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Bolsas globais operam sob pressão geopolítica e juros elevados; Ibovespa cai aos 177 mil pontos

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Os mercados financeiros globais iniciaram esta terça-feira em clima de cautela, refletindo o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, a pressão dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos e a realização de lucros em ativos de risco. No Brasil, o Ibovespa abriu em queda de cerca de 0,6%, operando na faixa dos 177 mil pontos, enquanto o dólar comercial avançava para a região de R$ 5,06.

O movimento acompanha a deterioração do humor externo, especialmente em Wall Street, onde investidores seguem reduzindo exposição a ações de tecnologia diante da alta dos Treasuries americanos e das incertezas sobre o cenário internacional.

Ibovespa recua com cautela global e volatilidade cambial

Na abertura do pregão brasileiro, o índice B3 operava pressionado pela aversão ao risco internacional e pelas preocupações relacionadas ao ambiente geopolítico. O mercado também monitora o comportamento do câmbio e das commodities, fatores que influenciam diretamente o desempenho de empresas exportadoras e ligadas ao agronegócio.

Entre os destaques corporativos, as ações da Petrobras registravam alta, acompanhando o avanço dos preços do petróleo no mercado internacional. Já os papéis da Vale apresentavam oscilações moderadas, reagindo às variações do minério de ferro e à dinâmica da demanda chinesa.

O dólar comercial seguia em valorização frente ao real, reforçando a volatilidade observada nos mercados emergentes e elevando a cautela dos investidores locais.

Wall Street indica abertura negativa

Nos Estados Unidos, os principais índices futuros apontavam queda no início da manhã. Por volta das 9h54, o índice Dow Jones recuava 0,18%, enquanto o S&P 500 perdia 0,34%. Já o Nasdaq registrava baixa mais intensa, de 0,62%, pressionado pelas ações de tecnologia.

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O mercado norte-americano segue acompanhando o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, fator que reduz a atratividade das ações de crescimento e amplia o movimento defensivo entre investidores globais.

Além disso, o cenário geopolítico continua no radar após declarações do presidente Donald Trump sobre o adiamento de uma possível ofensiva contra o Irã, aumentando a percepção de risco internacional.

China e Hong Kong sobem impulsionadas por inteligência artificial

Na Ásia, as bolsas chinesas encerraram o dia em alta, impulsionadas principalmente pelas ações ligadas à inteligência artificial, semicondutores e tecnologia.

O índice de Xangai avançou 0,92%, aos 4.169 pontos, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,40%, aos 4.852 pontos. Já o índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou em alta de 0,48%, aos 25.797 pontos.

As ações de semicondutores lideraram os ganhos após investidores aproveitarem recentes correções para ampliar posições em empresas associadas à expansão da inteligência artificial. O banco suíço Julius Baer manteve recomendação positiva para o mercado chinês, reforçando o otimismo sobre o setor tecnológico.

Apesar da recuperação, os mercados asiáticos seguem atentos à alta global dos rendimentos dos títulos públicos e aos impactos das tensões no Oriente Médio sobre energia, inflação e fluxo de capitais.

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Mercados asiáticos fecham sem direção única

O restante das bolsas asiáticas apresentou comportamento misto nesta terça-feira. Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 0,44%, refletindo a cautela global e a pressão sobre ações exportadoras.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi teve forte desvalorização de 3,25%, enquanto o mercado de Taiwan também encerrou em queda, com o Taiex recuando 1,75%.

Em contrapartida, os mercados de Singapura e Austrália registraram altas expressivas de 1,51% e 1,17%, respectivamente, sustentados pelo avanço de ações financeiras e de commodities.

Investidores monitoram petróleo, juros e cenário geopolítico

O ambiente global continua marcado por elevada volatilidade, com investidores atentos aos desdobramentos geopolíticos, à trajetória dos juros americanos e ao comportamento das commodities energéticas.

A valorização do petróleo beneficia empresas ligadas ao setor de energia, mas também amplia preocupações inflacionárias em diversas economias. Ao mesmo tempo, a alta dos juros dos títulos americanos reduz o apetite global por ativos de maior risco, pressionando bolsas emergentes como a brasileira.

Para o mercado brasileiro, o cenário externo segue como principal vetor de curto prazo, especialmente diante da sensibilidade do câmbio, das commodities e do fluxo estrangeiro na B3.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Metade do prazo já passou e renegociação rural de R$ 100 bilhões ainda não chega ao produtor

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Metade do prazo para a contratação das linhas especiais destinadas à renegociação das dívidas rurais já transcorreu, mas produtores continuam relatando dificuldades para acessar o programa. A Medida Provisória nº 1.376, publicada em 15 de julho, concedeu 120 dias para as operações, período que termina em meados de novembro.

A demora ocorre quando R$ 207,5 bilhões da carteira ativa de crédito rural apresentam algum tipo de problema. O valor corresponde a 23,5% do total e reúne financiamentos inadimplentes, vencidos, renegociados ou prorrogados, segundo dados de julho do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O mecanismo foi anunciado com potencial para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores e cooperativas atingidos por eventos climáticos ou pela queda dos preços agrícolas. O Banco do Brasil calcula que até 113 mil clientes da instituição podem ser alcançados pelas novas condições.

Na prática, porém, exigências documentais, custos adicionais, pedidos de novas garantias e cobrança de entrada estão impedindo que parte dos produtores conclua a operação. As dificuldades atingem principalmente agricultores familiares, pequenos produtores e propriedades com o caixa mais comprometido.

Em nota a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestou preocupação com a execução da medida e pediu que o Congresso acompanhe o funcionamento das linhas. A entidade reconhece a importância da renegociação, mas avalia que os recursos ainda não chegam ao campo na velocidade e na escala exigidas pela crise.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), a existência da linha não basta se as condições impedirem a contratação.

“A renegociação foi apresentada como uma saída para produtores que acumulam perdas há várias safras. Se o agricultor chega ao banco e encontra uma sequência de exigências que não consegue cumprir, a política existe no papel, mas não resolve o problema dentro da propriedade”, afirma Rezende.

Para acessar as condições gerais, o produtor precisa comprovar perdas em duas ou mais safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta esperada. A comprovação deve ser feita por laudo emitido por profissional legalmente habilitado.

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A exigência busca dar segurança à aplicação dos recursos públicos, mas se transformou em um dos principais obstáculos. Além do custo de contratação do responsável técnico, o produtor pode ter dificuldade para reconstruir dados de lavouras cultivadas vários anos atrás.

A FPA propõe que pequenos produtores possam apresentar laudos coletivos quando as propriedades de uma mesma região tiverem sido atingidas pelo mesmo evento climático. Também defende a dispensa de um novo documento nos casos de operações que já passaram por renegociação e permanecem com saldo comprometido.

“Não se trata de retirar a fiscalização nem de aceitar informações sem comprovação. É possível manter o rigor e, ao mesmo tempo, reconhecer perdas coletivas provocadas por uma seca, enchente ou geada. Exigir dezenas de laudos individuais para propriedades vizinhas atingidas pelo mesmo evento aumenta o custo e atrasa uma solução urgente”, diz Isan Rezende.

A medida provisória permite renegociar financiamentos de custeio, comercialização e industrialização, determinadas parcelas de investimentos e algumas Cédulas de Produto Rural (CPRs) com liquidação financeira. As operações precisam atender às datas e condições estabelecidas no texto.

Os limites chegam a R$ 400 mil para agricultores familiares atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 2 milhões para beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

As taxas anuais são de 6% para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais. O prazo de pagamento pode chegar a oito anos, com a primeira amortização do principal dois anos depois da contratação, embora os juros sejam pagos durante a carência.

Nos casos mais graves, envolvendo perdas de pelo menos 40% da renda em três ou mais safras, os limites e os prazos são ampliados. O financiamento pode chegar a R$ 8 milhões para produtores fora do Pronaf e do Pronamp, com pagamento em até dez anos.

Outro problema é a cobrança de entrada. Produtores que procuram a renegociação geralmente já enfrentam falta de capital de giro. Exigir um pagamento antecipado pode excluir justamente aqueles que apresentam maior necessidade de reorganizar o passivo.

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Há ainda preocupação com a próxima safra. A medida provisória determina que a renegociação não pode impedir a contratação de novos financiamentos nem levar o beneficiário a cadastros restritivos. Ao mesmo tempo, permite que os bancos apliquem suas políticas internas, reavaliem o risco e peçam reforço das garantias.

Essa combinação cria uma diferença entre a proteção escrita na norma e a decisão tomada na agência bancária. Formalmente, a adesão não bloqueia o crédito. Na avaliação individual, entretanto, o comprometimento financeiro pode levar o banco a recusar ou limitar novos recursos.

“A dívida passada precisa ser reorganizada para que o produtor volte a produzir. Renegociar o passivo e fechar a porta do crédito para a nova safra apenas adia o problema. Sem custeio, ele planta menos, reduz tecnologia, perde produtividade e volta a ter dificuldade para pagar”, alerta Rezende.

Os dados nacionais já mostram uma retração do financiamento tradicional. A área produtiva atendida pelas linhas de custeio do Plano Safra caiu de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares em 12 meses, redução próxima de 26%.

No mesmo período, o valor contratado em crédito rural tradicional, sem considerar títulos privados como as CPRs, recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3% e ficou em 777,8 mil.

A FPA também pede que sejam preservadas as características dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste. Essas fontes possuem regras próprias e têm peso maior em regiões nas quais produtores encontram menos alternativas no sistema bancário.

A medida provisória está em vigor, mas precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para ser transformada definitivamente em lei. A frente parlamentar defende ajustes que reduzam as barreiras operacionais sem eliminar os mecanismos de controle.

O prazo aumenta a urgência. Uma renegociação concluída depois da janela de plantio pode reorganizar o balanço da propriedade, mas já não devolve a oportunidade de produzir naquela safra. Para o campo, o sucesso da medida não será medido pelos R$ 100 bilhões anunciados, mas pelo número de produtores que conseguirem contratar, recuperar o crédito e continuar produzindo.

Fonte: Pensar Agro

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