Educação
Brasil tem menor número de analfabetos nos últimos dez anos
O Brasil registrou, pela primeira vez, um índice de pessoas não alfabetizadas inferior a 5% da população brasileira, o menor da série histórica iniciada em 2016. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação (2025), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 8,4 milhões de não alfabetizados com 15 anos ou mais, correspondendo a 4,9% da população brasileira, o que evidencia os esforços do Ministério da Educação (MEC) em promover a retomada da educação popular, a produção de materiais pedagógicos, a formação continuada de professores e as ações de superação do analfabetismo e de elevação da escolaridade.
A principal política da pasta que contribui para essa melhora nos níveis educacionais é o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA). Dois anos após a criação, os dados revelam uma redução de cerca de 592 mil pessoas não alfabetizadas apenas no último ano, uma aceleração mais de três vezes superior ao ritmo de queda observado nos anos anteriores da década. Além disso, o Censo Escolar de 2025 registrou uma interrupção na tendência de queda constante no número de matrículas na educação de jovens e adultos (EJA) para o ensino fundamental, vista desde 2017.
A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC, Zara Figueiredo, destacou que os resultados são positivos e demonstram a efetividade das ações desenvolvidas no âmbito do Pacto EJA, mas ressaltando que ainda há necessidade de investimentos para a redução das desigualdades no país. “Seguiremos trabalhando incansavelmente para reduzir o número de pessoas não alfabetizadas. Sabemos que ainda temos desigualdades significativas e não iremos descansar até que todos tenham oportunidades plenas, mas celebramos os avanços do país com a convicção de que estamos no caminho certo”, completou.
Apesar dos esforços e dos bons resultados, os dados desagregados indicam que entre os diferentes grupos de raça/cor, os índices são mais elevados. Um exemplo é a diferença entre os percentuais relativos a pretos e pardos, respectivamente 7% e 6,3%, em contraste com o número significativamente inferior registrado pelos brancos, 2,8%. Há ainda desigualdades regionais e entre idades, que registram taxa maior do que entre jovens e adultos. Os índices nas regiões Norte e Nordeste superam a média nacional.
Pacto EJA – O Pacto EJA foi instituído em junho de 2024, com os objetivos de: superar o analfabetismo e elevar a escolaridade de jovens, adultos e idosos; ampliar a oferta de matrículas da EJA nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre os estudantes privados de liberdade; e fomentar a oferta da EJA integrada à educação profissional. A política conta com uma estrutura de governança com mais de 2 mil agentes, por meio de uma rede de mobilização territorial que reconhece áreas prioritárias, conforme estabelece o Panorama EJA, e dialoga com as redes de ensino para operacionalização e prioridade nos locais com maior concentração de população não alfabetizada. No âmbito do Pacto EJA, o MEC desenvolve ações importantes para a superação do analfabetismo. Entre elas, destacam-se: Pé-de-Meia EJA: desde 2024, jovens estudantes do ensino médio da EJA beneficiários do Bolsa Família fazem parte do programa. Com isso, recebem: incentivo-matrícula no valor anual de R$ 200; incentivo-frequência no valor total semestral de R$ 900; incentivo-conclusão no valor total de R$ 3.000; incentivo-Enem no valor único de R$ 200.
- Programa Brasil Alfabetizado (PBA): o programa foi retomado em 2024 após interrupção em 2016. Desde então, foram mais de 72.204 bolsas pagas a educadores populares do programa entre 2024 e 2025 e 134.520 matrículas no biênio 2024-2025.
- Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD EJA): Os livros didáticos da EJA chegaram a 13.914 escolas em 2026, destinados a todos os estudantes e professores do ensino fundamental da modalidade e aos estudantes do PBA.
- Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Equidade EJA: Incentivo de R$ 11,7 milhões para escolas que ofertam a EJA em redes que aderiram ao Pacto EJA. Em 2025, 4.183 escolas tiveram empenho dos recursos do PDDE Equidade EJA. Em 2026, 3.387 escolas aderiram ao PDDE EJA no primeiro ciclo de adesão e devem receber R$ 9,2 milhões.
- Formação de professores e gestores: Oferta de 100.793 vagas para a formação continuada de professores, gestores escolares e educadores populares entre 2023 e 2025.
- Cadernos do Ensino Médio: Desenvolvidos em parceria com a Unesco, os novos cadernos oferecem às escolas um material didático interdisciplinar, considerando as especificidades de cada localidade e sua proposta pedagógica.
- Medalha Paulo Freire: Valorização e incentivo às redes que se destacaram com ações e iniciativas para a superação do analfabetismo no Brasil e a qualificação da EJA.
CadEJA – O MEC também lançou o Cadastro da EJA (CadEJA), uma plataforma para registrar o interesse de pessoas em retomar ou concluir a alfabetização e a educação básica por meio da EJA. Seu principal objetivo é facilitar o acesso desse público a uma escola que melhor atenda às necessidades, funcionando como uma ponte entre os cidadãos interessados e as secretarias de educação, que são responsáveis pela oferta de vagas e pela efetivação das matrículas. Qualquer pessoa com 15 anos ou mais que não tenha concluído a educação básica na idade adequada pode se cadastrar no CadEJA de forma simples, rápida e gratuita.
Para registrar o interesse, basta informar alguns dados básicos, como nome, idade e telefone para contato, além de indicar a última etapa de ensino cursada. O cidadão também pode informar preferências relacionadas aos estudos, como a região onde deseja estudar, o turno mais adequado e outras informações que possam facilitar seu encaminhamento para a escola que o atenderá melhor. Ao final, é gerado um protocolo que deve ser guardado. Em seguida, a secretaria de educação entrará em contato e informará a escola com matrícula disponível.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
Educação
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação
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