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Política Nacional

CPMI pode votar requerimentos para convocar familiares e sócios do ‘Careca do INSS’

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A CPMI do INSS fará uma reunião extraordinária nesta terça-feira (16) para votar requerimentos de convocação de testemunhas que têm ligação com Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e com o empresário Maurício Camisotti, presos por fraudes em benefícios previdenciários.

A reunião está agendada para as 14 horas, no plenário 2 da Ala Nilo Coelho, no Senado.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) informou que a comissão e líderes do governo e da oposição decidiram, em reunião ontem, convocar as testemunhas. Segundo ele, a medida responde ao fato de Camilo e Camisotti se recusarem a depor ao colegiado.

“É uma resposta que a CPMI quer dar claramente à falta de seriedade do advogado da defesa de Carlos Camilo em relação ao acordo feito conosco. Da mesma forma, Maurício Camisotti que também já nos enviou ofício por meio da defesa de que não vai comparecer na próxima quinta-feira (18)”, explicou o senador, que citou o cancelamento da reunião desta segunda-feira (16).

A intenção é ouvir todos na mesma reunião, na quinta-feira. Os convocados para depor serão:

  • Tânia Carvalho dos Santos, esposa e sócia em empresas de Carlos Camilo Antunes;
  • Romeu Carvalho Antunes, filho e sócio de Carlos Camilo Antunes;
  • Rubens Oliveira Costa, sócio de Carlos Camilo Antunes;
  • Milton Salvador de Almeida Júnior, sócio de Carlos Camilo Antunes;
  • Cecilia Montalvão, esposa de Camisotti e sócia de empresa que atuou na modernização dos sistemas da Previdência; e
  • Nelson Willians, advogado com transações bancárias suspeitas com Camisotti.
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Exposição
De acordo com o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), o acordo foi para que todos sejam convocados na condição de testemunhas, o que pode mudar após os depoimentos.

“Todos estão na condição de testemunha. Isso se deve exclusivamente à escolha feita pelo senhor Camisotti e pelo senhor Carlos Camilo Antunes de não poupar os familiares no próprio sistema criminoso. Foram eles que expuseram os familiares”, disse o relator.

As perguntas, segundo Gaspar, se dividem em dois blocos: saber quem são os responsáveis pelas fraudes e quem deu sustentação política para que isso acontecesse.

O vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr (PSB-MA), disse que o presidente da comissão agiu de forma firme diante da ausência dos investigados. Ele lembrou que, mesmo que o Supremo Tribunal Federal conceda habeas corpus, o que garante o direito de permanecer em silêncio, os convocados continuam obrigados a comparecer à comissão.

“Ninguém é obrigado a constituir prova contra si. Mas a CPMI os convocou para que venham como testemunhas, para prestar esclarecimentos. E o que a Constituição Federal de 88 e o Supremo garantem a essas pessoas é o direito de ficar calado, não o direito de escolher se vêm ou não”, avaliou.

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Da Redação – RL
Com informações da Agência Senado

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Debate na CDH aponta lacunas na capacitação contra violência a crianças

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Especialistas discutiram nesta segunda-feira (5), na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, a melhoria da capacitação dos profissionais encarregados da implementação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência contra Crianças e Adolescentes. Presidente da CDH e autora do requerimento da audiência, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o Estado precisa estar preparado para identificar esse tipo de violência.

Damares defendeu o uso obrigatório do Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia) pelos conselhos tutelares. O Sipia é uma plataforma do governo para registrar violações de direitos, planejar atendimentos e acionar a rede de proteção aos jovens. A senadora criticou o fato de apenas 2,9 mil municípios brasileiros utilizarem o Sipia, diante de um universo de mais de 5,5 mil. Ela defendeu que a legislação estabeleça consequências para conselhos tutelares que não utilizarem a ferramenta.

— Chega a ser vergonhoso. O Sipia é um dos instrumentos mais importantes que a gente tem — afirmou.

Segundo ela, a avaliação do Plano Nacional, realizada pela CDH ao longo do ano, vai apontar falhas e sugerir mudanças.

Representantes do governo destacaram o alcance dos cursos e sistemas de informação existentes, anunciaram iniciativas a serem lançadas, mas reconheceram lacunas, como a falta de um protocolo nacional unificado nas escolas e de integração dos dados produzidos por diferentes setores. O representante do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou deficiências graves do Estado no combate ao abuso sexual de crianças na internet.

Incentivo

Representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Daniel Arruda Martins informou que mais de 33 mil certificações foram registradas pela Escola Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Endica) em 2026. Entre 2023 e agosto deste ano, segundo ele, 25.568 pessoas concluíram, foram aprovadas ou receberam certificação em cursos nacionais, enquanto as Escolas Estaduais de Conselhos formaram outras 8.087 pessoas. As ações chegaram aos 27 estados e a mais de 3,4 mil municípios.

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— A Endica oferece cursos abertos a toda a população. Qualquer cidadã ou cidadão brasileiro, profissional ou não da área, atuante ou não na área, mas interessado em conhecer os direitos da criança e do adolescente, pode e deve procurar os cursos da Endica — afirmou.

Para Martins, a utilização do Sipia ainda enfrenta dificuldades, mas o governo tem adotado mecanismos de incentivo. Entre eles estão a consideração do uso do sistema na priorização de municípios que recebem equipamentos para conselhos tutelares e a parceria com o Unicef.

Falta de integração

O auditor-chefe do Tribunal de Contas da União, Ricardo Akl Lasmar de Alvarenga, apresentou resultados de uma auditoria sobre a preparação do poder público para combater crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Segundo ele, o trabalho identificou, entre outros problemas, falta de integração entre União e estados, lacunas normativas e deficiência na cooperação entre órgãos de segurança.

A auditoria registrou a participação de 2,65 milhões de usuários do Telegram em grupos de disseminação de material de abuso sexual infantil e apontou que uma criança é aliciada na internet, em média, a cada 45 minutos.

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— O criminoso não é só quem vende o conteúdo: quem compra também é criminoso — afirmou o auditor-chefe do TCU, ao defender uma coalizão envolvendo órgãos de segurança, bancos e empresas de cartão para rastrear as transações.

Coordenador-geral de Políticas Educacionais em Direitos Humanos do Ministério da Educação, Erasto Fortes Mendonça ressaltou que a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade compartilhada e depende da atuação articulada de diferentes setores. Para ele, professores e demais profissionais da educação precisam saber reconhecer situações de possível violação de direitos, conhecer suas atribuições e acionar corretamente a rede de proteção.

— A escola integra a rede de proteção, mas ela não substitui os demais órgãos que compõem o sistema de garantia dos direitos da criança e do adolescente — afirmou.

Notificações

A tecnologista do Ministério da Saúde Priscila Olin Silva destacou a importância da formação permanente dos profissionais e apresentou dados sobre cursos oferecidos pela pasta. Ela informou que, entre 2022 e 2025, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registrou mais de 500 mil notificações de violência contra crianças e adolescentes. Ela ressaltou a concentração dos registros entre meninas, nos casos de violência sexual e em ocorrências no ambiente doméstico.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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