Brasil
COP15: Autoridades destacam papel do Judiciário e da cooperação internacional na conservação de espécies migratórias
O papel da legislação e das instituições jurídicas para a implementação e efetivação de acordos ambientais multilaterais foi tema de evento nesta terça-feira (24/3) durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP da CMS, na sigla em inglês).
O diálogo entre diversos setores é central e o Poder Judiciário cumpre papel tanto na aplicação de penas, contribuindo para a efetividade da Convenção por meio de uma governança ambiental integrada.
“Espécies migratórias conectam continentes, oceanos e sistemas legais, e sua sobrevivência depende da nossa capacidade de agir coletivamente. Mais do que aderir formalmente a uma convenção, é preciso garantir coordenação entre países, normas claras, instituições fortes e capacidade de monitoramento e aplicação. Sem isso, os compromissos permanecem apenas no papel”, destacou o presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco.
A CMS traz em seu Anexo I as espécies migratórias ameaçadas. Esses animais são proibidos de serem capturados pelos países que integram a convenção. A CMS vai além e convoca os membros a conservarem e restaurarem as condições necessárias para a sobrevivência dessas espécies.
O marco legal internacional contribuiu para a atuação de juízas e juízes, assim como para a integração com as legislações ambientais nacionais existentes, conforme pontuou o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, que abriu o evento especial dedicado ao tema.
“O judiciário brasileiro precisa entender a posição crítica das espécies migratórias e, ao mesmo tempo, cooperar com outros judiciários. Porque proteger em um único lugar – e não proteger toda a rota migratória – não vai ajudar muito no sucesso das intervenções judiciais”, afirmou.
A aproximação da legislação, bem como das questões que envolvem as espécies migratórias, é parte do caminho para efetivação das políticas de manutenção da vida dos animais e para o enfrentamento à crise climática.
“É importante traduzir isto em leis e ter essa abordagem holística na atuação da conservação das espécies migratórias”, destacou a secretária-executiva da CMS, Amy Fraenkel, que agradeceu ainda ao Brasil por sua distinta legislação na área.
“Precisamos de juízes que tenham habilidade em trabalhar com o direito ambiental, que é um direito que envolve várias outras ações do direito penal, administrativo e econômico e, assim, possam tomar decisões rápidas, eficientes e que restrinjam a realização de um dano ambiental, muitas vezes irreversível”, avaliou o presidente do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS), Dorival Pavan.
Avanços da justiça no Pantanal
O evento especial também foi palco de importantes anúncios para o bioma Pantanal. Pavan destacou a criação da primeira vara ambiental do Mato Grosso Sul. A unidade ficará em Bonito (MS) e tratará de questões do direito ambiental e agrário. Herman Benjamin anunciou que o Ministério Público do Mato Grosso do Sul criará uma promotoria de justiça especializada no Pantanal.
Os anúncios foram celebrados pela secretária Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, que enfatizou o incentivo ao que já existe no país. “Assim, ajudamos as legislações avançadas que temos. A lei é um exercício de cidadania”, disse.
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Brasil
Contratualização no SUS e os desafios da gestão municipal são debatidos durante o Conasems
O financiamento da saúde, os modelos de contratação e os principais desafios da gestão municipal estiveram no centro do seminário “Contratualização no SUS: planejamento, instrumentos jurídicos e desafios da gestão municipal”, realizado na manhã desta terça-feira (14), durante o Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), em Porto Alegre. O debate reuniu representantes da gestão pública e especialistas para discutir a contratualização como ferramenta essencial para a organização das redes de atenção à saúde e para a execução das políticas públicas nos territórios.
Representando o Ministério da Saúde, o secretário adjunto de Atenção Especializada à Saúde, Carlos Amilcar Salgado, destacou a necessidade de um planejamento claro para a contratualização e chamou a atenção para os desafios relacionados ao financiamento do sistema, especialmente diante dos custos da atenção especializada. “Precisamos, antes de tudo, ter clareza sobre o que se pretende contratar. A contratualização começa pelo planejamento, pela identificação das necessidades da rede e pela definição dos resultados que se espera alcançar”, afirmou.
O Ministério da Saúde prevê que o financiamento será uma questão central para o SUS nos próximos anos. Será necessário construir soluções para garantir a sustentabilidade e a ampliação do acesso.
Seminário debate “Atenção Especializada e a Integralidade na RAS”
Durante o seminário “Atenção Especializada e a Integralidade na RAS”, realizado na tarde desta terça-feira (14), o Ministério da Saúde abordou como o planejamento, o financiamento e a governança fortalecem o cuidado integral no SUS.
Para os técnicos do Ministério, a Atenção Especializada não pode ser vista como uma série de serviços isolados, e sim como um componente estratégico na rede que precisa estar articulado com a Atenção Primária. A integralidade é considerada um eixo estruturante, com a APS coordenando o cuidado, tendo a Atenção Especializada como apoio técnico que amplia a capacidade resolutiva e garante a continuidade assistencial. Além dessa integração, a organização da jornada do usuário também é fundamental para garantir atendimento no tempo certo e evitar desperdícios.
Vigilância epidemiológica
No painel “O papel da vigilância em saúde na redução da mortalidade nos territórios”, o debate técnico destacou a importância do uso de informações epidemiológicas para orientar o planejamento das ações de saúde e apoiar a redução de mortes evitáveis. Entre os temas abordados estiveram o monitoramento das doenças e dos agravos não transmissíveis, das violências e dos acidentes, a qualificação dos sistemas de informação e a integração entre vigilância, Atenção Primária e demais políticas públicas. Também foram apresentadas experiências desenvolvidas por estados e municípios para fortalecer a promoção da saúde, a prevenção e a vigilância nos territórios.
A organização regional da imunização no Sistema Único de Saúde (SUS) e as estratégias voltadas à ampliação e qualificação das coberturas vacinais também estiveram em debate durante a programação técnica do 39º Congresso do Conasems. O painel abordou temas como planejamento territorial, monitoramento de indicadores e organização das ações de vacinação, com destaque para o microplanejamento como instrumento de apoio à definição de estratégias adaptadas às diferentes realidades dos municípios.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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