Curitiba
“Até quando vão fazer isso com a gente?”, moradores reclamam da falta de água na região de Curitiba
A estiagem no Paraná, que tem sido uma das piores já registrada em décadas, tem feito a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) a adotar a medidas de rodízio de abastecimento de água em vários bairros da região sul Curitiba e cidades da região metropolitana. E, apesar da Sanepar informar que o desabastecimento programado dura até 24 horas, moradores de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana e também do Tatuquara, em Curitiba, reclamam que a falta de água dura quatro dias.
A Sanepar divulgou no último domingo (26) que a estiagem iria afetar o abastecimento de 17 bairros em Fazenda Rio Grande. No mesmo informe, a companhia informou que a normalização do sistema estava prevista para o início da noite de segunda-feira (27), mas isso não aconteceu. Ainda falta água para os moradores nesta quarta-feira (29). E há quatro dias sem água em casa, muitos estão se deslocando para casa de parentes e amigos em Curitiba para fazer a higiene pessoal.
“Tem pessoas que eu conheço que foram para a casa dos pais, tem uma amiga que está tomando banho na casa dos patrões dela, tem pessoas que têm acesso a Curitiba, tem carro, estão indo para Curitiba. Estamos desesperados. Até quando eles vão fazer isso com a gente?”, desabafa a estudante Gleice Fernandes Aguiar, de 31 anos.
Diante da falta de água, quem não pode ir até Curitiba está se virando como pode. Moradores estão comprando água mineral para suprir as necessidades básicas. “Os que podem comprar estão comprando, né. Mas não são todos que têm condições de comprar”, lamenta Gleice. A estudante também é síndica do prédio onde mora e tem ouvido o desespero de moradores. Muitos estão sem tomar banho e evitando de cozinhar.
Além de Fazenda Rio Grande, moradores do Tatuquara, bairro de Curitiba, também chegaram a ficar vários dias sem água. Sem abastecimento na quinta, sexta e sábado da semana passada (22, 23 e 24 de abril), o soldador Alexander Álvares, de 42 anos, ficou indignado. “Sem condições! Eu tenho três crianças dentro de casa, tento economizar de todas as maneiras pois sei do momento, mas agora não acho justo faltar água por três dias consecutivos já que a recomendação é ter uma caixa d’água para 24 horas sem água”, desabafa o morador do Tatuquara.
Por causa do desabastecimento, a família do soldador aderiu ao banho de bacia. Já no sábado, o banho foi providenciado na casa da mãe de Alexander, que mora no Uberaba – onde não houve falta de água. “Eu não me importo que tenha rodízio, desde que seja com todos e não em dias consecutivos. Aí é desumano”, explica o soldador. Para o morador, ficar sem água para cozinhar e para a própria higiene é vergonhoso.
A indignação também partiu de outra moradora do Tatuquara, Marinês, de 39 anos. “A gente tem uma caixa, mas acabou. E sobre a higiene, banho de balde em casa, nem pensar em limpar comida”, relatou Marinês, que é zeladora e mora com o marido e a sogra de 89 anos. Para ela, a situação tem sido tratada entre os vizinhos como descaso, já que tanto Marinês como outros moradores não entendem porque em bairros nobres da cidade não há desabastecimento.
“Por que só a gente fica sem água?”
Diante de tantos dias desabastecidos, os moradores querem entender porque eles podem ficar tantos dias sem água, se outras regiões estão com o abastecimento normalizado. “Por que só a gente fica sem água? A Sanepar fala que está fazendo rodízio. Só que até onde eu sei, não tem rodízio nenhum porque o nosso bairro está há quatro dias sem água e nos outros bairros estava tendo água normal. É só nós que estamos com esse problema. A gente liga para a Sanepar, eles demorar para atender e não nos dá nenhum retorno”, lamenta a moradora de Fazenda Rio Grande, Gleice Aguiar.
De acordo com a companhia de abastecimento, na sexta-feira (24), o Rio Despique e Rio Coita, que abastecem a Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais, tiveram drástica vazão e afetaram bairros também em Curitiba. Para evitar que a situação se repita, a Sanepar disse que está alterando a tabela de rodízio.
De acordo com a Sanepar, o abastecimento de Curitiba e região metropolitana é captada em barragens e rios da região. O sistema integrado de abastecimento utiliza água de quatro barragens: da represa do Passaúna, represa do Iraí, e Piraquara I e II. A maior parte da população de Curitiba e região está conectada hidraulicamente a esse sistema integrado das represas e, por isso, não entra no rodízio. Mas existem regiões que são abastecidas diretamente pelo sistema do Rio Miringuava, que está bem afetado com a estiagem.
Obras vão amenizar a estiagem nas regiões mais atingidas
Para amenizar a situação da estiagem, a Sanepar realiza nesta quarta-feira a interligação da nova estação elevatória do Corte Branco ao Reservatório do Portão. A obra vai possibilitar o aumento em 30% do volume de água no sistema distribuidor, que pode auxiliar o bombeamento de água do Sistema Iguaçu, abastecido pelas barragens para as regiões que dependem do Rio Miringuava, que hoje está com apenas 30% de sua vazão.
Com essa obra, a previsão é de que as regiões mais afetadas pelo rodízio de abastecimento tenham a situação amenizada. Para fazer o serviço e bombeamento, será preciso interromper o fornecimento de água em bairros de Curitiba, Araucária e Fazenda Rio Grande a partir das 6 horas da manhã desta quarta. A normalização é prevista para às 6 horas de quinta-feira (30).





Curitiba
Curitiba tem um bairro gigante que supera municípios da Região Metropolitana
A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) carrega o título de bairro mais populoso da capital paranaense e figura entre os cinco maiores do Brasil. Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 172.510 moradores, número superior ao de Pinhais e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, que têm 127 mil e 118.730 habitantes, respectivamente.
Além da densidade populacional, a CIC se destaca pelo tamanho territorial, com 43 km² de extensão. Oficialmente fundada em 1973, a Cidade Industrial nasceu de uma parceria entre a Urbs e o Governo do Paraná.
A ideia era criar uma área planejada para receber indústrias e, ao mesmo tempo, oferecer moradia para trabalhadores. As primeiras casas começaram a surgir nos anos 1980 e, desde então, a região nunca parou de crescer.
Nos anos 1970, o bairro parecia isolado às margens da BR-116. Hoje, no entanto, faz parte do coração econômico da capital, com conexões diretas para o interior do Paraná.
Bairros mais populosos de Curitiba
Atualmente, a CIC lidera o ranking dos bairros mais populosos de Curitiba, seguida por Sítio Cercado, Cajuru, Uberaba e Boqueirão. Somadas, essas cinco regiões concentram 503.664 habitantes, ou seja, quase 30% de toda a população curitibana.
Na outra ponta, bairros como Riviera, Lamenha Pequena e Cascatinha mal chegam a somar 10 mil moradores.
Boom de investimentos após a pandemia
Desde 2022, a CIC tem atraído grandes investimentos em diferentes setores. Estima-se que cerca de R$ 2 bilhões já tenham sido confirmados em projetos industriais para os próximos três anos
A região também foi a mais procurada da cidade para abertura de empresas no primeiro semestre de 2022. Segundo a prfeitura, 2.761 novos negócios se instalaram ali, número maior que o registrado no Centro e no Sítio Cercado.
Atualmente, o bairro reúne aproximadamente 20 mil empresas, responsáveis por mais de 80 mil empregos diretos e indiretos, de acordo com a Associação das Empresas da CIC.
Entre os investimentos mais expressivos estão os R$ 1,5 bilhão da Volvo em pesquisa e desenvolvimento até 2025; os R$ 200 milhões da Fiocruz na construção de uma fábrica de vacinas; e outros R$ 200 milhões da alemã Horsch, que pretende implantar uma unidade de máquinas agrícolas na região.
Desafios do maior bairro de Curitiba
Apesar da relevância econômica e social, a CIC enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos. O bairro aparece em segundo lugar no ranking de crimes contra o patrimônio em 2025, com 2.545 ocorrências registradas apenas no primeiro semestre, ficando atrás apenas do Centro.
Além da questão da segurança, o trânsito intenso e as demandas por urbanização acompanham o crescimento acelerado da região.
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