Brasil
Coopera Mais Brasil lança edital para fortalecer a agricultura familiar
O Edital de Chamamento Público do Programa Coopera Mais Brasil já está disponível. Voltado ao fortalecimento do cooperativismo, associativismo e dos empreendimentos solidários da agricultura familiar, o edital foi anunciado na última segunda-feira (8/9), durante o 2º Encontro Nacional de Cooperativismo – Coopera Mais Brasil, que celebrou o primeiro ano do programa. A iniciativa é coordenada de forma conjunta pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
O edital selecionará projetos de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para oferecer serviços de gestão financeira e contábil, assessoria jurídica e elaboração de projetos, com o objetivo de fortalecer experiências de economia solidária e ampliar a produção, o processamento e a comercialização dos produtos da agricultura familiar.
Presente no evento, o secretário Nacional de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho, destacou a importância da iniciativa, que busca fortalecer os empreendimentos solidários, tornando-os aptos a participar de compras públicas e a se desenvolver de forma sustentável. Como exemplos de políticas de compras públicas voltadas a esses empreendimentos, ele citou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prioriza a aquisição de alimentos da agricultura familiar, e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), pelo qual o Governo Federal compra diretamente de pequenos produtores e distribui para instituições públicas e filantrópicas.
“O acesso às compras públicas e ao financiamento foi essencial para o desenvolvimento das cooperativas da agricultura familiar, que também têm papel importante no combate à fome e na superação desse flagelo em nosso país”, ressaltou o secretário.
Podem se candidatar ao edital entidades privadas sem fins lucrativos, como associações e fundações, sociedades cooperativas e organizações religiosas que desenvolvam atividades ou projetos de interesse público e social, distintos de finalidades exclusivamente religiosas. As OSCs têm prazo de 40 dias, a partir da data de publicação do edital (8/9), para enviar suas propostas.
Confira o edital completo aqui.
Brasil
Discurso do ministro João Paulo Capobianco na Sessão 2: “Acelerando a Implementação para Preencher as Lacunas” do Diálogo Climático de Petersberg 2026
Obrigado, Presidente.
Senhoras e senhores,
O recente relatório da IRENA reafirma algo que todos reconhecemos: acelerar a energia renovável, a eletrificação e o armazenamento de energia é essencial para fortalecer a segurança energética e reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis.
O Brasil apoia integralmente essa direção.
Atualmente, 94% da nossa matriz elétrica e 47% da nossa matriz energética provêm de fontes renováveis.
No entanto, a experiência nos mostra que a transição energética não terá sucesso se for concebida como um caminho único.
Permitam-me ilustrar isso com um exemplo concreto do setor de transportes.
O Brasil é um dos países que mais depende de sistemas de ônibus para a mobilidade urbana.
Isso torna a descarbonização dos ônibus uma prioridade, mas também um desafio econômico e social complexo.
Atualmente, um ônibus elétrico custa tipicamente entre US$ 300 mil e 500 mil, quase três vezes mais do que um ônibus híbrido que combina eletricidade e biocombustíveis sustentáveis.
Além disso, os ônibus elétricos exigem investimentos iniciais significativos em infraestrutura de recarga e adaptação da rede elétrica.
Se convertêssemos frotas inteiras de ônibus para sistemas totalmente elétricos em curto prazo, isso imporia custos muito altos aos orçamentos públicos, potencialmente retardando a implantação e limitando o acesso à mobilidade limpa.
Por outro lado, os ônibus híbridos movidos a biocombustíveis sustentáveis, como etanol de cana-de-açúcar ou biodiesel, podem proporcionar reduções substanciais de emissões imediatamente, a um custo significativamente menor e utilizando a infraestrutura existente.
Do ponto de vista da mitigação, isso se traduz em uma métrica muito importante: o custo por tonelada de CO₂ evitada.
Em muitos casos, as soluções híbridas com biocombustíveis podem alcançar reduções de emissões a um custo menor por tonelada em curto prazo, permitindo que os governos maximizem o impacto climático positivo com recursos públicos limitados.
Isso é particularmente relevante para os países em desenvolvimento, onde o espaço fiscal é restrito e as necessidades de investimento são altas em diversos setores.
Enxergamos isso não como uma escolha entre uma opção e outra, mas como um caminho complementar.
A eletrificação continuará a se expandir – e deve se expandir. Mas, a curto prazo, soluções economicamente viáveis e escaláveis hoje podem desempenhar um papel crucial na aceleração da redução das emissões.
Colegas,
Isso me leva a um ponto final: financiamento.
Se quisermos acelerar a transição globalmente, as instituições financeiras internacionais e os fundos climáticos devem apoiar uma gama mais ampla de soluções de mitigação, incluindo aquelas que geram resultados imediatos em diferentes contextos nacionais.
Isso inclui:
-
ampliar o financiamento concessional para a renovação de frotas;
-
apoiar a infraestrutura onde for necessário; e
-
reconhecer o papel dos biocombustíveis sustentáveis e das tecnologias híbridas a curto prazo.
Ao combinar ambição com pragmatismo – e ao adotar caminhos complementares – podemos acelerar a implementação e envolver mais países.
Obrigado.
***
Speech by Minister João Paulo Capobianco at Session 2: “Accelerating Implementation to Close the Gaps” of the Petersberg Climate Dialogue 2026
Thank you, Chair.
Ladies and gentlemen,
The recent IRENA report reaffirms something we all recognize: accelerating renewable energy, electrification and storage is essential to strengthen energy security and reduce our dependence on fossil fuels.
Brazil fully supports this direction.
Currently, 94% of our electricity matrix and 47% of our energy matrix come from renewable sources.
However, real-world experience shows us that the energy transition will not succeed if it is designed as a single pathway.
Allow me to illustrate this with a concrete example from the transport sector.
Brazil is one of the countries that relies most heavily on public bus systems for urban mobility.
This makes decarbonizing buses a priority, but also a complex economic and social challenge.
Currently, an electric bus typically costs between US$ 300,000 and 500,000, almost three times more than a hybrid bus that combines electricity and sustainable biofuels.
In addition, electric buses require significant upfront investments in charging infrastructure and grid adaptation.
If we were to convert entire bus fleets to fully electric systems in the short term, this would impose very high costs on public budgets, potentially slowing down deployment and limiting access to clean mobility.
By contrast, hybrid buses powered by sustainable biofuels, such as sugarcane ethanol or biodiesel, can deliver substantial emissions reductions immediately, at a significantly lower cost, and using existing infrastructure.
From a mitigation perspective, this translates into a very important metric: the cost per ton of CO₂ avoided.
In many cases, hybrid-biofuel solutions can achieve emissions reductions at a lower cost per ton in the short term, allowing governments to maximize positive climate impact with limited public resources.
This is particularly relevant for developing countries, where fiscal space is constrained and investment needs are high across multiple sectors.
We see this not as a trade-off, but as a complementary pathway.
Electrification will continue to expand – and must expand.
But in the short term, solutions that are cost-effective and scalable today can play a critical role in accelerating emissions reductions.
Colleagues,
This brings me to a final point: finance.
If we want to accelerate the transition globally, international financial institutions and climate funds must support a broader range of mitigation solutions, including those that deliver immediate results in different national contexts.
This includes:
-
scaling concessional finance for fleet renewal,
-
supporting infrastructure where needed,
-
and recognizing the role of sustainable biofuels and hybrid technologies in the near term.
By combining ambition with pragmatism – and by embracing complementary pathways – we can accelerate implementation and bring more countries along.
Thank you.
Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
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