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Cooperação entre o MJSP e as Polícias Civis de GO e de SP bloqueia quase R$ 3,5 milhões em bitcoins na Operação Cripto Car

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Brasília, 10/12/2025 – Nesta quarta-feira (10), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), coordenou a deflagração da Operação Cripto Car, em parceria com a Polícia Civil de Goiás (PCGO) e a Polícia Civil de São Paulo (PCSP). A ofensiva teve como objetivo desmantelar uma associação criminosa especializada em estelionato eletrônico e lavagem de capitais por meio de criptoativos, revelando um esquema sofisticado com atuação interestadual.

A ação conjunta resultou no cumprimento de 26 medidas cautelares, sendo dez mandados de prisão temporária e 16 mandados de busca e apreensão, em quatro municípios de São Paulo: Guarujá, Mauá, Santo André e a capital. Também foram apreendidos R$ 3.399.247,63 (três milhões, trezentos e noventa e nove mil, duzentos e quarenta e sete reais e sessenta e três centavos), valor equivalente a aproximadamente 5,854 bitcoins, rastreados durante as investigações. O montante bloqueado tem por finalidade garantir o ressarcimento das vítimas e a descapitalização do grupo criminoso.

A iniciativa foi conduzida pelo Grupo de Repressão a Estelionato e outras Fraudes (GREF), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic/PCGO), com apoio técnico da Coordenação-Geral de Combate a Crimes Cibernéticos (CGCiber/CiberLAB), da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi/Senasp/MJSP).

“A Operação Cripto Car é um exemplo da atuação estratégica e coordenada entre os entes federativos no combate ao crime organizado digital. O uso de inteligência e de tecnologia permitiu rastrear fluxos financeiros ilícitos, promovendo uma resposta efetiva às fraudes eletrônicas e à lavagem por meio de ativos virtuais”, afirma Rodney da Silva, diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp/MJSP.

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Fraude com veículo de luxo deu início à investigação

As investigações começaram a partir de uma fraude envolvendo a venda de um veículo de luxo — uma Mercedes CLA45 AMG — anunciada em uma plataforma digital. A transação causou prejuízo de R$ 530 mil à vítima. A partir desse caso, foi identificado um grupo criminoso com vítimas em, pelo menos, oito estados brasileiros, incluindo Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O modus operandi envolvia engenharia social complexa, uso de identidades falsas e documentação adulterada para simular negociações legítimas. Os criminosos se passavam por representantes de concessionárias e multinacionais, utilizando telefones com DDDs compatíveis com os estados-alvo para dar credibilidade à fraude.

As vítimas eram orientadas a realizar transferências bancárias para empresas de intermediação financeira vinculadas a corretoras de criptoativos. Em seguida, os valores eram convertidos imediatamente em bitcoin e pulverizados em diversas carteiras digitais.

Lavagem estruturada e reconversão em moeda nacional

Com apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/PCGO), a investigação revelou uma estrutura especializada na ocultação de valores. O grupo criava contas fraudulentas em exchanges de criptoativos — plataformas digitais que funcionam como corretoras de criptomoedas — utilizando documentos digitalmente manipulados das próprias vítimas para burlar os sistemas de verificação de identidade (KYC).

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Os valores transferidos eram fragmentados e movimentados em tempo real para carteiras privadas e, posteriormente, convertidos em moeda corrente por meio de empresas de balcão (OTC) e doleiros especializados. A movimentação identificada em uma das empresas investigadas somou R$ 56,9 milhões em apenas seis meses, demonstrando a alta capacidade operacional do grupo.

A organização contava com três núcleos bem definidos:
* Financeiro/Operacional: responsável pelo controle de carteiras e pela coordenação das fraudes;
* Lavagem: formado por doleiros e empresas responsáveis por receber os valores lavados;
* Fornecedores de Identidade: indivíduos que cediam imagens para a abertura fraudulenta de contas.

Responsabilização penal e continuidade das investigações

Os dez alvos da operação tiveram suas prisões temporárias decretadas e deverão ser indiciados pelos crimes de estelionato eletrônico (art. 171, §2º-A, CP), associação criminosa (art. 288, CP) e lavagem de capitais (Lei nº 9.613/1998). As penas somadas podem ultrapassar 21 anos de reclusão, além de multa.

A Polícia Civil de Goiás continua analisando o material apreendido e compartilha provas com as polícias civis de outros estados. O MJSP orienta que possíveis vítimas ainda não identificadas procurem a delegacia mais próxima e registrem ocorrência.

A operação foi batizada de “Cripto Car” em referência ao uso da venda de automóveis de luxo como isca para o golpe e à utilização de criptomoedas para rápida pulverização dos valores ilícitos, dificultando o rastreamento bancário e ampliando o alcance da atividade criminosa.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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Ministro reúne PF, PRF e Senappen para ampliar integração no combate ao crime organizado

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Brasília, 12/6/2026
– O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, reuniu-se na manhã desta sexta-feira (12), em Brasília, com os diretores-gerais da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernando Souza Oliveira, para fortalecer a atuação integrada das forças federais no âmbito do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.

Também participaram do encontro o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia; a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula; o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Ademar Borges; e o coordenador-geral de Segurança e Operações Penais, José Renato Gomes Vaz.

A reunião discutiu o fortalecimento da atuação conjunta das três forças federais vinculadas ao Ministério da Justiça — Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Penal Federal —, além do aperfeiçoamento das ações em regiões de fronteira, do alinhamento dos fluxos de comunicação entre os órgãos e da constituição de grupos de trabalho voltados à revisão e ao aperfeiçoamento de normativos internos.

Segundo Wellington Lima, a integração entre instituições é um dos pilares do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.

“O Brasil Contra o Crime Organizado tem como uma das principais características a união e o trabalho em conjunto para enfrentar as facções no País. A integração federativa não é apenas desejável — é condição estrutural para resultados duradouros”, afirmou.

Governança permanente

A iniciativa desta sexta-feira dá continuidade a um novo ciclo de encontros promovidos pelo ministro como desdobramento da reunião realizada em 29 de maio, logo após seu retorno de Assunção, no Paraguai, onde participou da Reunião de Ministros da Justiça, Interior e Segurança do Mercosul.

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Na ocasião, Wellington Lima reuniu secretarias do MJSP, órgãos de segurança pública, integrantes do Ministério Público brasileiro e representantes da sociedade civil para apresentar os resultados do encontro regional, compartilhar os acordos bilaterais firmados com países vizinhos e promover uma análise conjuntural sobre o combate ao crime organizado no Brasil e na América do Sul.

A decisão de reunir, de forma imediata e em um mesmo espaço, representantes de diferentes instituições reforça o compromisso do Governo Federal com a construção de respostas coordenadas, permanentes e baseadas em evidências para enfrentar a criminalidade organizada.

Os encontros deverão ocorrer no máximo a cada 15 dias, preferencialmente às sextas-feiras. A próxima reunião, prevista para o dia 26, contará com a participação dos presidentes dos colégios nacionais de comandantes das Polícias Militares, de delegados das Polícias Civis e de secretários estaduais de Segurança Pública.

Reunião no MJSP
Reunião no dia 29 de maio, no Ministério, com secretários, chefes da PF e PRF e representantes da sociedade civil

Resultados reforçam papel das forças federais

O encontro também serviu para avaliar resultados recentes das instituições que atuam diretamente nos quatro eixos estruturantes do Programa Brasil Contra o Crime Organizado: asfixia financeira das facções, qualificação das investigações de homicídios, fortalecimento da segurança no sistema prisional e combate ao tráfico de armas.

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A Polícia Federal tem mantido uma média de aproximadamente dez operações por dia voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas em todo o país.

A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, registrou apreensões expressivas somente em dois dias do mês de maio, quando localizou cerca de R$ 1,3 milhão ocultos em um veículo.

Já a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) destacou os resultados da Operação Mute. Em uma das etapas da ação, voltada ao combate às comunicações ilícitas dentro dos presídios, foram retirados 680 aparelhos celulares de unidades prisionais brasileiras.

As ações demonstram a complementaridade entre os órgãos federais no enfrentamento ao crime organizado, desde a interrupção de fluxos financeiros ilícitos e a repressão ao tráfico até o combate à atuação de facções dentro do sistema penitenciário.

A reunião antecede uma semana de compromissos estratégicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre as pautas previstas está a participação do ministro em evento na Paraíba voltado ao fortalecimento das políticas de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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