Educação
CPOP: calendário de aulas começa em todo o país
As aulas da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) começaram em todo o Brasil. Diversos cursinhos já realizaram seus aulões inaugurais no final de abril, dando início às atividades do ciclo de 2026. Neste ano, o Ministério da Educação (MEC) está apoiando mais de 1.800 cursinhos, com investimentos de R$ 290 milhões. A iniciativa oferece suporte técnico e financeiro para cursinhos destinados à preparação de estudantes socialmente desfavorecidos que buscam ingressar na educação superior por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em muitos territórios, as aulas já estavam em andamento desde fevereiro, mesmo antes do início do ciclo, demonstrando o compromisso de educadores, coordenadores e estudantes com o ensino e a aprendizagem.
A professora de português Rute Damascena, do Cursinho Popular Milton Santos, que funciona em Feira de Santana (BA) e atende 40 alunos de baixa renda, conta que estudou em um cursinho popular durante o ensino médio. A educadora fez a graduação com bolsa de 100% do Programa Universidade para Todos (Prouni).
“Eu sou fruto de um cursinho como esse, de um cursinho acessível. Além dos conteúdos, esse é um espaço para a gente discutir sobre as possibilidades de acessar a universidade, porque muitos alunos não saem da escola com esse pensamento de entrar numa faculdade e vão direto para o mercado de trabalho. Esses espaços transformam a vida mesmo, mudam o destino da pessoa, e, quando essa oportunidade vem acompanhada de uma bolsa de incentivo, como a da CPOP, a chance de a gente conseguir manter esse aluno na sala de aula até o final do curso é muito maior”, ressalta.
O cursinho é importante porque me ajuda a reforçar os conteúdos, melhorar meus estudos e me preparar melhor para o vestibular. Além de tudo isso, está me ajudando muito a aumentar a minha confiança e organização.”
- Letícia Vitória, 18 anos, estudante do Cursinho Popular Libertar pela Educação, parte da CPOP
Matheus Souza endossa o pensamento de Rute. O educador de matemática do cursinho Ciranda Popular, que atende estudantes da rede pública e moradores de periferias do Recife, especialmente de Brasília Teimosa, explica que os professores de cursinhos populares costumam vir de realidades semelhantes às de seus alunos. “Isso traz pertencimento e a oportunidade de eles construírem o ensino conosco, a partir das realidades deles, e, também, se verem na universidade pública, realizando seus sonhos e mudando suas vidas”, afirma.
Letícia Vitória Cuntardo do Canto, 18 anos, estudante da Escola Estadual Lúcia de Castro Bueno, participa do Cursinho Popular Libertar pela Educação, em São Paulo (SP), que atende mais de 600 estudantes. Ela sonha em cursar comunicação social. “No ano passado, eu fiz o curso de administração que o Libertar oferece e neste ano estou realizando o pré-vestibular. O cursinho é importante porque me ajuda a reforçar os conteúdos, melhorar meus estudos e me preparar melhor para o vestibular. Além de tudo isso, está me ajudando muito a aumentar a minha confiança e organização”, conta.
No Cursinho Popular Angelina Reis, que atende 100 alunos, 60 recebem a bolsa da CPOP. Segundo Milena Santos, coordenadora da instituição, os estudantes são adolescentes cheios de sonhos, expectativas e vontade de aprender.
“Desde os primeiros encontros, já estamos vivendo momentos muito especiais, com aulas dinâmicas, acolhimento, trocas de experiências e atividades de integração. Nas aulas de matemática, por exemplo, utilizamos brigadeiros como ferramenta pedagógica, tornando o aprendizado mais dinâmico, divertido e próximo da realidade dos jovens. A ideia é mostrar que aprender pode ser leve, acessível e interessante”, relata. “Estamos construindo um espaço de aprendizado, coletividade e transformação, onde cada jovem se sente parte de algo maior”, completa.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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