Paraná
Ciência, inovação e família: no Tecpar, mães transformam ideias em grandes projetos
Entre os pilares de uma carreira científica promissora estão a dedicação e o compromisso contínuo com o aprendizado. Mas, como se manter inovadora diante dos desafios da maternidade? No mês de celebração do Dia das Mães, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) reúne histórias de mulheres resilientes que conciliaram a chegada dos filhos à trajetória profissional. Hoje, elas são lembradas pela sua contribuição ao desenvolvimento da ciência e da inovação no Estado.
Uma delas é a gerente da Agência de Inovação do Tecpar, Lívia Regina Nogueira dos Santos – primeira mulher a ocupar o cargo na história do Instituto. Logo após o nascimento das filhas, Amanda (32) e Gabrielli (30), Lívia precisou parar de trabalhar para se dedicar a elas, e só voltou para o mercado de trabalho oito anos depois.
Em 2003, após uma demissão inesperada, ela foi incentivada pelo marido a realizar o antigo sonho de cursar uma faculdade. “Eu pensei que nunca iria passar, pois estava há 12 anos sem estudar. Mesmo assim me inscrevi para o vestibular. Não tinha condições para pagar um cursinho, então estudei em casa, enquanto cuidava das meninas”, conta.
A aprovação no curso de Gestão da Informação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), quando as filhas já eram adolescentes, trouxe outro desafio: conciliar o trabalho, inclusive nos finais de semana, com a faculdade e as tarefas de casa. No último ano da faculdade, quando planejava fazer o mestrado, ela descobriu que estava grávida do terceiro filho, Philipe. Mais uma vez, sua resiliência foi colocada à prova.
“Eu achei que daria conta do mestrado, mesmo com filho recém-nascido. Mas, devido ao estresse, perdi 70% da visão do olho esquerdo, e me obriguei a parar. Eu pedi muito a Deus para voltar a enxergar, e, no final da gestação, já estava recuperada”, lembra.
Um mês antes de concluir o mestrado em Ciência, Gestão e Tecnologia da Informação, em 2017, Lívia foi convocada no concurso para Analista de Tecnologia e Inovação do Tecpar, e a rotina ficou mais tranquila. “O Philipe já tinha 6 anos, de manhã ele ia para a escola, à tarde ficava com a minha sogra, e eu o pegava na volta do trabalho”, relembra.
No instituto, Lívia construiu uma carreira marcada pela inovação. Ela fez parte da equipe que desenvolveu a área de análise de dados no Tecpar e gerenciou a Divisão de Informações Tecnológicas. Quando foi convidada a liderar a Agência de Inovação, resistiu muito até aceitar o desafio. “No começo foi difícil, precisei me reinventar. Ainda estou aprendendo, e formando uma boa equipe para me apoiar. Superei os desafios e hoje estou em outro ritmo. Meu filho caçula já tem 15 anos, e agora estou curtindo a minha neta”, comemora.
APOIO ESSENCIAL – Para Thaísa Scheuer, a oportunidade de atuar como bolsista no Tecpar, vinculada ao projeto de mestrado em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, conciliou com o desejo de desenvolver a carreira fora do ambiente acadêmico. “Eu sempre tive o sonho da maternidade, e achava difícil adequar isso com o ambiente universitário, devido ao ritmo acelerado. Quando surgiu essa oportunidade, foi perfeito”, diz.
Três anos depois, Thaísa foi aprovada no concurso do Tecpar a passou a trabalhar no setor da vacina antirrábica. “É o sonho de qualquer pessoa com a minha formação, porque é não é em todo lugar que se encontra uma fábrica de vacinas com tecnologia de ponta, como aqui”, pontua.
O sonho de ser mãe se realizou em 2019, com o nascimento de Lia, quando Thaísa gerenciava o setor de projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Ela lembra que contou com um apoio importante na sua volta ao trabalho: a sala de nutriz, onde as mães podem amamentar, retirar e armazenar leite com conforto e privacidade.
“A sala é essencial porque quando você está em casa, está só amamentando. De repente, tem que voltar a trabalhar e passa o dia inteiro longe da criança. Então, ali eu esgotava o leite para mandar à escola no dia seguinte. Este é um apoio muito importante que o Tecpar oferece”, ressalta.
Inaugurada há 10 anos, a Sala de Nutriz é uma ação do Programa de Atenção à Gestante e Nutriz do Tecpar. A iniciativa surgiu da necessidade de superar os desafios enfrentados por mulheres ao retornar ao trabalho após a licença-maternidade, especialmente no que diz respeito à continuidade da amamentação.
Em 2023, o nascimento de Clara, a segunda filha, trouxe consigo novos aprendizados na vida pessoal e profissional da pesquisadora. “A maternidade traz paciência e tolerância, muda a nossa forma de enxergar a vida e faz muita diferença. Ela te ajuda a enxergar melhor as prioridades, e isso é muito importante na vida profissional”, observa.
Hoje Thaísa atua na área de garantia da qualidade e assuntos regulatórios da vacina antirrábica veterinária e do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), que está em construção. “O CIV será um grande desafio, porque é a primeira vez que começamos uma planta do zero, que planejamos e executamos para tudo começar em conformidade”, salienta.
MATERNIDADE – Para a procuradora jurídica do Tecpar, Adrianne Correia, as leis brasileiras deveriam reforçar as bases e apoio à maternidade, para que as mães possam criar seus filhos com mais estabilidade e sejam reconhecidas pelo trabalho importante que realizam.
“Quando governos enfrentam o envelhecimento populacional ou a baixa natalidade, a infância e o papel da maternidade e da paternidade ganham relevância. Felizmente, hoje os homens participam mais ativamente da criação dos filhos, mas no Brasil o número de mães solo precisando de apoio ainda é enorme”, analisa.
Com 35 anos de carreira na área jurídica, Adrianne acredita que apesar da dedicação intensa ao trabalho, foi bem-sucedida na criação dos filhos Bernardo (26) e Roberta (23). Por atuar na área do direito administrativo, ela precisou estudar muito, formando uma extensa carreira acadêmica, sempre com o apoio do marido e o suporte de familiares.
Um dos momentos críticos foi quando a filha, aos cinco meses, foi diagnosticada com refluxo no rim, e Adrianne precisou se desligar do cargo de diretora jurídica de uma multinacional. Neste período, ela se dividiu entre o trabalho remoto e o cuidado com a filha. “Para dar conta precisei de muita organização e da ajuda da família. Eu tinha prazos apertados, viajava bastante e deixava as crianças com meu marido. Felizmente, após um ano de tratamento, o rim da Roberta voltou a funcionar”, relembra.
Em 2019, durante a reestruturação do Tecpar, o Governo do Estado entendeu que o setor jurídico deveria ter maior presença na governança do instituto, como nas demais estatais. Adrianne chegou ao Tecpar com a missão de implementar a diretoria jurídica. “Isso é importante para que os colaboradores tenham segurança jurídica na execução das suas tarefas diárias, diante da atuação preventiva da procuradoria e não apenas reativa”, pontua.
Como muitas mulheres, ela passou por momentos em que se culpava por trabalhar demais e não conseguir dar a atenção devida aos filhos.
“Muitas vezes eu não tinha paciência para brincar com eles, porque chegava exausta do trabalho e depois de cuidar de dar o banho e o jantar, corria para o terceiro turno no computador. Por várias vezes me cobrei se deveria ter aceitado algumas causas, mas em compensação meus filhos tiveram uma mãe muito assertiva. Mostrei a eles a importância da autonomia, da ética, do respeito pelo trabalho e sentimentos dos outros, para uma vida próspera e feliz”, recorda.
Fonte: Governo PR
Paraná
Professora usa grafismos e artesanatos indígenas para ensinar Geometria e Trigonometria
Como dar vida, cor e significado à Matemática ensinada em sala de aula? Professora da rede estadual de educação, Midiã Barbosa encontrou a resposta na cultura Avá Guarani. Usando grafismos e artesanatos indígenas, a docente ensina Geometria e Trigonometria para alunos do Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, localizado na Reserva Indígena Santa Rosa do Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, no Oeste.
A metodologia ativa ajuda os estudantes a visualizarem conceitos que, antes, pareciam abstratos – ângulos, lados, seno e cosseno, por exemplo. Além disso, a iniciativa reforça a importância do reconhecimento e da valorização da cultura local pelos próprios alunos.
Dessa forma, segundo Midiã, o ensino de Matemática transcende a tradução literal para se tornar uma rica experiência de aproximação cultural com a realidade da aldeia. “A base da educação escolar indígena é a interculturalidade, ou seja, o ensino dos conteúdos escolares dialogando com os saberes da comunidade. O maior desafio para a interculturalidade é que, para colocá-la em prática, o professor precisa buscar conhecer a cultura indígena. Eu me interesso muito pela cultura Guarani, pois descendo desse povo e me orgulho disso”, explicou.
Midiã atua no colégio desde 2023 e, hoje, atende turmas do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental, além de manter um clube de ciências chamado Ñeha’ã Kuaase – termo em Guarani que significa “mentes curiosas” -, com aulas em contraturno.
A interculturalidade, citada pela docente, é parte fundamental da pedagogia aplicada nas escolas indígenas. Em ações como os dias de Estudo e Planejamento, equipe pedagógica e professores das instituições debatem metodologias e estratégias para utilizar a interculturalidade em sala de aula.
O secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, diz que iniciativas como essa fortalecem o sentido de pertencimento dos estudantes das escolas indígenas. “O Paraná conta com uma rede estruturada de 40 escolas indígenas, que atendem a mais de 5,5 mil estudantes das diferentes etnias que vivem em nosso estado”, afirmou o secretário. “O objetivo dessas instituições é, justamente, oferecer educação de qualidade respeitando as especificidades étnicas e culturais de cada comunidade. Além de fortalecer o currículo e o ensino da Matemática, esse tipo de iniciativa reforça o papel da escola indígena como espaço de celebração e reconhecimento da cultura local”, acrescentou.
MULTIPLICANDO SABERES – As aulas que misturam matemática e cultura indígena abrangem conteúdos diversos. Ao lecionar sobre as propriedades do triângulo isósceles para estudantes do Ensino Fundamental, por exemplo, Midiã usa como exemplo os grafismos indígenas – padrões geométricos, linhas e formas ancestrais aplicados na pintura corporal dos próprios alunos, bem como em cerâmicas, cestarias e tecidos da comunidade. A própria compreensão de que o triângulo isósceles possui “dois lados iguais” ocorre por meio dos termos nativos “mokõi” (dois), “yke” (lado) e “ojohegua” (igual), em Guarani.
“Os alunos gostam, porque torna a aula mais dialógica. Este tipo de prática contribui para a compreensão do conteúdo, pois oferece um objeto que faz parte da realidade do aluno. Para a cultura indígena, é importante que a escola respeite e não substitua os saberes que são da comunidade. O aluno precisa aprender os códigos da sociedade dominante, mas sem perder a sua identidade”, diz Midiã.
Já no Ensino Médio, a professora desenvolve um projeto voltado ao estudo do cossenômetro, objeto histórico usado para medir razões trigonométricas. Iniciada em 2024, a ação ocorre em parceria com docente e estudantes bolsistas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
Com aulas em contraturno, a iniciativa busca unir o conhecimento científico do ciclo trigonométrico aos saberes tradicionais do artesanato Avá Guarani. Por meio do estudo do Ñandukyha – artefato de forma circular e padrões de nós complexos, conhecido como “filtro dos sonhos” -, docente e alunos investigam as relações entre a cultura material da aldeia e as funções trigonométricas, como seno, cosseno e tangente.
Um dos objetivos é mostrar aos alunos como os saberes tradicionais indígenas podem se associar a conhecimentos acadêmicos e científicos.
“Esse tipo de aula contribui para facilitar a Matemática. É muito importante valorizar e reconhecer a importância da cultura indígena em sala de aula para não perdermos os nossos próprios saberes ancestrais em meio aos saberes dos não indígenas”, argumentou Marline Takua Ponhy Rivarola, 16 anos, estudante da 3ª série do Ensino Médio.
Por meio da pesquisa intercultural, professora e alunos do Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo participaram da Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (Ficiências) 2025, em Foz do Iguaçu. Além disso, foram convidadas a dar um curso no âmbito do projeto Meninas na Ciência, desenvolvido pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) de Palotina.
DIA NACIONAL DA MATEMÁTICA – O Dia Nacional da Matemática é celebrado nesta quarta-feira (6), em todo o Brasil. Instituída oficialmente pela Lei Federal nº 12.835/2013, a data já era comemorada anos antes pela Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), de maneira informal.
A escolha pelo dia 6 de maio foi uma homenagem ao aniversário do matemático, professor e escritor brasileiro Júlio César de Mello e Souza, nascido em 1895. Conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, ele foi considerado um dos principais divulgadores da Matemática no Brasil.
MATEMÁTICA NA REDE – Fortalecer o ensino de Matemática está entre os principais objetivos do Governo do Estado para 2026. Somente neste ano, o Governo do Estado investirá mais de R$ 130 milhões para o aprimoramento do componente curricular, por meio da Secretaria de Estado da Educação. As ações incluem a ampliação das aulas de recomposição da aprendizagem com docência compartilhada, estratégia que prevê dois professores em sala de aula ao mesmo tempo para corrigir defasagens ou dificuldades no domínio do conteúdo pelos estudantes. O investimento também garante a ampliação dos recursos educacionais digitais (REDs) de Matemática e iniciativas de formação continuada para docentes.
“O Governo do Estado tem um compromisso com a excelência em todas as disciplinas, e sabemos que o ensino de Matemática enfrenta desafios em todo o Brasil. Por isso, temos empenhado grandes esforços para fornecer todos os recursos educacionais possíveis aos nossos professores, ampliando as condições para que cada aluno desenvolva completamente seu potencial”, afirmou Roni Miranda.
Além disso, neste ano, a Seed-PR passou a adotar um método de ensino de Matemática desenvolvido pela universidade americana de Stanford (Stanford University). A parceria, que conta com financiamento do Itaú Social e apoio do Instituto Canoa, resultará na formação de cerca de 40 professores e técnicos pedagógicos, com foco nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Indiretamente, a capacitação deverá impactar cerca de 3 mil professores de Matemática da rede estadual, potencializando práticas pedagógicas e contribuindo para o avanço da aprendizagem no componente para mais de 500 mil estudantes.
Fonte: Governo PR
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