Política Nacional
Com 73 matérias votadas, CAE garantiu isenção do IR e taxação de bets
A isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil por mês, que começa a valer a partir de janeiro, foi um dos principais projetos aprovados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) ao longo de suas 43 reuniões no ano. O colegiado, presidido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), analisou ao todo 73 proposições em 2025.
O PL 1.087/2025, que resultou na Lei 15.270, de 2025, também estabelece descontos para quem recebe até R$ 7.350 mensais e eleva a tributação sobre altas rendas. Relator da proposta, Renan Calheiros recomendou sua aprovação, inserindo apenas ajustes de redação para evitar o retorno do texto à Câmara e garantir a vigência das novas regras já em 2026.
As emendas do senador, voltadas a reforçar a compensação fiscal e a justiça tributária, foram incorporadas a outro projeto, voltado à elevação da tributação sobre bets e fintechs. O PL 5.473/2025 foi aprovado pela CAE em decisão final e seguiria para a Câmara, mas um recurso do senador Carlos Portinho (PL-RJ) levou a matéria ao Plenário do Senado, onde aguarda votação.
Segundo Renan Calheiros, o ano foi marcado pelo avanço de matérias estratégicas para o desenvolvimento econômico e a defesa dos interesses do país.
“Depois do avanço do Imposto de Renda zero para quem ganha até R$ 5 mil e da atualização da tributação sobre bets e fintechs, seguimos votando na CAE pautas centrais para o Brasil. A CAE não faltou às demandas mais urgentes do país. Vamos seguir nesse rumo comprometidos com a defesa do interesse nacional”, disse Renan por meio de sua conta em uma rede social.
Outro projeto de destaque que avançou e se tornou lei foi o PL 847/2025, apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) e aprovado em decisão final na CAE em abril. Sancionada sem vetos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei 15.184, de 2025, libera integralmente cerca de R$ 22 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar projetos de pesquisa e inovação. O texto recebeu parecer favorável do senador Rogério Carvalho (PT-SE).
Indústria e Comércio
Na área de indústria, comércio e exportações, a CAE contribuiu para mitigar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. O colegiado aprovou o PL 2.088/2023, que prevê medidas de resposta a barreiras comerciais impostas por outros países a produtos brasileiros.
Apresentada por Zequinha Marinho (Podemos-PA) a proposta foi convertida na Lei 15.122, sancionada sem vetos. A relatora foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Outro projeto nessa linha foi o o PLP 168/2025. De autoria do senador Jaques Wagner (PT-BA), a proposta cria procedimentos excepcionais para a execução dos R$ 30 bilhões em empréstimos e renúncias fiscais previstos pelo governo federal para enfrentar os efeitos socioeconômicos das tarifas. O relatório foi do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
O projeto seguiu para o Plenário, mas sua tramitação foi interrompida após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar e assinar, em novembro, um decreto suspendendo partes das tarifas de 40% anunciadas em abril sobre diversos produtos agrícolas brasileiros.
Nesse mesmo eixo, o colegiado também aprovou o PL 4.989/2023, que concede tratamento especial ao financiamento da indústria verde, com melhores condições de crédito e pagamento no âmbito do Proex. De autoria de Renan Calheiros e relatado pelo senador Fernando Farias (MDB-AL), o projeto seguiu para a Câmara dos Deputados.
Outros projetos
A CAE aprovou ainda matérias voltadas à redução da burocracia e ao estímulo às micro e pequenas empresas. Entre elas está o PLP 234/2020, de autoria do senador Chico Rodrigues (PSDB-RR), que incentiva a contratação de micro e pequenas empresas em licitações públicas. A proposta determina que a administração pública poderá exigir dos contratados, quando cabível, a subcontratação de pequenos negócios. O relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), recomendou sua aprovação, e o texto seguiu para a Câmara.
Em outra frente, o colegiado aprovou o projeto que autoriza o saque do FGTS nos casos de esclerose múltipla ou esclerose lateral amiotrófica (ELA) do trabalhador ou de seus dependentes: o PL 2.360/2024.
Audiências públicas
Além das deliberações, a CAE realizou 12 audiências públicas ao longo de 2025. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao colegiado a estratégia do governo para a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também participou de audiencia, detalhando a situação fiscal do país.
Os senadores ouviram ainda o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que foi cobrado por ações mais efetivas no controle de movimentações financeiras irregulares, especialmente envolvendo fintechs.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Paim defende votação da PEC que acaba com a escala 6×1
Em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (6), o senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender a aprovação da PEC 221/2019 — proposta de emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e extingue a chamada escala 6×1, sem redução de salários.
Ao lembrar que o Senado promoveu uma sessão de debates sobre o tema na última quarta-feira (1º), ele ressaltou que a maioria dos participantes apoiou a proposta e pediu que a matéria seja votada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo Plenário do Senado.
— É fundamental que o Senado vote, o quanto antes, a PEC 221, de 2019. Ela já foi aprovada na Câmara; de 513 parlamentares [o total de deputados federais], somente 19 votaram contra. Pesquisas apontam que mais de 80% da população brasileira apoia o fim da escala 6×1, passando, então, para a 5×2. (…) Estamos tratando de políticas humanitárias, distribuição de renda, solidariedade e justiça social. Estamos falando do presente e do futuro de gerações. Estamos falando de famílias, de saúde física e mental, de mais tempo para o estudo, para a qualificação profissional, para a cultura, para o lazer, para a convivência do dia a dia da nossa gente — disse.
Paim também afirmou que a redução da jornada segue a experiência adotada pela Constituição de 1988, quando a carga semanal de trabalho passou de 48 para 44 horas. Segundo ele, o avanço tecnológico e as mudanças nas relações de trabalho reforçam a necessidade de atualização da legislação trabalhista. O senador ainda alertou para os impactos da “pejotização” (a contratação de trabalhadores como pessoa jurídica, sem carteira assinada) sobre a Previdência Social. Para ele, o desenvolvimento econômico precisa estar associado à valorização do trabalhador.
— O trabalho está mudando. A economia está mudando. A sociedade está mudando. E nós temos a responsabilidade de refletir sobre essas transformações e garantir que o progresso tecnológico esteja a serviço das pessoas, e não somente do lucro, porque, no fim das contas, o desenvolvimento só tem sentido quando ele melhora a vida humana. Nenhum indicador econômico é mais importante do que a dignidade das pessoas. Nenhuma estatística vale mais do que a saúde de um trabalhador ou de uma trabalhadora. Nenhum avanço tecnológico será verdadeiramente um avanço se não resultar em mais qualidade de vida, mais justiça social, mais felicidade para o nosso povo — declarou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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