Connect with us


Política Nacional

Debate no Plenário reforça apoio ao Estatuto dos Cães e Gatos

Publicado em

Especialistas e representantes da sociedade civil e do governo defenderam nesta segunda-feira (22), em sessão de debates temáticos no Senado, a aprovação do Estatuto dos Cães e Gatos. A proposta visa consolidar direitos, definir deveres e orientar políticas públicas voltadas ao bem-estar de cães e gatos. O debate foi conduzido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), requerente da sessão. 

O Estatuto dos Cães e Gatos (PL 6.191/2025) teve origem em uma sugestão legislativa apresentada por entidades da sociedade civil ao Senado. A proposta foi acolhida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), transformada em projeto de lei e aprovada pelo colegiado. Além de outras ações, o texto orienta a construção de políticas públicas voltadas ao combate aos maus-tratos e ao abandono. Atualmente, a matéria tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde recebeu parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Relator da proposta na CDH, Paulo Paim defendeu a criação de um marco legal capaz de preencher lacunas existentes nas políticas públicas voltadas à proteção animal. Segundo ele, o país ainda carece de legislação específica, dados estatísticos e mecanismos permanentes de financiamento para ações governamentais e da sociedade civil.

Paim também chamou a atenção para a situação de ONGs e protetores independentes, que frequentemente assumem a responsabilidade pelos animais abandonados sem o apoio necessário do poder público.

O senador destacou ainda o impacto econômico da causa animal. Citando pesquisa da consultoria CVA, focada na indústria e comportamento do consumidor, ele informou que famílias com renda média mensal de R$ 8.411 destinam cerca de 8% do orçamento aos animais de estimação. Segundo o levantamento, os gastos médios mensais chegam a R$ 690 por um cão e R$ 570 por gato, tendo a alimentação e os medicamentos entre as principais despesas.

Protetores e voluntários 

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivem, atualmente, em situação de rua no Brasil, sendo aproximadamente 20 milhões de cães e 10 milhões de gatos.

Representando a Associação Amigos dos Animais, Fernanda Juliana Becker afirmou que a falta de políticas públicas para a causa animal acaba transferindo para voluntários e organizações a responsabilidade pelo atendimento de cães e gatos em situação de vulnerabilidade. Ela defendeu a aprovação do Estatuto dos Cães e Gatos como forma de garantir proteção legal aos animais e maior apoio aos protetores.

— A proteção animal não pode continuar dependendo exclusivamente da boa vontade de voluntários exaustos e abandonados pelo poder público — disse Fernanda.

Presidente da ONG Arcanimal, Carine Zanotto Vieira destacou ainda o papel das mulheres na proteção animal, afirmando que elas representam cerca de 80% das pessoas que dedicam tempo ao cuidado de cães e gatos. Segundo Carine, o trabalho das protetoras é frequentemente romantizado, enquanto a responsabilidade pela causa continua concentrada em poucas pessoas.

Leia mais:  Comissão discute regulamentação do teletrabalho no serviço público

— Chamar uma protetora de guerreira é fácil, difícil é dividir a responsabilidade que recai sobre ela todos os dias. 

Impossibilitado de participar presencialmente da sessão, o senador Fabiano Contarato encaminhou pronunciamento se comprometendo com a aprovação da matéria. Para ele, o estatuto “fortalece instrumentos de proteção, aperfeiçoa a responsabilidade daqueles que praticam violência  reafirma um princípio fundamental: nenhuma vida deve ser tratada como descartável”. 

Saúde integral 

Os debatedores ressaltaram a situação dos animais que vivem sem assistência estatal. Segundo Fernanda Becker, milhões de cães e gatos permanecem sem acesso a serviços básicos, como castração, atendimento veterinário e alimentação adequada.

— Enquanto discutimos este tema, existem milhões de animais vivendo sem qualquer escudo social ou legal. 

O representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Leonardo Napoli, também argumentou nesse sentido. Para ele, a saúde dos animais está interligada a saúde humana e ambiental e “não há como falar de uma sem abordar a outra”.  

Zoocídio

Voluntários, defensores e pesquisadores alertaram ainda para a violência crescente contra os animais. Para eles, a crueldade é real, sádica, frequente e precisa ser encarada com o rigor máximo da lei. 

Carine Zanotto criticou a impunidade em casos de maus-tratos e a falta de mecanismos de fiscalização da atuação de protetores e organizações ligadas à causa animal.

— O barulho existe, mas a ação não (…). Isso é sintoma de um sistema que não fiscaliza nem exige transparência. 

Os participantes lembraram como exemplo de crueldade a morte do cão Orelha. Eles classificaram o cachorro como um símbolo de uma tragédia que se repete todas as horas no país. 

— Casos que geram indignação enorme, mas que somem no dia seguinte. Sem processo, sem condenação, sem consequência, porque hoje no Brasil não existe uma única lei capaz de manter um agressor de animais preso em regime fechado.

O juiz do Núcleo de Pesquisas em Direito Animal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Vicente de Paula Ataíde Júnior, afirmou que o Estatuto dos Cães e Gatos representa um marco ao reconhecer os animais como sujeitos de direitos. Segundo ele, será o primeiro estatuto federal voltado especificamente ao direito animal. 

— Será o primeiro estatuto federal de direito animal porque ele é expresso em catalogar direitos de cães e gatos, para afirmar os princípios do direito animal. 

Ele citou como exemplo desse avanço a tipificação do zoocídio, “algo indispensável no momento atual” porque, segundo ele, a lei de crimes ambientais não trata especificamente sobre cães e gatos, apenas de animais silvestres.

Prioridade no orçamento 

Na opinião do conselheiro do Tribunal do Contas do Distrito Federal (TCDF) André Clemente, é possível que a pauta seja priorizada nos orçamentos dos estados, do Distrito Federal e do governo federal como uma política de Estado. 

Leia mais:  Câmara analisa projeto que proíbe sigilo em gastos públicos com viagens de autoridades; acompanhe

— Investimentos em infraestrutura, orçamento, capacitação de mão de obra, sistema com cadastros que buscam consolidado e integrar dados sobre protetores, cuidadores. Isso é fundamental. Se não conhecermos a nossa necessidade, a nossa demanda, como vamos planejar, como vamos agir?

Controle populacional 

No entendimento do advogado e um dos responsáveis pela revisão técnica do projeto em tramitação Rogério Rammê o Brasil vive um estado de omissão sistêmica em relação às políticas de proteção animal. E essa ausência, segundo ele, se revela de forma mais cruel na política de controle populacional de cães e gatos. 

— Na maioria dos municípios brasileiros não há diagnóstico e sequer sabemos quantos cães e gatos vivem em situação de rua. Não há politica permanente de castração e de manejo populacional ético. O que existe são programas pontuais, descontínuos, reféns da troca de gestão e na maioria dos municípios não há metas, fiscalização e, logicamente, não há responsabilização. 

Fiscalização 

O procurador da República Igor Miranda da Silva defendeu que o Estatuto dos Cães e Gatos reconheça expressamente o papel do Ministério Público na fiscalização e na implementação das políticas públicas previstas na proposta. Segundo ele, a medida não cria novas atribuições, mas reforça competências que já decorrem da Constituição.

— O texto poderia prever expressamente a atuação do Ministério Público na fiscalização e na implementação de políticas públicas. 

Iniciativas 

Representando o Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente, Vanessa Negrini destacou iniciativas do governo federal voltadas ao combate aos maus-tratos, à capacitação de agentes de segurança pública e ao financiamento de programas de castração. 

Ela também manifestou apoio à construção do Estatuto dos Cães e Gatos e colocou o órgão à disposição para contribuir com o aperfeiçoamento da proposta. Segundo Vanessa, o desafio é conciliar avanços na proteção animal com medidas que possam ser efetivamente implementadas. 

— Precisamos de um estatuto ambicioso na proteção animal, mas que também seja realista na sua implementação e assegure segurança jurídica. 

Também participaram da sessão o deputado estadual do Rio Grande do Su Ígor Miranda da Silva; o advogado de direito animal  Alexandre Beltrão Braga; o representante da ONG Faço pelos Animais e vereador Cristiano Ferreira Moraes e a especialista em direito animal e advogada do Grupo de Resposta a Animais em Desastres Ana Paula de Vasconcelos. Também estiveram presentes os vereadores Jonas Reis, de Porto Alegre, Marly Coelho, de Viçosa (MG) e a ex-vereadora de Goiânia e dirigente da ONG Recanto Anjos Peludos, Lucíola Oliveira. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook

Política Nacional

Senado pode votar na próxima semana incentivos fiscais para data centers

Published

on

O Senado pode votar na próxima semana, durante esforço concentrado da Casa, o projeto de lei que cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers (centros de processamento de dados) no Brasil.

A proposta (PL 278/2026) é uma das matérias anunciadas como prioritárias pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na quarta-feira (26), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

O texto cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), que beneficia empresas com a suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Aprovado em fevereiro pela Câmara, o PL 278/2026 ainda não tem relator no Senado e ainda não foi despachado para as comissões da Casa — mas já há requerimento de líderes para que a matéria seja votada diretamente no Plenário. 

Medida provisória

A criação do Redata estava inicialmente prevista na Medida Provisória 1.318/2025, que não foi votada pelo Congresso Nacional e acabou perdendo a validade.

Para garantir a criação desses incentivos fiscais, a proposição foi novamente apresentada em fevereiro — mas dessa vez sob a forma de projeto de lei: o PL 278/2026 — pelo então deputado federal José Guimarães (PT-CE), que era o líder do governo na Câmara.

Ele se licenciou do cargo em abril para assumir a chefia da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Dependência

De acordo com o Ministério da Fazenda, o Brasil ainda depende de data centers de outros países: cerca de 60% das cargas de dados e de inteligência artificial utilizadas no país são processadas no exterior.

O ministério também argumenta que o diferencial de custos operacionais é um fator determinante, já que a operação no Brasil seria, em média, 30% mais cara que no exterior — e a principal causa disso são os tributos.

O projeto

O texto em análise no Senado cria incentivos fiscais para estimular a instalação de data centers no país, principalmente os que tenham como foco a computação em nuvem e a inteligência artificial.

Os incentivos do Redata incluem cinco anos de suspensão de tributos na compra de equipamentos. As contrapartidas das empresas incluem o uso de energia de fonte limpa (hidrelétricas) ou renovável (solar e eólica).

Como condição para ter acesso aos benefícios, as empresas têm de estar em dia com os tributos federais. A estimativa do governo é de uma isenção em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.

Leia mais:  Câmara aprova punição e torna hediondo o crime de obstruir vias para praticar crimes

De acordo com o projeto, a entrada de uma empresa no Redata deverá ser autorizada pelo Ministério da Fazenda. A empresa beneficiada terá suspensão do Imposto de Importação, do PIS/Cofins, do PIS/Cofins-Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A suspensão será válida para a compra — dentro ou fora do Brasil — de componentes eletrônicos e outros produtos de tecnologias da informação e comunicação. A empresa que vender os equipamentos também poderá ser beneficiada pelo Redata (mas somente no caso dos produtos empregados na fabricação dos computadores a serem utilizados nos data centers).

Para o Imposto de Importação, a suspensão se aplica aos produtos sem similar nacional.

O projeto também prevê que, após o cumprimento dos compromissos e a entrega final dos produtos, a suspensão será convertida em alíquota zero.

Quem pode participar

Podem participar do Redata os centros de processamento voltados à armazenagem, ao processamento e à gestão de dados e aplicações digitais, incluindo:

  • computação em nuvem;
  • processamento de alto desempenho;
  • treinamento;
  • inferência de modelos de inteligência artificial e serviços correlatos;
  • outros itens, desde que estabelecidos em ato do Poder Executivo, de acordo com a Nomenclatura Brasileira de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (NBS).

Contrapartida

As contrapartidas para as empresas que quiserem participar do Redata envolvem os seguintes compromissos:

  • direcionar ao mercado interno pelo menos de 10% do fornecimento efetivo de processamento, armazenagem e tratamento de dados a ser instalado com os benefícios;
  • atender a critérios e indicadores de sustentabilidade definidos em regulamento;
  • honrar a totalidade de sua demanda contratual de energia elétrica, seja com contratos de suprimento ou autoprodução de fontes limpas ou renováveis;
  • apresentar Índice de Eficiência Hídrica no uso da água para resfriamento dos equipamentos igual ou inferior a 0,05 litro/kWh em aferição anual;
  • fazer investimentos no país equivalentes a 2% do valor dos produtos comprados no mercado interno ou importados com o benefício fiscal.

Além disso, um dispositivo incluído no projeto durante a tramitação na Câmara exige do beneficiário do Redata a publicação de relatório de sustentabilidade das instalações (com o índice de eficiência, as fontes de energia elétrica utilizadas e os demais indicadores de sustentabilidade).

Leia mais:  Comissão de Trabalho debate situação do Instituto do Câncer e de seus servidores

Desenvolvimento regional

A proposta prevê que o direcionamento do processamento ao Brasil e o compromisso de investimento serão reduzidos de 10% e 2% para, respectivamente, 8% e 1,6% quando a empresa estiver localizada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (ou se estiver em área de abrangência das agências de desenvolvimento regional).

O texto também determina que, de todos os recursos direcionados a investimentos em projetos e programas de fomento à cadeia produtiva da economia digital, 40% deverão ir para aqueles localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, incluídas as respectivas áreas de abrangência das agências de desenvolvimento regional, como Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Punições

Se a empresa habilitada não cumprir os compromissos no prazo estipulado (exceto o direcionamento de processamento ao Brasil), ela deverá pagar os tributos suspensos com juros e multa de mora.

Para a empresa vendedora dos equipamentos, a quitação de tributos deve ocorrer caso eles não sejam entregues ao data center.

Já no caso de descumprimento da condição de direcionar 10% do fornecimento efetivo de processamento ao Brasil, o texto prevê a suspensão dos benefícios tributários em novas compras de equipamentos. Se, depois de 180 dias da notificação, a empresa não corrigir o procedimento, a suspensão será convertida automaticamente em cancelamento da habilitação.

Os benefícios fiscais criados pelo Redata deverão ser objeto de acompanhamento e avaliação por dois ministérios: o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Fazenda.

Emendas

Até a tarde desta quinta-feira (27), os senadores haviam apresentado 22 emendas ao texto.

Entre as mudanças sugeridas estão:

  • retirar a obrigatoriedade da exigência de uso de energia de fonte limpa ou renovável;
  • incluir no texto regras sobre temas de outras leis, como a atualização do marco legal das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs);
  • possibilitar que o atendimento à totalidade da demanda de energia elétrica se dê também com fontes de baixa intensidade de carbono, como a biomassa;
  • incluir outras regiões entre as beneficiadas pela redução de compromissos para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Caso o Senado faça modificações no mérito do projeto, a matéria terá de voltar à Câmara dos Deputados para nova análise. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262