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Calor extremo e La Niña elevam riscos sanitários na produção animal e exigem avanços em biossegurança

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Calor intenso e fenômeno La Niña ampliam riscos para a sanidade animal

O verão de 2026 deve repetir — e possivelmente superar — o padrão de calor extremo observado no último ano no Brasil. De acordo com previsões meteorológicas, as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do país, somadas à formação do fenômeno La Niña e à maior variabilidade climática.

Esse conjunto de fatores cria um ambiente propício para a proliferação de vírus, bactérias e vetores de doenças, o que acende um alerta para a produção animal brasileira, fortemente dependente de sua excelência sanitária para manter a competitividade nas exportações. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor agropecuário já movimentou US$ 155 bilhões até novembro de 2025, resultado que depende diretamente da capacidade do país em preservar seus padrões de biossegurança.

Estresse térmico e contaminação desafiam o setor pecuário

O avanço do calor extremo eleva o estresse térmico dos animais, aumenta a carga microbiana nos ambientes de produção e amplia os riscos de contaminação durante transporte e manejo. Diante disso, especialistas defendem uma transição urgente para modelos mais tecnológicos e preventivos de controle sanitário.

“Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo”, explica Vinicius Dias, CEO do Grupo Setta. “Depender apenas da higienização manual já não é suficiente. A tecnologia passou a ser essencial para garantir padronização, rastreabilidade e respostas rápidas a ameaças sanitárias.”

Tecnologias automatizadas elevam padrões de biossegurança

As novas soluções digitais e automatizadas permitem monitoramento completo e em tempo real de processos como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. Cada etapa gera dados auditáveis, que comprovam a conformidade com exigências internacionais, especialmente de mercados como União Europeia, China e Oriente Médio.

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Entre as inovações que vêm transformando o setor está o TADD System (Thermo-assisted Drying and Decontamination), tecnologia desenvolvida e patenteada pelo Grupo Setta. O sistema realiza a descontaminação em apenas 48 minutos, utilizando ar aquecido em vez de agentes químicos, o que reduz custos operacionais e impactos ambientais.

Controle sanitário se torna estratégico para o futuro do agronegócio

Para Vinicius Dias, o controle sanitário deixou de ser um custo e passou a representar uma garantia de continuidade do negócio.

“O Brasil só manterá sua posição no comércio global se comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. Com verões mais quentes e maior instabilidade climática, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica”, reforça.

Sustentabilidade e resiliência são prioridades para 2026

A combinação entre aquecimento global, eventos climáticos extremos e rigor sanitário crescente coloca a proteção sanitária no centro das estratégias de sustentabilidade, produtividade e competitividade do agronegócio brasileiro.

Para a pecuária nacional, o desafio vai além de enfrentar o verão: é preciso estruturar sistemas resilientes que garantam segurança sanitária durante todo o ano, reduzindo riscos e fortalecendo a imagem do Brasil como referência global em produção de proteína animal segura e sustentável.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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