Brasil
Dia quatro da Zona Verde: saúde, trabalho e governança centralizam discussões da conferência
Os danos à saúde causados pelos eventos climáticos extremos foram alvo de boa parte das discussões do quarto dia da Zona Verde da COP 30, realizada em Belém (PA). Para além do efeito imediato das catástrofes, os locais atingidos carregam por anos, e até gerações, as consequências dos desastres.
“A nuvem de poluição de um incêndio florestal não respeita divisas ou fronteiras. Ela viaja pelo vento do Norte ou do Centro-Oeste até o pulmão de quem está no Paraná, por exemplo. Precisamos ser mais rápidos e mais contundentes nas nossas ações de resposta”. Foi com essa fala que o professor e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Carlos Nobre falou sobre a importância da comunicação de alertas climáticos no painel “Telecomunicações como pilar de resiliência climática”. O encontro também debateu a necessidade de emitir alertas de qualidade do ar e calor, assim como os alertas de tempestade que já existem.
Tratando de ações diretas do Ministério da Saúde sobre esses impactos, dois painéis foram realizados em sequência no Auditório Jandaíra. O primeiro foi o “Mais Saúde Amazônia: Atenção à Saúde, Equidade, Territórios Tradicionais e Justiça Climática”, com foco nas ações com populações locais no bioma. Já no segundo, “AdaptaSUS: Adaptação Climática do Setor Saúde com participação social e diálogo interfederativo”, o professor Hilton Pereira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), explicou como é necessário que toda cidade adote medidas de prevenção climática nas suas redes de saúde. O programa AdaptaSUS foi criado para dar este suporte aos municípios, com nove eixos de trabalho que vão de promover a produção sustentável e acesso regular a alimentos saudáveis até fomentar o desenvolvimento socioeconômico e a redução das desigualdades.
“O SUS envolve a participação social desde os conselhos até os entes federativos, e isso queremos divulgar e levar para outros países. Sociedades resilientes precisam de engajamento, inclusive com equidade. População romani, quilombola, indígena. São os mais impactados pelos eventos extremos. São os que mais precisam ser acolhidos também”.
Nesse sentido, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, fez uma fala no Pavilhão Círculo do Povos no painel “NDCs e Direitos Territoriais: Vozes das Comunidades Locais e Tradicionais”, em que abordou ações adotadas pelo MMA para fortalecer a inclusão dos povos e comunidades tradicionais.
Além do secretário-executivo, pelo governo federal participaram o presidente do ICMBio, Mauro Pires; a secretária nacional de Participação Social, Kelly Mafort; a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA),Fernanda Machiavelli, e da secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, Edel Moraes. “Este encontro reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a proteção e a segurança jurídica dos territórios tradicionais. A luta é por garantir todo reconhecimento devido a esses povos que são pilares para a conservação da biodiversidade, o enfrentamento da mudança do clima e a construção de soluções climáticas inclusivas, baseadas na natureza”, enumerou Edel.
A inclusão também passa por algo central na vida de todo mundo: o trabalho. No painel “Mudança climática, estresse térmico e impactos na saúde e segurança do trabalho”, o sindicalista Eduardo Annunciato apresentou as ações feitas em São Paulo para proteger os trabalhadores que mais ficam expostos ao perigo do calor extremo em suas jornadas. “Conversando com ceramistas, vidraceiros, sanitaristas. Todo o grupo de trabalhadores que tem sofrimento com o calor. Isso não é sobre desconforto, é saúde. Tem o efeito da hipertermia, prejudicando a saúde renal de quem trabalha sob calor intenso. E especialmente aqueles que não têm liberdade de vestimenta, que é obrigado a usar uniforme, tem uma perda grande com o impacto térmico”.
A fala de Eduardo foi endossada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. “Esse é o debate que precisamos fazer. Temos que colocar temas como esse no coração da COP, porque a transição climática precisa ser justa. Não é só promover o carro elétrico. É saber se biocombustível não tem uma pegada total menor, olhando a cadeia inteira de trabalho. Vejo muita gente falando em sustentabilidade. O que é preciso fazer, com remuneração justa, é um debate de modelo econômico que precisa estar aliado para ser de fato sustentável. E isso protege nossos trabalhadores”, analisou.
Outros ministros e autoridades também falaram sobre a necessidade de estabelecer cuidados amplos de saúde em vários ambientes. Assim como a governança. “É muito importante ter eventos como esse. Queremos fazer a Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no início do ano, para que a gente possa botar de pé o sistema nacional de monitoramento. Para que a gente não só planeje, faça metas, mas ponha em prática e fiscalize essas metas. Isso só será possível envolvendo o povo em cada debate”, defendeu o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.
A fala foi na mesa “Não deixar ninguém para trás: Governança Participativa e Agenda 2030”, na qual também esteve presente a primeira-dama Janja Lula da Silva. “O que o ministro Boulos apontou é fundamental, porque a gente sabe do papel da sociedade civil para manter os ODS vivos em um período sombrio que vivemos na gestão anterior. Agora, é para a gente avançar mais rápido, em parceria do governo federal com a sociedade civil”.
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Brasil
Ministro do Turismo assina com o Governo da Paraíba convênio de R$ 1 milhão para qualificação profissional em seis cidades
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assina nesta terça-feira (23), em Campina Grande (PB), um convênio no valor de R$ 1 milhão com o governo do estado para oferecer cursos gratuitos de qualificação profissional e de fortalecimento da gestão empresarial em seis municípios do estado. A assinatura ocorrerá às 10h, no Museu de Arte e Ciência de Campina Grande (MAC), e contará com a presença do governador Lucas Ribeiro.
A iniciativa busca reforçar a geração de emprego e renda em cidades com reconhecido potencial turístico. Além de Campina Grande, haverá capacitações em outros municípios do estado, como João Pessoa, Patos, Cabaceiras, Bananeiras e Cajazeiras.
Por meio do Qualifica Turismo Paraíba, profissionais e interessados em atuar no setor turístico terão à disposição cursos como técnicas de atendimento ao cliente; inglês e espanhol básicos para turismo; e formação de garçons, garçonetes, bartenders (atendentes de bares) e camareiras(os). Também serão oferecidas, por exemplo, capacitações de manipulação de alimentos, uso de inteligência artificial e marketing digital para pequenos negócios.
O ministro Gustavo Feliciano afirma que a iniciativa busca gerar emprego e renda. “Criar vagas de trabalho e, consequentemente, transformar a realidade de muitas famílias brasileiras é uma prioridade do governo do presidente Lula. Com essas capacitações, vamos incluir novos profissionais no mercado, ampliando a empregabilidade no setor, melhorando a qualidade do atendimento ao visitante e fortalecendo a imagem dos municípios e do estado”, diz.
As qualificações serão realizadas pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB), pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do estado (Sebrae-PB) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial da Paraíba (SENAC-PB).
Gustavo Feliciano aponta benefícios da parceria com o Governo da Paraíba, responsável pelo Qualifica Turismo, e as entidades envolvidas. “Estamos dando oportunidades, sem custo, a trabalhadores de municípios que pulsam turismo, cultura e história. A qualificação vai chegar na ponta, transformando a realidade de quem atua nos hotéis, pousadas, bares, restaurantes e no comércio”, acrescenta o ministro.
As qualificações, cujos cursos têm a previsão de capacitar até duas mil pessoas, englobam ainda a promoção de oficinas, formações técnicas e consultorias.
Polo Turístico Cabo Branco
A parceria entre o Ministério do Turismo e o Governo da Paraíba inclui a capacitação de trabalhadores que irão atuar no Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, o maior complexo turístico planejado do Nordeste. O espaço abrigará hotéis, parque aquático, parque temático, comércio e serviços, com um investimento superior a R$ 2,3 bilhões e a perspectiva de gerar 18 mil empregos.
“Com a chegada de grandes empreendimentos ao Polo Cabo Branco, queremos proporcionar que as vagas de emprego ali geradas sejam ocupadas por paraibanos capacitados e prontos para o mercado de alto padrão”, completa o ministro, que participou, em março deste ano, da inauguração do Tauá Resort João Pessoa, o primeiro grande empreendimento do Polo.
O Polo Cabo Branco é um dos projetos disponíveis no Portal de Investimentos do Ministério do Turismo, plataforma que indica oportunidades de atuação da iniciativa privada no setor em todo o país.
A área na capital paraibana também consta do Guia de Investimentos em Turismo no Brasil, elaborado pela pasta, em parceria com a ONU Turismo e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) para facilitar aportes no mercado turístico nacional.
Guia em mandarim
Em um movimento para ampliar a presença de turistas e investidores chineses no Brasil, o ministro do Turismo lançou em maio, durante agenda em Xangai, na China, a versão em mandarim do Guia de Investimentos em Turismo no Brasil.
“A estratégia mira um dos mercados mais relevantes do turismo, já que a China figura entre os maiores emissores de turistas no mundo e a presença dos viajantes chineses tem aumentado consideravelmente no Brasil”, ressalta o ministro.
O lançamento do guia em mandarim fez parte de uma série de agendas do ministro na China, em maio, com objetivo de atrair mais turistas chineses para o Brasil.
Por João Alberto Pedrini
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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