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Café inicia semana sob pressão externa e câmbio instável limita negociações no Brasil

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O mercado brasileiro de café começa a semana em ritmo lento, influenciado pela queda das cotações internacionais e pela instabilidade do dólar frente ao real. O cenário externo desfavorável tende a desestimular novas negociações nesta segunda-feira, mantendo o comportamento cauteloso observado nos últimos dias.

Mercado interno de café segue firme, mas com baixa liquidez

Apesar do viés negativo no cenário internacional, os preços do café no Brasil encerraram a última semana sustentados. No entanto, o volume de negócios foi reduzido, refletindo a postura mais cautelosa dos compradores.

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, os agentes estiveram mais seletivos, com presença pontual no mercado apenas para sondagem de preços, o que limitou o avanço das negociações.

Preços do café arábica sobem em Minas Gerais

No mercado físico, o café arábica registrou valorização em importantes regiões produtoras de Minas Gerais:

  • Sul de Minas: bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 2.040,00 e R$ 2.050,00 por saca, ante R$ 1.980,00 a R$ 1.990,00 anteriormente.
  • Cerrado Mineiro: arábica bebida dura com 15% de catação alcançou R$ 2.050,00 a R$ 2.060,00 por saca, contra R$ 1.900,00 a R$ 2.000,00.
  • Zona da Mata: o arábica “rio” tipo 7, com 20% de catação, subiu para R$ 1.490,00 a R$ 1.500,00 por saca, frente aos R$ 1.450,00 a R$ 1.460,00 registrados anteriormente.
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Conilon mantém estabilidade no Espírito Santo

Diferente do arábica, o café conilon apresentou estabilidade nos preços no Espírito Santo:

  • Tipo 7 em Vitória: R$ 1.020,00 a R$ 1.030,00 por saca
  • Tipo 7/8: R$ 1.010,00 a R$ 1.020,00 por saca

A manutenção dos valores reflete o equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda no segmento.

Bolsa de Nova York recua com realização de lucros

Na Intercontinental Exchange (ICE), em Nova York, os contratos de café arábica com entrega em maio de 2026 operam em queda, cotados a 302,85 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 2,22%.

Após uma semana de forte valorização, o mercado internacional passa por um movimento de realização de lucros. Além disso, fatores macroeconômicos, como a valorização do dólar frente a outras moedas e a queda nos preços do petróleo, contribuem para a pressão negativa nas cotações.

Dólar instável influencia decisões no mercado brasileiro

No câmbio, o dólar comercial apresenta leve baixa de 0,03%, sendo negociado a R$ 5,3097. Já o índice US Dollar Index recua 0,07%, aos 99,58 pontos.

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A volatilidade cambial segue como um fator relevante para o mercado de café, impactando diretamente a competitividade das exportações brasileiras e o apetite dos agentes.

Bolsas globais e petróleo reforçam ambiente de cautela

O cenário internacional também contribui para a postura mais conservadora dos investidores:

  • Europa: desempenho misto, com Paris (+0,85%) e Frankfurt (+0,62%) em alta, enquanto Londres recua 0,43%.
  • Ásia: fechamento negativo, com Xangai (-3,63%) e Japão (-3,48%).
  • Petróleo: forte queda, com o WTI negociado a US$ 92,89 o barril, baixa de 5,43%.

Esse conjunto de fatores reforça o ambiente de incerteza e reduz o ímpeto por novas negociações no mercado de café.

Perspectiva: cautela deve marcar início da semana

Com a pressão externa e a volatilidade cambial, a tendência é de manutenção do ritmo lento nas negociações ao longo do dia. O mercado deve seguir atento aos movimentos internacionais e ao comportamento do dólar para definir os próximos passos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno

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O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.

A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.

No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.

O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.

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Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.

No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.

No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.

O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.

A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.

A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.

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Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.

A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.

No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.

O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.

Fonte: Pensar Agro

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