Agro
Granja mineira é a primeira do Brasil a conquistar certificação de alto padrão em bem-estar animal na suinocultura
Certificação inédita marca avanço do bem-estar animal na suinocultura brasileira
A granja de suínos da Auma Agronegócios, localizada em Patos de Minas (MG), tornou-se a primeira do Brasil a receber a certificação de bem-estar animal da Produtor do Bem. O reconhecimento abrange todas as etapas da produção — gestação, maternidade, creche e terminação — e considera critérios técnicos amplos relacionados à ambiência, sanidade, manejo, alimentação e gestão operacional.
O selo possui validade de um ano e representa a primeira certificação concedida pela entidade no setor suinícola brasileiro, estabelecendo um novo marco de exigência técnica no país.
Protocolo mais rigoroso redefine práticas de manejo no país
O diferencial do modelo está no nível de exigência superior aos protocolos tradicionais utilizados no Brasil e em parte dos sistemas internacionais.
Um dos principais destaques é a adoção do sistema “cobre-solta”, em que as matrizes são inseminadas e, na sequência, alojadas em grupo. A prática elimina o período de permanência em gaiolas após a inseminação — etapa que ainda é comum em diversos sistemas, onde as fêmeas podem permanecer confinadas por até 35 dias.
Segundo especialistas, o modelo favorece maior liberdade de movimento e expressão de comportamentos naturais, sendo considerado uma das práticas mais avançadas em bem-estar animal na suinocultura moderna.
Empresa reforça estratégia de produção responsável e sustentável
Para a CEO da Auma Agronegócios, Lucimar Silva, a certificação consolida o posicionamento da empresa em relação à sustentabilidade e à responsabilidade produtiva.
O bem-estar animal é tratado como pilar estratégico, diretamente ligado à eficiência produtiva, qualidade dos alimentos e sustentabilidade da cadeia. A executiva destaca que o reconhecimento valida práticas já incorporadas à cultura organizacional e fortalece a governança dos processos.
A Auma já possui outras certificações socioambientais em diferentes atividades agrícolas, e a nova conquista reforça o histórico de produção consciente do grupo.
Melhorias operacionais impactam diretamente os indicadores produtivos
De acordo com o gerente de produção do Ecossistema Auma, Baltazar Vieira, o bem-estar animal é tratado como valor estrutural da operação, com implementação iniciada em 2022.
Entre os resultados já observados estão:
Redução da taxa de natimortos de 8% para 3% após três meses de adoção de enriquecimento ambiental
- Fim do uso de ocitocina há dois anos
- Eliminação do corte de dentes
- Redução do corte de cauda sem aumento de canibalismo
Segundo o gestor, as melhorias em nutrição, sanidade, infraestrutura e capacitação das equipes refletem diretamente no desempenho zootécnico e no valor agregado da produção.
Mercado pressiona por padrões mais elevados de bem-estar animal
A certificação ocorre em um cenário de crescente exigência de mercados nacionais e internacionais por padrões mais rigorosos de bem-estar animal, especialmente em cadeias voltadas à exportação e ao varejo institucional.
Embora o Brasil ainda adote amplamente sistemas híbridos, a transição para modelos com soltura precoce de matrizes vem avançando, em linha com práticas já consolidadas em mercados europeus.
Soluções como alimentação individualizada em sistemas coletivos também têm sido incorporadas para reduzir disputas e melhorar o desempenho produtivo.
Certificação inédita traz modelo técnico e transparente para o setor
Segundo o diretor-executivo da Produtor do Bem, José Ciocca, o modelo de certificação é estruturado em critérios multinível, com avaliação independente, acompanhamento técnico e apoio ao produtor durante a implementação das melhorias.
O sistema busca garantir não apenas a conformidade, mas também a evolução contínua das práticas de manejo.
“A conquista demonstra que é possível conciliar produtividade com manejo tecnicamente fundamentado. O Grupo Auma avançou além do convencional e se torna referência para o setor”, destacou Ciocca.
Suinocultura brasileira entra em nova fase de exigência técnica
A certificação da Auma Agronegócios sinaliza uma mudança relevante na suinocultura nacional, com maior integração entre produtividade, sustentabilidade e bem-estar animal.
O avanço reforça a tendência de profissionalização do setor e aproxima o Brasil de padrões internacionais cada vez mais exigentes, especialmente em mercados premium e cadeias exportadoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Manejo integrado na cana-planta pode elevar produtividade em até 10 t/ha e aumentar rendimento de açúcar, apontam estudos
Integração de tecnologias impulsiona produtividade e qualidade da cana-planta
Resultados de ensaios agronômicos realizados em áreas experimentais e canaviais comerciais nos estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais indicam que o manejo integrado de tecnologias nutricionais, biológicas e fisiológicas pode elevar significativamente o desempenho da cana-planta.
Na comparação com áreas sob manejo convencional, os estudos registraram:
- Aumento médio de até 10 toneladas de cana por hectare (t/ha)
- Incremento de até 20% no °Brix, indicador de qualidade industrial
- Elevação de até 18% no TAH (Toneladas de Açúcar por Hectare)
Os dados reforçam o impacto direto da tecnologia no potencial produtivo e no retorno econômico da cultura.
Desenvolvimento fisiológico mais robusto fortalece o canavial
Além da produtividade final, os estudos apontaram ganhos expressivos no desenvolvimento inicial das plantas, fundamentais para a formação de lavouras mais produtivas e duradouras.
Foram observados:
- Aumento de até 35% no volume radicular
- Crescimento de 26% no número de perfilhos
- Elevação de 11% no estande de plantas estabelecidas
- Acréscimo médio de 9% na altura das plantas
Segundo os pesquisadores, esses indicadores refletem maior capacidade de absorção de água e nutrientes, além de melhor uniformidade do canavial, o que contribui para maior longevidade da lavoura e redução da necessidade de reformas — um dos custos mais elevados da atividade.
Estudos conduzidos pela Agrocete ampliam base científica na cana-de-açúcar
Os ensaios foram conduzidos pela Agrocete, multinacional brasileira com mais de 45 anos de atuação no agronegócio. A empresa, tradicionalmente forte nas culturas de grãos no Sul e Centro-Oeste, vem ampliando sua presença no setor sucroenergético, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste.
As pesquisas foram realizadas em municípios como:
- Porteirão (GO)
- Taquarussu (MS)
- Uberlândia (MG)
- Ariranha, Elisário, Embaúba e Guararapes (SP)
O objetivo foi avaliar o efeito do manejo integrado de tecnologias ao longo do ciclo da cultura, dentro do conceito denominado pela empresa como Construção da Produtividade.
Manejo integrado substitui recomendações isoladas e eleva eficiência
O modelo de “Construção da Produtividade” é baseado em mais de 330 estudos científicos, realizados em parceria com cerca de 90 instituições de pesquisa no Brasil. A estratégia prioriza a integração de tecnologias em vez da aplicação isolada de produtos.
Segundo o gerente de desenvolvimento de tecnologia de mercado da Agrocete, Luis Felipe Dresch, a cana-de-açúcar exige uma abordagem mais ampla por ser uma cultura semiperene.
“O produtor precisa pensar não apenas na produtividade da cana-planta, mas na longevidade do canavial, o que passa por uma base fisiológica sólida desde o início do ciclo”, explica.
Desafios climáticos e de manejo ainda limitam potencial produtivo
Os estudos também identificaram que fatores climáticos e operacionais seguem impactando o desempenho dos canaviais nas principais regiões produtoras.
Entre os principais desafios estão:
- Secas prolongadas e chuvas irregulares
- Altas temperaturas
- Preparo inadequado do solo
- Compactação e deficiência nutricional
- Uso de mudas de baixa qualidade
- Pressão de pragas e doenças
- Falta de monitoramento técnico
Essas condições podem reduzir a produtividade e antecipar a reforma do canavial, elevando custos de produção.
Caso comercial confirma ganhos de produtividade e qualidade industrial
Em uma área de 20 hectares em Guararapes (SP), a adoção do manejo integrado demonstrou maior resiliência da lavoura frente ao estresse climático.
Segundo o técnico agrícola e supervisor da Fazenda São Francisco, Luiz Pereira Costa, os resultados foram perceptíveis a campo.
“Enquanto os canaviais ao redor sofrem com a seca, a nossa cana está mais saudável e resistente. A diferença é visível e comprova a eficácia do manejo”, afirma.
Na propriedade, os resultados incluíram:
- Aumento de 3,55 unidades de °Brix (+21,7%)
- Crescimento de colmos de 5,8 kg para 10,6 kg
- Aumento de 71% no número de colmos por metro linear
- Ganho médio de 7 t/ha na produtividade final
Estratégia atua em todas as fases do ciclo da cana
O modelo Construção da Produtividade divide o manejo em três pilares:
- Plantio, vigor e enraizamento
- Arranque e crescimento vegetativo
- Tecnologia de aplicação
A aplicação é estruturada em duas fases principais:
- 0 a 120 dias: estabelecimento da lavoura, foco em enraizamento, sanidade inicial e uniformidade
- 120 a 360 dias: manutenção do potencial produtivo e acúmulo de biomassa
Na fase inicial, são utilizadas soluções integradas de nutrição fisiológica, biotecnologia microbiana e controle biológico. Já na fase final, o foco está no enchimento dos colmos e acúmulo de açúcares, determinantes para o rendimento industrial.
Conclusão
Os resultados reforçam que o manejo integrado na cana-de-açúcar tem papel estratégico na elevação da produtividade, qualidade industrial e sustentabilidade econômica da cultura, consolidando-se como uma tendência para sistemas de produção mais eficientes e tecnificados no setor sucroenergético brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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