Agro
Brasil e Chile iniciam certificação fitossanitária eletrônica
Como resultado do fortalecimento das relações bilaterais em temas agropecuários, Brasil e Chile passaram a adotar os Certificados Fitossanitários Eletrônicos (ePhyto) nas operações de exportação e importação de produtos agrícolas e florestais. O anúncio foi feito pelo Serviço Agrícola e Pecuário (SAG), do Ministério da Agricultura do Chile, após missão oficial do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, ao país.
No primeiro momento, o Brasil enviará café em grão, sementes de beterraba e de girassol, rizomas de gengibre e grãos de pimenta já com a certificação fitossanitária eletrônica. As demais cargas seguirão com certificado em PDF com assinatura eletrônica até a ampliação do escopo. Cabe destacar que as tratativas para concretizar a certificação de produtos de origem animal e também de bebidas seguem avançadas.
O Chile, por sua vez, adotará o ePhyto para todas as exportações de frutas, verduras, legumes, produtos florestais e material de propagação destinados ao Brasil. Por enquanto, os certificados de reexportação permanecem no formato físico.
Por que isso importa?
Liberação mais ágil na fronteira: o intercâmbio eletrônico acelera conferências e liberações de cargas, especialmente de produtos perecíveis.
Menos papel, menos custo: elimina o envio por courier e reduz trâmites presenciais, diminuindo custos logísticos e o tempo de trânsito documental.
Transparência e rastreabilidade: o envio direto entre sistemas oficiais amplia a transparência e a confiabilidade das operações.
Previsibilidade operacional: o modelo segue o padrão internacional da Convenção Internacional de Proteção de Plantas (IPPC), oferecendo base técnica para expandir o escopo de produtos.
Integração com a política brasileira de certificação digital: no segmento de produtos de origem animal, o Certificado Sanitário Nacional (CSN) já contabiliza 80 mil emissões digitais em menos de um ano, demonstrando a consolidação do modelo eletrônico.
Relação comercial em expansão
Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 2 bilhões em produtos agropecuários para o Chile, com destaque para carnes, produtos florestais e o complexo soja. O avanço na adoção do ePhyto reforça a parceria entre os dois países e o compromisso mútuo com a facilitação do comércio agropecuário e a modernização dos processos de certificação sanitária.
Serviço ao exportador
O ePhyto é o documento oficial emitido pelo Mapa que atesta a conformidade fitossanitária de produtos vegetais destinados à exportação. O certificado é trocado eletronicamente entre as autoridades competentes dos países envolvidos, garantindo agilidade, segurança e rastreabilidade nas operações comerciais.
Informação à imprensa
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Agro
Chuva forte pode atrasar plantio e colheitas no Centro-Sul
A semana começa com chuva em importantes regiões agrícolas do Brasil e efeitos distintos sobre o calendário das lavouras. A partir deste domingo (04.10), as instabilidades atingem áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de partes do Norte e do Nordeste. Para quem inicia a safra de verão, a água ajuda a recuperar a umidade necessária à semeadura. Onde o solo já está saturado, porém, novos episódios de chuva podem paralisar máquinas, atrasar o plantio e dificultar a retirada dos grãos ainda no campo.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o início da semana terá condições para tempestades, com rajadas de vento e possibilidade de granizo em algumas áreas. A intensidade e a distribuição das precipitações variam entre as regiões, exigindo decisões conforme a situação de cada propriedade.
No Centro-Oeste, há previsão de chuva neste domingo em Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, com intensificação das instabilidades na segunda-feira, 5. O sul de Mato Grosso do Sul está entre as áreas sob maior atenção para temporais.
A chegada da água ocorre em momento decisivo para a soja. No acompanhamento divulgado em 28 de setembro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que as chuvas haviam permitido ampliar a semeadura em áreas de Mato Grosso que dependem das precipitações. Em Mato Grosso do Sul, a implantação também começava a avançar, enquanto Goiás registrava operações pontuais, principalmente sob irrigação.
O desafio para o produtor é aproveitar a umidade sem antecipar a entrada das máquinas em terrenos sem condições de tráfego. Chuvas concentradas podem interromper a semeadura e os tratamentos das lavouras. A persistência da água no solo, por sua vez, precisa ser observada antes de retomar as operações.
No Sudeste, as instabilidades alcançam São Paulo, áreas de Minas Gerais e Rio de Janeiro no começo da semana. No Espírito Santo, a previsão aponta precipitações mais isoladas. A chuva pode beneficiar a implantação das culturas de verão, mas exige atenção onde ainda há colheitas.
Em São Paulo, a Conab já registrava dificuldades para a entrada de colhedoras em áreas de milho por causa do encharcamento. Também apontava danos à qualidade do trigo em maturação e colheita. Novas precipitações podem prolongar essas interrupções nas propriedades afetadas.
A situação do milho safrinha, contudo, deve ser dimensionada: 99,5% da área acompanhada pela companhia estava colhida no levantamento de 28 de setembro. Os trabalhos restantes se concentravam em São Paulo e no Paraná. Nos principais polos do Centro-Oeste, a retirada do cereal já havia terminado.
No Sul, os cuidados se dividem entre a implantação da nova safra e as lavouras de inverno. Santa Catarina e partes do Rio Grande do Sul também têm previsão de chuva e trovoadas. O excesso de umidade já havia reduzido o ritmo do plantio de milho e interrompido operações de semeadura do arroz em áreas gaúchas.
O trigo permanece vulnerável. Além de dificultar a colheita, períodos úmidos favorecem doenças e podem comprometer a qualidade dos grãos. Em Santa Catarina, o monitoramento da Conab destacava a pressão de doenças nas lavouras; no Rio Grande do Sul, havia preocupação com os efeitos das chuvas sobre áreas em fase reprodutiva.
No Norte, as pancadas atingem áreas do Amazonas, Rondônia e Tocantins. No Nordeste, a chuva é mais localizada, com possibilidade de precipitações no oeste da Bahia e em partes do Maranhão e do Piauí, enquanto setores do interior permanecem com tempo firme.
Para a região agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a regularidade das precipitações continua decisiva. O boletim de setembro da Conab mostrou que as primeiras chuvas haviam sido insuficientes para recompor a água no solo e permitir o plantio na maioria das áreas sem irrigação. Já o milho de terceira safra apresenta situações diferentes: no oeste baiano, áreas irrigadas tiveram bons resultados, enquanto a estiagem comprometeu lavouras no Nordeste da Bahia.
O planejamento da semana dependerá, portanto, da combinação entre previsão local, umidade do terreno e estágio da cultura. Onde falta água, a chuva pode abrir a oportunidade de plantar. Onde ela já sobra, preservar o solo e esperar condições adequadas para as máquinas será determinante para evitar novos prejuízos.
Fonte: Pensar Agro
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