Agro
Chuvas Regulares Impulsionam Crescimento das Pastagens no Rio Grande do Sul
Chuvas e calor promovem avanço nas pastagens
As condições climáticas registradas nas últimas semanas têm favorecido o desenvolvimento das pastagens em todo o Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (15), o equilíbrio entre as chuvas recentes, a umidade adequada do solo e as temperaturas elevadas resultou em forte crescimento vegetativo, rápida rebrota após o pastejo e abundante oferta de forragem.
Segundo o boletim, “em áreas com altura e lotação apropriadas, a qualidade da forragem está excelente”. Entretanto, o excesso de chuva em algumas regiões provocou superprodução de massa verde, exigindo cuidados no manejo para evitar perda de qualidade.
Regiões da Campanha e Fronteira Oeste ajustam manejo
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, foram observadas diferenças de desempenho. Em Quaraí, houve alongamento de colmos e queda na qualidade da forragem. Já em São Gabriel, o excesso de pasto levou produtores a adiar a aplicação de fertilizantes nitrogenados. Em Manoel Viana, foi concluída a semeadura das pastagens anuais de verão, enquanto continua a implantação das espécies perenes.
Serra Gaúcha e Planalto apresentam bom desenvolvimento
Na região de Caxias do Sul, tanto as forrageiras anuais quanto as perenes de verão, como o tifton, apresentaram excelente brotação, sustentando o pastejo com qualidade. Os campos nativos estão em plena produção, proporcionando bons ganhos de peso animal, conforme o boletim da Emater.
Em Erechim, o retorno do sol aliado às chuvas de cerca de 50 milímetros contribuiu para o desenvolvimento das pastagens e manutenção da oferta de forragem. As produções de feno e silagem pré-secada seguem em ritmo intenso, com destaque para as variedades tifton e Jiggs.
Excedente de forragem demanda controle em Ijuí e Santa Rosa
Na região de Ijuí, o excesso de crescimento forrageiro exigiu manejo mecânico nos piquetes, visando preservar a qualidade e controlar o estágio vegetativo. Os produtores também iniciaram o planejamento das espécies de inverno.
Em Santa Rosa, a abundância de pasto levou à realização de roçadas em áreas anuais, reduzindo a resteva e favorecendo a rebrota. A adubação nitrogenada foi diminuída para equilibrar o crescimento. A fenação e o pré-secado continuam em andamento, enquanto o BRS Capiaçu mostra bom desenvolvimento, com previsão de ensilagem ainda em janeiro.
Chuvas beneficiam forrageiras em várias regiões
Em Frederico Westphalen e Santa Maria, as chuvas recentes garantiram crescimento homogêneo e alta produção de biomassa, assegurando volume satisfatório para o pastejo.
Em Passo Fundo, foram feitos ajustes na lotação animal e adubações de cobertura para manter o equilíbrio na oferta de forragem. A Emater destaca que a qualidade do campo nativo está elevada, reflexo direto das boas condições climáticas.
Nas regiões de Pelotas e Soledade, o aumento na taxa de crescimento das pastagens — tanto anuais quanto perenes — garantiu massa verde em quantidade e qualidade ideais para os rebanhos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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