Agro
Brasil busca estratégia multissetorial para enfrentar sanções comerciais dos EUA
Em audiência pública no Senado Federal, realizada nesta quarta-feira (24), parlamentares, diplomatas, especialistas e representantes do setor produtivo defenderam a construção de uma estratégia ampla e coordenada para responder às sanções aplicadas pelos Estados Unidos. A discussão girou em torno da investigação aberta pelo governo americano com base na chamada Seção 301, que alega práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
Investigação da Seção 301 preocupa exportadores
A Seção 301 permite que os EUA mantenham tarifas adicionais de até 50% sobre produtos brasileiros — hoje aplicadas a 35,9% da pauta exportadora. Os debatedores apontaram que a investigação é “parcial” e baseada em “inverdades”, com risco de ampliar sanções e prejuízos financeiros.
Segundo o diplomata Roberto Carvalho de Azevêdo, ex-diretor da OMC, o mecanismo funciona como um “plano B” para os americanos, caso a Suprema Corte derrube as tarifas atuais. Ele destacou que, apesar do viés político do processo, o setor privado brasileiro deve manter canais de diálogo com autoridades e empresas dos EUA.
Posição do Itamaraty e defesa na OMC
O embaixador Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel, do Ministério das Relações Exteriores, reforçou que o Brasil não reconhece a legitimidade da investigação, por estar fora do marco regulatório da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ele citou que tarifas brasileiras, como a de 18% aplicada ao etanol americano, respeitam as regras internacionais, lembrando que os EUA cobram hoje 52,5% sobre o etanol importado do Brasil. Além disso, rebateu questionamentos sobre o programa RenovaBio, comércio digital, serviços de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento.
Necessidade de ação conjunta
O presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Internacional, Investimentos e Sustentabilidade (IBCIS), Welber Barral, criticou as “inverdades” contidas na investigação americana, como acusações de desmatamento ilegal e trabalho forçado. Ele defendeu a criação de uma estratégia multissetorial, envolvendo governo, empresários, parlamentares e mídia, para construir uma narrativa positiva sobre o Brasil e combater a desinformação.
Comércio bilateral e impacto econômico
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, destacou que o Brasil não representa risco comercial para os EUA, lembrando que o país registra superávit superior a US$ 20 bilhões nas trocas bilaterais. De janeiro a agosto de 2025, o Brasil importou US$ 30 bilhões em produtos americanos, crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2024. As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 26,6 bilhões, alta de 1,6% no mesmo intervalo.
“Essa é uma relação de ganhos mútuos, que gera empregos e dinamismo econômico nos dois países”, afirmou Prazeres.
Agro brasileiro sob pressão
O setor agropecuário é um dos mais afetados pelas novas tarifas. Atualmente, os EUA são o terceiro maior destino do agro brasileiro, respondendo por 7,4% das exportações do setor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta para a perda de competitividade frente a concorrentes como Argentina e Austrália, que enfrentam tarifas bem menores.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Fernanda Maciel Carneiro, destacou que produtos como a carne bovina foram diretamente prejudicados, já que a tarifa de 50% aplicada ao Brasil contrasta com os 10% impostos a outros fornecedores.
Posição do Senado e desafios diplomáticos
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão temporária sobre o tema, defendeu o diálogo pragmático e a necessidade de recompor as relações econômicas com os EUA. A relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MT), reforçou a importância de acompanhar novos contratos bilaterais firmados pelos americanos e buscar diversificação de mercados.
Já o economista Marcos Troyjo avaliou que o contencioso atual é um dos maiores desafios comerciais e diplomáticos das últimas décadas. Para ele, a solução não deve ser imediata, sobretudo diante da proximidade das eleições no Brasil e do distanciamento político entre os governos.
Caminhos para a negociação
Apesar das dificuldades, a possibilidade de um diálogo direto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump foi vista como sinal positivo. Para parlamentares, a retomada da diplomacia pode ser chave para reduzir tensões e evitar prejuízos maiores ao comércio bilateral.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Granja mineira é a primeira do Brasil a conquistar certificação de alto padrão em bem-estar animal na suinocultura
Certificação inédita marca avanço do bem-estar animal na suinocultura brasileira
A granja de suínos da Auma Agronegócios, localizada em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira do Brasil a receber a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem. O reconhecimento abrange todas as etapas da produção — gestação, maternidade, creche e terminação — e considera critérios técnicos amplos relacionados à ambiência, sanidade, manejo, alimentação e gestão operacional.
O selo possui validade de um ano e representa a primeira certificação concedida pela entidade no setor suinícola brasileiro, estabelecendo um novo marco de exigência técnica no país.
Protocolo mais rigoroso redefine práticas de manejo no país
O diferencial do modelo está no nível de exigência superior aos protocolos tradicionais utilizados no Brasil e em parte dos sistemas internacionais.
Um dos principais destaques é a adoção do sistema “cobre-solta”, em que as matrizes são inseminadas e, na sequência, alojadas em grupo. A prática elimina o período de permanência em gaiolas após a inseminação — etapa que ainda é comum em diversos sistemas, onde as fêmeas podem permanecer confinadas por até 35 dias.
Segundo especialistas, o modelo favorece maior liberdade de movimento e expressão de comportamentos naturais, sendo considerado uma das práticas mais avançadas em bem-estar animal na suinocultura moderna.
Empresa reforça estratégia de produção responsável e sustentável
Para a CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, a certificação consolida o posicionamento da empresa em relação à sustentabilidade e à responsabilidade produtiva.
O bem-estar animal é tratado como pilar estratégico, diretamente ligado à eficiência produtiva, qualidade dos alimentos e sustentabilidade da cadeia. A executiva destaca que o reconhecimento valida práticas já incorporadas à cultura organizacional e fortalece a governança dos processos.
A Auma já possui outras certificações socioambientais em diferentes atividades agrícolas, e a nova conquista reforça o histórico de produção consciente do grupo.
Melhorias operacionais impactam diretamente os indicadores produtivos
De acordo com o gerente de produção do Ecossistema Auma, Baltazar Vieira, o bem-estar animal é tratado como valor estrutural da operação, com implementação iniciada em 2022.
Entre os resultados já observados estão:
Redução da taxa de natimortos de 8% para 3% após três meses de adoção de enriquecimento ambiental
- Fim do uso de ocitocina há dois anos
- Eliminação do corte de dentes
- Redução do corte de cauda sem aumento de canibalismo
Segundo o gestor, as melhorias em nutrição, sanidade, infraestrutura e capacitação das equipes refletem diretamente no desempenho zootécnico e no valor agregado da produção.
Mercado pressiona por padrões mais elevados de bem-estar animal
A certificação ocorre em um cenário de crescente exigência de mercados nacionais e internacionais por padrões mais rigorosos de bem-estar animal, especialmente em cadeias voltadas à exportação e ao varejo institucional.
Embora o Brasil ainda adote amplamente sistemas híbridos, a transição para modelos com soltura precoce de matrizes vem avançando, em linha com práticas já consolidadas em mercados europeus.
Soluções como alimentação individualizada em sistemas coletivos também têm sido incorporadas para reduzir disputas e melhorar o desempenho produtivo.
Certificação inédita traz modelo técnico e transparente para o setor
Segundo o diretor-executivo da Produtor do Bem, José Ciocca, o modelo de certificação é estruturado em critérios multinível, com avaliação independente, acompanhamento técnico e apoio ao produtor durante a implementação das melhorias.
O sistema busca garantir não apenas a conformidade, mas também a evolução contínua das práticas de manejo.
“A conquista demonstra que é possível conciliar produtividade com manejo tecnicamente fundamentado. O Grupo Auma avançou além do convencional e se torna referência para o setor”, destacou Ciocca.
Suinocultura brasileira entra em nova fase de exigência técnica
A certificação da Auma Agronegócios sinaliza uma mudança relevante na suinocultura nacional, com maior integração entre produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal.
O avanço reforça a tendência de profissionalização do setor e aproxima o Brasil de padrões internacionais cada vez mais exigentes, especialmente em mercados premium e cadeias exportadoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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