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Brasil anuncia aporte de US$ 1 bilhão ao Fundo de Florestas Tropicais para Sempre

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O Brasil é o primeiro país a anunciar aportes ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), mecanismo financeiro inédito para fazer pagamentos permanentes, em larga escala e baseados em desempenho a países tropicais que conservam suas florestas. O TFFF é uma das principais entregas da COP30, Conferência do Clima que acontece em Belém, em novembro.

Em evento na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos EUA, nesta terça-feira (23/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país vai investir US$ 1 bilhão (equivalente a R$ 5,3 bilhões) na fatia de países soberanos. O aporte do Brasil é condicionado ao apoio de outros países ao fundo, que pretende arrecadar US$ 25 bilhões de nações soberanas, para alavancar outros US$ 100 bilhões de investidores do mercado privado.

Como resultado do investimentos desses recursos, o TFFF busca mobilizar cerca de US$ 4 bilhões por ano, a serem distribuídos entre países florestais que efetivamente conservem suas florestas tropicais. São elegíveis a receber pagamentos do TFFF mais de 70 países em desenvolvimento, que abrigam cerca de 1 bilhão de hectares de florestas tropicais e subtropicais úmidas.

“O TFFF vai articular conservação, uso sustentável dos recursos ecossistêmicos e justiça social em prol de um novo modelo de desenvolvimento”, afirmou Lula. “O Brasil vai liderar pelo exemplo e se tornar o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo, com US$ 1 bilhão. Convido todos os parceiros presentes a apresentarem contribuições igualmente ambiciosas para que o TFFF possa entrar em operação na COP30, em novembro, na Amazônia.”

O evento desta terça-feira, que ocorreu durante a Assembleia-Geral da ONU, reuniu chefes de Estado, além de ministros e outros representantes de cerca de 40 países, organismos multilaterais e organizações da sociedade civil e do setor privado.

“Em Belém, viveremos o momento da verdade para a nossa geração de líderes. As florestas tropicais são fundamentais para manter vivo o propósito de limitar o aquecimento global a 1,5°C. O TFFF não é caridade. É um investimento na humanidade e no planeta, contra a ameaça de devastação pelo caos climático”, completou o presidente.

Durante o encontro, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, indicou que o banco vai assumir a função de administrador fiduciário e instituição anfitriã interina do secretariado do TFFF. “Vamos prover a estrutura administrativa, o tesouro, os controles fiduciários, relatórios de transparência, para que os fundos possam fluir de forma previsível e confiável. Nosso trabalho é pavimentar os trilhos e mantê-los, para que os trens possam correr. Queremos deixar fundadores, financiadores e países participantes livres para focar na entrega; agora, livres para focar no desafio de garantir o tipo de recursos que o presidente Lula mencionou, que vão ser necessários para alcançar a ambição desse fundo”, declarou.

Novo modelo para financiamento de conservação e governança global

Na reunião, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o TFFF foi construído num espírito de colaboração e que o mecanismo “contribui para os desafios globais de não deixar o aumento da temperatura média do planeta ultrapassar o 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais e proteger nossa biodiversidade, além de comunidades e povos indígenas que têm suas identidades e sobrevivências dependentes da floresta”. “O TFFF representa, ainda, uma oportunidade transformadora para os países com florestas tropicais e seus parceiros internacionais. O apoio de alto nível ao TFFF envia um sinal inequívoco de que a comunidade internacional está unida na defesa das florestas e na construção de um futuro sustentável”, enfatizou.

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Para a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajarara, “o TFFF é uma resposta concreta a uma injustiça histórica”. “Hoje, de tudo que é anunciado em financiamento climático e ambiental, só uma fração muito pequena alcança as comunidades. Mesmo assim, nossos territórios são os mais preservados, por conta de nossos conhecimentos tradicionais e modos de vida. O TFFF nasce com o compromisso de garantir que, no mínimo, 20% dos recursos arrecadados sejam destinados aos povos indígenas e comunidades tradicionais. Somos os verdadeiros guardiões da floresta, temos as melhores soluções e não podemos continuar à margem das decisões e dos recursos. É hora de assegurar que esse financiamento chegue às nossas mãos, com governança justa e protagonismo indígena. Uma questão de justiça e de eficiência dos recursos”, pontuou.

De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o anúncio do aporte brasileiro é um divisor de águas. “Ao assumir um compromisso financeiro, o Brasil envia uma tripla mensagem à comunidade internacional: que o TFFF é um projeto viável e credível; que os países em desenvolvimento também são capazes de liderar ações multilaterais; e que não podemos abandonar a agenda climática”, frisou.

O Ministério da Fazenda tem acompanhado o desenvolvimento da iniciativa desde sua concepção, e acredita ter chegado a um modelo de financiamento da conservação florestal que não depende de doações recorrentes de países ricos. O TFFF precisará de apoio para constituir seu capital inicial, mas, uma vez de pé, passará a gerar recursos próprios através de aplicações em ativos financeiros e quitar suas obrigações iniciais. Se bem sucedido, será um dos maiores fundos de investimento do mundo. Mas, em vez de gerar lucro, paga pela conservação. 

“O TFFF nasce como uma construção coletiva entre países com florestas tropicais e potenciais investidores, tanto países como o setor privado. Essa arquitetura é essencial para fortalecer o multilateralismo ambiental e sinaliza a vitalidade de uma nova ordem internacional, mais cooperativa, inclusiva e eficaz. O Brasil acredita que soluções globais só serão duradouras se forem construídas com equidade”, afirmou o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Mauricio Lyrio.

O TFFF representa um novo modelo de cooperação internacional: inclusivo, inovador e capaz de gerar benefícios tangíveis para o clima, a biodiversidade e as comunidades que atuam como guardiãs das florestas. Além do impacto ambiental e social, o TFFF carrega forte significado político, pois demonstra que o multilateralismo entrega resultados concretos para o enfrentamento de crises globais. 

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O fundo não é diretamente vinculado aos atuais acordos ambientais multilaterais: existirá paralelamente e atuará de maneira complementar. Ao possibilitar a inclusão, como investidores, de novos agentes, iniciativa, se bem-sucedida, representará a vitalidade da visão multipolar e cooperativa que o Brasil e outros países defendem para a ordem internacional.

A própria governança do TFFF reflete essa perspectiva: ao contrário do modelo tradicional das instituições de Bretton Woods, o TFFF terá representação igualitária entre países investidores e países com florestas tropicais. O Conselho do Fundo será composto por 18 membros: nove países investidores e nove países com florestas tropicais, compartilhando decisões em termos de igualdade.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre

O TFFF é uma iniciativa liderada pelo Brasil, anunciada na COP28, em Dubai, e construída em diálogo com outros dez países – cinco florestais (Colômbia, Indonésia, Malásia, Gana e República Democrática do Congo) e cinco potencialmente apoiadores (Noruega, Alemanha, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e França) –, dezenas de organizações da sociedade civil e representações de povos indígenas e comunidade tradicionais de todo o mundo.

Diferentemente de outros mecanismos de financiamento ambiental, o TFFF não se baseia em doações, mas em investimento feito por países, filantropias e empresas em um fundo. O capital total será, então, aplicado em uma carteira diversificada de ativos de renda fixa de longo prazo, com grau de classificação de risco, administrada por gestores internacionais – de acordo com a Nota Conceitual do TFFF, ficam vedados investimentos que causem impacto ambiental significativo (como desmatamento ou emissões de gases de efeito estufa), o que inclui não investir em atividades relacionadas a carvão, turfa, petróleo e gás. 

Rendimentos dos investimentos gerados por esta carteira serão canalizados para os países com florestas tropicais elegíveis, desde que cumpridos os critérios de elegibilidade, como taxa de desmatamento abaixo da média global. Estima-se que esses pagamentos possam representar mais de duas vezes o financiamento concessional internacional para conservação de florestas atualmente e dezenas ou até centenas de vezes mais do o valor atualmente pago pelo mercado voluntário de carbono para florestas. 

O TFFF também busca beneficiar os atores que diretamente contribuem para a conservação das florestas. Os países que recebem recursos do fundo devem se comprometer a canalizar pelo menos 20% do pagamento anual para povos indígenas e comunidades tradicionais (PICTs). Esse mecanismo foi desenhado em diálogo com representantes dos PICTs, representados pela Aliança Global de Comunidades Territoriais (GATC).

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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(61) 2028-1227/1051

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Governo do Brasil investe R$ 182,2 milhões em assistência especializada, com reforço à oncologia no SUS

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entregaram, nesta terça-feira (23), um acelerador linear de alta tecnologia ao Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo. De forma simultânea, Sinop (MT), Fortaleza (CE) e Teresina (PI) também receberam novos equipamentos para tornar o tratamento de radioterapia mais rápido e acessível.  

Além da entrega do acelerador linear, o governo federal anunciou novas ações voltadas à ampliação da assistência especializada no SUS. Entre elas, a aquisição de 20 aparelhos de ressonância magnética para distribuição em todas as regiões do país, a certificação do Hospital Santa Marcelina como Hospital de Ensino Nível 1 e a assinatura do termo de execução de crédito financeiro para a Casa de Saúde Santa Marcelina. Juntas, as iniciativas somam R$ 182,2 milhões em investimentos por meio dos programas Agora Tem Especialistas e Novo PAC Saúde.

“O que está acontecendo no Brasil é um sonho que muitos de nós acalentamos há muito tempo. A gente sempre sonhou em fazer com que o povo trabalhador, mais humilde, que mora na periferia, mais distância, tivesse acesso ao que todo mundo tem que ter direito. O que nós queremos é que todos tenham um tratamento igual, justo e de boa qualidade”, ressaltou o presidente Lula.

O Hospital Santa Marcelina é uma instituição filantrópica, referência em alta complexidade na Zona Leste de São Paulo. Na assistência oncológica, a unidade já contava com três aceleradores lineares e, com a entrega da nova tecnologia, reforça sua capacidade como polo de referência na oncologia. Com investimento de R$ 7,3 milhões, o novo equipamento tem capacidade de realizar até 1.000 tratamentos radioterápicos por ano.

“Estamos dando mais um passo do Agora Tem Especialistas ao entregar o que existe de mais moderno na medicina mundial para tratar radioterapia. O que estamos fazendo é montar a maior rede pública do mundo de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A unidade hospitalar se destaca pela integração com o Sistema Único de Saúde (SUS), ao prestar assistência a pacientes com câncer e contribuir para a redução do tempo de espera. Além de atender a população da capital e de municípios ao redor, a instituição passa a receber pessoas que buscam tratamento em outras subregionais e segue como referência para pacientes de outros estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro. Durante a agenda, foi anunciada a certificação do Santa Marcelina como Hospital de Ensino Nível 1.

Foto: Rafael Nascimento/MS
Foto: Rafael Nascimento/MS
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Expansão do tratamento de câncer no Mato Grosso

Também nesta terça-feira (23), o Hospital Santo Antônio, em Sinop (MT), recebeu, no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, um novo acelerador linear, viabilizado com R$ 17,5 milhões do Novo PAC Saúde. A instalação do equipamento faz parte da estratégia nacional de descentralização da radioterapia, voltada à redução de vazios assistenciais, à diminuição do deslocamento de pacientes para grandes centros e à ampliação do acesso oportuno ao tratamento.

Sinop é o principal município da Macrorregião Norte de Mato Grosso, com população estimada em mais de 500 mil habitantes. Além de atender à demanda interna, o novo equipamento posiciona o Hospital Santo Antônio como referência para municípios do estado e de regiões vizinhas que não dispõem desse tipo de serviço. Com isso, pacientes que antes percorriam entre 500 e 1.800 km para receber atendimento em locais como Cuiabá e Barretos passam a ter acesso mais próximo e mais conforto na assistência.

Mais atendimentos oncológicos no Nordeste

Em Fortaleza (CE), o acelerador linear, no valor de R$ 7 milhões, foi destinado ao Instituto do Câncer do Ceará – Hospital Haroldo Juaçaba. A entrega foi realizada pelo secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Salles.

O Instituto do Câncer do Ceará (ICC) é referência estadual consolidada para diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos do câncer, atendendo pacientes da Macrorregião Fortaleza, Sobral, Cariri, Sertão Central, Litoral Leste/Jaguaribe e Baturité. O aparelho será essencial para suprir a demanda, que cresceu 23,6% em apenas um ano.

O Hospital São Marcos, em Teresina (PI), também foi contemplado. O investimento de R$ 15,5 milhões foi destinado para a modernização da assistência radioterápica, também com inclusão de um acelerador linear moderno.

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Cenário nacional

O cuidado aos pacientes com câncer é uma prioridade do Programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, incluindo os procedimentos radioterápicos. Desde 2023, foram celebrados 155 aceleradores lineares, com previsão de entrega de 70 equipamentos até 2026. Desse total, 44 já foram inaugurados.

Novos aparelhos de ressonância magnética

Ainda nesta terça-feira (23), Lula e Padilha assinaram o contrato que vai garantir a compra de 20 aparelhos de ressonância magnética para a realização de exames de imagens que possibilitam que profissionais de saúde reconheçam fraturas difíceis, problemas nos órgãos ou sangramentos internos em poucos minutos. Os novos equipamentos contarão com investimento total de R$ 111,7 milhões, e serão distribuídos para todas as regiões do Brasil.

As entregas contemplam 15 estados distribuídos por todas as regiões do país. No Norte, estão Amazonas e Rondônia. No Nordeste, os investimentos chegam à Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. No Centro-Oeste, há ações em Goiás. No Sudeste, os estados atendidos são Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Já na Região Sul, as entregas abrangem Paraná e Rio Grande do Sul.

Rede privada e filantrópica de portas abertas para pacientes do SUS

Foto: Rafael Nascimento/MS
Foto: Rafael Nascimento/MS

Durante a agenda, também foi assinada a adesão da Casa de Saúde Santa Marcelina à modalidade de crédito financeiro do programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa permite que hospitais privados e filantrópicos ofertem atendimento especializado para pacientes do SUS e, em contrapartida, utilizem os atendimentos realizados para abatimento de dívidas tributárias com a União ou compensação de tributos federais futuros. O contrato inicial é de R$ 15,9 milhões e reforça a estratégia do Ministério da Saúde de mobilizar toda a capacidade instalada do país para garantir assistência aos brasileiros.

Acesse a campanha do Agora Tem Especialistas

 Juliana Soares
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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