complementa zoneamento hídrico do Semiárido

O GuardeÁgua é um complemento ao ZonBarragem, zoneamento criado em 2019 que identifica, em escala regional, áreas com potencial para construção de barragens subterrâneas no Sertão de Alagoas. Enquanto o ZonBarragem trabalha em escala de planejamento (1:100.000), o novo aplicativo atua no nível da propriedade rural, permitindo que o próprio agricultor avalie a viabilidade da tecnologia.

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O aplicativo foi testado e validado por agricultores e técnicos em municípios dos estados de Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, comprovando sua eficiência na realidade do Semiárido.

Homenagem ao pesquisador que idealizou o projeto

O desenvolvimento do GuardeÁgua foi liderado pelo pesquisador Luís de França da Silva Neto, da Embrapa Solos, que faleceu precocemente em outubro de 2024.

“A perda de Luís foi profundamente sentida, mas a equipe decidiu seguir com o projeto como forma de honrar sua memória e legado”, afirmou a pesquisadora Maria Sonia da Silva, da Embrapa Solos.

Ela destacou que o pesquisador foi um dos grandes responsáveis por introduzir inovações no manejo de solos e no fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido brasileiro.

Projeto GuardeÁgua promove sustentabilidade e inclusão social

O projeto GuardeÁgua, iniciado em julho de 2023, é uma iniciativa de inovação social liderada pela Embrapa Solos, que atua em parceria com famílias agricultoras do Agreste, Médio e Alto Sertão de Alagoas. O objetivo é aprimorar o manejo da água e do solo, fortalecer a agroecologia e ampliar a autonomia das comunidades rurais.

“O GuardeÁgua é codesenvolvido com os agricultores, atendendo às suas demandas reais. A tecnologia vai além da ferramenta: promove sustentabilidade e inclusão socioprodutiva em regiões afetadas pela seca”, explica Maria Sonia, líder do projeto.

Entre os parceiros estão MDS, Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal/Senar) e a ASA Alagoas, por meio das organizações ITViva, Aagra, Cactus e Cdecma.

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Como funciona a barragem subterrânea

A barragem subterrânea utiliza lonas plásticas instaladas a profundidades de 3 a 5 metros, em áreas agrícolas com leve declive. A estrutura retém a água das chuvas no subsolo, mantendo o solo úmido por vários meses e possibilitando o cultivo mesmo após o período chuvoso.

Além disso, é construído um sangradouro para escoamento do excesso de água, evitando perdas e permitindo o acúmulo em poços. A tecnologia é considerada de domínio público e vem sendo estudada pela Embrapa desde a década de 1980, com aprimoramentos constantes para mitigar os efeitos da seca e das mudanças climáticas.

O aplicativo GuardeÁgua é o mais recente avanço nesse processo de inovação, oferecendo suporte técnico acessível para milhares de famílias que vivem em regiões de instabilidade hídrica.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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