Brasil
Desastres relacionados à água afetaram 129 milhões de brasileiros em três décadas
Um estudo inédito publicado na revista científica Environmental Research Letters reuniu pela primeira vez de forma sistemática os impactos dos desastres relacionados à água no Brasil ao longo de mais de três décadas. Ao longo do período analisado, os desastres causaram pelo menos 4.774 mortes, deixaram mais de 3 mil pessoas desaparecidas e afetaram diretamente cerca de 129,8 milhões de brasileiros. Os prejuízos econômicos acumulados ultrapassam R$ 740 bilhões. Os resultados destacam a relevância do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A pesquisa analisou quase 60 mil registros oficiais de 1991 a 2024 e mostra que esses eventos — como secas, inundações, tempestades e deslizamentos — têm efeitos amplos, persistentes e distribuídos por todo o território nacional. O Cemaden é responsável por monitorar riscos e produzir conhecimento para prevenção de desastres no País.
Mais do que quantificar ocorrências, o estudo busca entender como esses eventos se distribuem no território e quais impactos geram. “Nosso foco não foi apenas quantificar essas ocorrências, mas também avaliar suas variações regionais, identificar quais categorias causam mais fatalidades e localizar as áreas mais afetadas pelos prejuízos econômicos”, explica o pesquisador do Cemaden Elton Escobar, primeiro autor do artigo.
Os dados indicam que os impactos não são explicados apenas por eventos climáticos extremos. Fatores estruturais, como ocupação urbana desordenada, desigualdade social e fragilidade institucional, têm papel decisivo na amplificação dos danos.
“Os padrões nos dados mostram que muitos desses impactos não decorrem apenas de eventos climáticos extremos, mas refletem deficiências antigas nas políticas públicas e na capacitação institucional. Por exemplo, cerca de 1.660 municípios brasileiros ainda não têm uma Defesa Civil estruturada”, complementa Escobar.
Mais registros não significa mais desastres
O número de desastres registrados cresceu de forma significativa ao longo do tempo. Esse aumento, no entanto, não indica necessariamente que os eventos se tornaram mais frequentes.
Segundo o estudo, a principal explicação está na melhoria dos sistemas de registro, especialmente após a criação do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), em 2013. A adesão dos municípios à plataforma, que era inferior a 30% no início, passou a quase 90% nos anos mais recentes.
Escobar ressalta que a notificação dos desastres na plataforma S2ID só se intensificou após 2019. “Isso indica que, por décadas, o País atuou com monitoramento limitado e preparação insuficiente.”
Isso significa que parte relevante dos desastres ocorridos no passado pode não ter sido registrada: um ponto central para interpretar a série histórica. Além disso, os pesquisadores destacam limitações importantes: o sistema ainda não capta bem eventos simultâneos ou interligados, como chuvas intensas que geram, ao mesmo tempo, enchentes e deslizamentos.
Impactos variam conforme o tipo de desastre
Os dados mostram que diferentes tipos de eventos produzem impactos distintos:
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Secas são as mais frequentes (mais de 53% dos registros) e concentram a maior parte das perdas econômicas (58%), sobretudo por afetarem agricultura e pecuária
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Inundações são as mais letais, responsáveis por mais da metade das mortes
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Tempestades e deslizamentos também apresentam impactos relevantes, especialmente em áreas urbanas densas e vulneráveis
Essa diferença ajuda a explicar por que prejuízos econômicos e número de mortes nem sempre caminham juntos: eventos de evolução lenta, como secas, geram grandes perdas financeiras, enquanto eventos rápidos e intensos, como enchentes e deslizamentos, tendem a causar mais vítimas. Para o pesquisador, os padrões observados evidenciam problemas estruturais.
Desigualdades regionais
O estudo evidencia padrões distintos entre as regiões brasileiras:
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Nordeste: maior número de ocorrências, com predominância de secas e altos prejuízos econômicos
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Sudeste: maior número de mortes, sobretudo associadas a inundações e deslizamentos
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Sul: alta frequência de eventos e perdas econômicas expressivas
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Norte e Centro-Oeste: destaque para inundações, tempestades e enxurradas
Mais de 91% dos municípios brasileiros registraram ao menos um desastre no período analisado — um dado que evidencia a abrangência nacional do problema.
Brasil
Hidrovia do São Francisco pode baratear alimentos e reforçar abastecimento no interior do país
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) estuda a reativação da hidrovia do Rio São Francisco como forma de reduzir o custo do transporte de cargas, elevando o impacto no preço dos alimentos. A iniciativa busca melhorar o abastecimento de cidades do interior, com mais regularidade na chegada de produtos essenciais ao dia a dia da população.
Na prática, a expectativa é de aumento da circulação de mercadorias, dinamização das economias locais e geração de empregos em setores como transporte, operação portuária, comércio e serviços.
Atualmente, o trecho navegável tem 1.371 quilômetros, entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), com potencial para atender 505 municípios e cerca de 11,4 milhões de pessoas. A estimativa é de movimentação de até 5 milhões de toneladas já no primeiro ano de operação.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou que a reativação da hidrovia do São Francisco melhora a eficiência logística e reduz custos de transporte. “Ela também amplia a integração de regiões que dependem do rio como infraestrutura essencial. A volta da hidrovia do Velho Chico significa levar mais desenvolvimento, baratear o transporte de mercadorias e conectar pessoas.”
Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a hidrovia também aumenta o acesso a insumos essenciais. “A hidrovia amplia a regularidade no transporte de cargas e melhora a chegada de alimentos e materiais indispensáveis, especialmente em regiões que dependem desse modal”, afirmou.
Entre as principais cargas previstas estão grãos como soja, milho e algodão, além de fertilizantes, calcário e gesso, insumos diretamente ligados à produção agrícola e ao custo final dos alimentos.
Mais conexão
O projeto de reativar a Hidrovia do São Francisco inclui ainda melhorias na navegabilidade do rio e na infraestrutura ao longo do percurso, além da implantação de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4). A medida deve estender o acesso de municípios ribeirinhos ao transporte hidroviário e fortalecer a integração logística entre regiões do interior.
A gestão da hidrovia será transferida do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), em articulação com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), como parte da reorganização da governança do modal hidroviário.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Fonte: Portos e Aeroportos
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