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Brasil apresenta na Alemanha estratégias de inovação para fortalecer o SUS

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Em busca de avanços para a saúde pública brasileira, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta segunda-feira (2/3), do fórum internacional Regulation & Investment – Frankfurt 2026, na Alemanha. Na oportunidade, o chefe da Pasta defendeu parcerias e investimentos em áreas como inovação, produção nacional e fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) para ampliar o acesso a medicamentos, aumentar a eficiência e garantir a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS).  

“No Brasil do presidente Lula, a saúde não é tratada como despesa fiscal, mas como uma agenda estratégica de desenvolvimento econômico e social. É um setor que mobiliza investimentos intensivos em tecnologia, gera empregos qualificados e estimula cadeias produtivas complexas em todo o território nacional”, afirmou Padilha.   

A participação do ministro ocorre em um contexto de expansão das políticas brasileiras voltadas à incorporação de novas tecnologias no SUS. “Investir em inovação não é apenas uma escolha tecnológica. É uma estratégia econômica que reduz custos futuros associados a tratamentos tardios e hospitalizações complexas”, reforçou. 

Padilha também destacou instrumentos como as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), conduzidas em articulação com instituições como Fiocruz, INCA e o Grupo Hospitalar Conceição, que permitem a internalização de tecnologias estratégicas e fortalecem a produção nacional de medicamentos e outros insumos.   

Por fim, o ministro enalteceu o papel do Brasil na cooperação internacional em saúde, especialmente após a liderança brasileira na criação da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo.   

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“Sustentabilidade em saúde não significa gastar menos — significa investir melhor, com foco no valor social e econômico gerado para a população. Ao tratar a saúde como agenda de desenvolvimento, o Brasil reafirma seu compromisso com sistemas mais resilientes, inovadores e equitativos”, concluiu.  

Realizado na Goethe-Universität Frankfurt am Main, o encontro integra a agenda internacional do Dinter – Diálogos Intercontinentais e tem como objetivo promover um intercâmbio institucional de alto nível entre Brasil e Europa, contribuindo para a qualificação das políticas públicas e o fortalecimento da cooperação internacional. 

Inovação internacional para os hospitais inteligentes no SUS

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Foto: Walterson Rosa/MS

O ministro também visitou o Hospital de Alta Tecnologia da Fresenius Helios (FSE), referência mundial em hospital inteligente. O objetivo foi conhecer as instalações, fortalecer o diálogo para possíveis parcerias e avaliar a incorporação dessas tecnologias no Brasil, contribuindo para consolidar a iniciativa pioneira do SUS na implantação de hospitais inteligentes. 

O Brasil, por meio do Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, trabalha na estruturação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que busca reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos especializados no SUS. 

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“Estamos construindo, além disso, uma rede de hospitais e serviços inteligentes em todas as regiões do país, com financiamento do Banco dos BRICS e do governo brasileiro. Entre eles, está previsto um hospital de urgência e emergência que será o primeiro do Brasil 100% inteligente, em parceria com a universidade e o governo do estado de São Paulo. Serão serviços de saúde com uso intensivo de Inteligência Artificial e com integração entre usuários, serviços e equipamentos”, explicou o ministro. 

O projeto prevê a implantação inicial em 13 estados — Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) — com foco nas UTIs e na criação de um hospital de emergência totalmente inteligente, conectado por internet, com monitoramento digital de equipamentos, integração com ambulâncias e articulação com as redes locais de atenção à saúde. 

Edjalma Borges   
Ministério da Saúde   

Fonte: Ministério da Saúde

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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