Agro
Emater-MG encerra 10º Fórum Estadual com propostas para avançar na regularização de agroindústrias em Minas Gerais
Com foco em fortalecer a regularização de agroindústrias familiares e de pequeno porte, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), promoveu nesta quarta-feira (3), em Belo Horizonte, o 10º Fórum Estadual Agroindústria Legal.
O evento, realizado no auditório da sede da Emater-MG, marcou o encerramento de uma série de encontros realizados ao longo de 2025, com o objetivo de buscar soluções práticas para os desafios enfrentados pelos produtores rurais mineiros.
Regularização como caminho para o crescimento
Durante a abertura, o diretor-presidente da Emater-MG, Otávio Martins Maia, destacou que o fórum é um espaço estratégico para debater e construir políticas públicas voltadas ao fortalecimento das agroindústrias.
“A regularização traz agregação de valor, acesso a novos mercados, crescimento, desenvolvimento, prosperidade e melhoria da qualidade de vida”, afirmou Maia.
O secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Bruno Araújo Oliveira, reforçou que as iniciativas da Emater-MG e da Seapa contribuem diretamente para o desenvolvimento social e econômico das famílias agricultoras.
Palestras e troca de experiências marcaram o encontro
A programação contou com palestras, painéis e apresentação de casos de sucesso de diferentes regiões do país.
Um dos destaques foi a participação de Flávio José Smaniotto, diretor do Departamento de Agroindústria Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, que ressaltou a importância da troca de experiências entre os estados.
“Este é um espaço de aprendizado mútuo. Viemos compartilhar o que deu certo no Rio Grande do Sul e conhecer as boas práticas implementadas em Minas Gerais”, disse o palestrante.
Produtores compartilham experiências e avanços
Cerca de 150 pessoas, entre produtores rurais, técnicos e autoridades, participaram do encontro.
Entre elas, a produtora Isabela Barbosa dos Santos Xavier, de Queluzito, destacou a importância da orientação técnica no processo de formalização de seu negócio de queijo Minas artesanal.
“Estamos em processo de regularização e isso é fundamental para transmitir confiança, agregar valor e conquistar novos mercados”, ressaltou.
Documento “Agroindústria Legal” propõe novas políticas públicas
O encerramento do ciclo de fóruns foi marcado pela assinatura do documento “Agroindústria Legal”, que consolida as principais propostas discutidas ao longo dos nove encontros anteriores.
De acordo com Milton Flávio Nunes, gerente do Departamento Técnico da Emater-MG, o documento será encaminhado ao governador de Minas Gerais.
“O objetivo é subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas à agroindústria familiar, com foco em ampliar o acesso ao crédito, simplificar processos de regularização e fortalecer o Pronaf Agroindústria”, explicou.
Expectativas para 2026 e panorama atual do setor
A coordenadora técnica estadual de agroindústria da Emater-MG, Suzana Kanadani Campos, lembrou que o primeiro fórum da série foi realizado em Ipatinga, em agosto de 2024, e destacou que a iniciativa seguirá em 2026 com novas ações de apoio aos produtores.
Atualmente, Minas Gerais conta com cerca de 34 mil agroindústrias, das quais apenas 9,8% estão regularizadas. Apesar do número ainda baixo, o índice vem crescendo gradualmente graças às ações conjuntas de capacitação e ao empenho dos próprios produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Guerra no Oriente Médio pode elevar custos no campo e pressionar inflação dos alimentos no Brasil
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a acender um alerta para o agronegócio global. Um estudo divulgado pelo Rabobank aponta que o prolongamento do conflito na região, aliado ao fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo — pode provocar aumento dos custos de produção agropecuária e pressionar a inflação dos alimentos no Brasil ao longo de 2026 e 2027.
Segundo a análise, o choque nos mercados de energia já está elevando os preços internacionais do petróleo e do gás natural, criando uma cadeia de impactos que alcança combustíveis, fertilizantes, transporte e logística agrícola.
Petróleo mais caro aumenta custos da produção rural
O relatório destaca que a valorização das commodities energéticas tem efeito direto sobre a atividade agropecuária. O diesel, principal combustível utilizado nas operações agrícolas e no transporte de cargas, tende a registrar alta de preços, elevando os custos desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
Além disso, a produção mundial de fertilizantes depende fortemente de gás natural e derivados de petróleo. Com a elevação dos preços desses insumos, a tendência é de aumento nos gastos dos produtores rurais em diversas culturas.
De acordo com as projeções do Rabobank, o Índice de Commodities do Banco Central para Energia (IC-Br Energia) deverá encerrar 2026 com avanço de 41,6% na comparação anual, refletindo a disparada dos preços energéticos observada após a escalada do conflito.
Agro sente impacto de forma gradual
Diferentemente do mercado de energia, onde os reflexos são imediatos, os efeitos sobre as commodities agrícolas costumam ocorrer de forma mais lenta.
O estudo avalia que os custos mais elevados de energia, frete, fertilizantes e logística devem ser gradualmente incorporados aos preços agrícolas. Como consequência, o Índice de Commodities Agropecuárias (IC-Br Agro) deve voltar a registrar valorização nos próximos meses.
A expectativa é que o indicador feche 2026 com crescimento de 8,8%, sinalizando um ambiente de custos mais elevados para a cadeia produtiva.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de forte intensidade, cenário que pode provocar alterações climáticas relevantes em importantes regiões produtoras, afetando produtividade e disponibilidade de alimentos.
Inflação dos alimentos pode ganhar força
O levantamento mostra que os alimentos in natura deverão ser os mais sensíveis aos efeitos do choque externo.
Frutas, hortaliças, legumes e outros produtos frescos costumam reagir rapidamente ao aumento dos custos de transporte, combustíveis e insumos agrícolas. Por isso, a projeção é que a inflação desse grupo alcance 9,6% ao final de 2026 e ultrapasse 10% em 2027.
Nos alimentos semielaborados e industrializados, o repasse tende a ocorrer de forma mais gradual. Estoques, contratos de fornecimento e maior diversificação de custos ajudam a amortecer os impactos iniciais da alta das commodities e da energia.
Mesmo assim, os analistas observam que o aumento dos custos deverá atingir toda a cadeia alimentícia ao longo dos próximos trimestres.
Alimentação no domicílio deve permanecer pressionada
Após um período de desaceleração observado no início de 2026, a inflação dos alimentos consumidos dentro de casa pode voltar a acelerar.
As projeções indicam que a inflação de alimentação no domicílio deverá encerrar 2026 próxima de 6,1%, permanecendo acima dos níveis considerados confortáveis para o controle inflacionário.
Embora o índice deva apresentar desaceleração em 2027, os preços continuarão refletindo os efeitos acumulados da alta dos custos energéticos, das despesas logísticas e dos insumos agrícolas.
Agronegócio acompanha cenário com atenção
Especialistas destacam que o atual cenário reforça a importância do monitoramento dos mercados internacionais pelo setor agropecuário brasileiro.
O Oriente Médio ocupa posição estratégica no abastecimento global de petróleo e fertilizantes. Qualquer interrupção prolongada nos fluxos comerciais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente a competitividade do agronegócio.
Para produtores rurais, cooperativas, tradings e indústrias de alimentos, o principal desafio será administrar o aumento dos custos de produção em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, oscilações climáticas e maior volatilidade dos mercados globais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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