Paraná
Alunas da rede estadual vão apresentar na Índia calculadora para deficientes visuais
Criatividade, inovação e capacitação científica desde a educação básica. Graças à incorporação dessas práticas em sala de aula, somada aos recursos educacionais disponibilizados pelo Governo do Estado, os alunos da rede estadual de ensino do Paraná têm se destacado cada vez mais no cenário da ciência e da tecnologia, por meio de projetos e soluções inovadores que envolvem sustentabilidade, inclusão e acessibilidade.
Exemplo disso são as alunas Paola Mileny Batista (16) e Raquel Ferreira Knakievicz (17), ambas matriculadas na 2ª série do Ensino Médio do Colégio Agrícola de Cascavel, no Oeste do Estado, que vão representar o Paraná na International Conference of Young Scientists (ICYS) Fair, uma das principais feiras científicas do mundo, que acontecerá em 2026, na Índia.
O evento é realizado desde 1994 e reúne comunidades escolares, pesquisadores, engenheiros e cientistas de todo o mundo para a apresentação de pesquisas e trabalhos acadêmicos nas áreas de Ciência, Engenharia e Tecnologia.
A conquista que projetará as estudantes paranaenses ao cenário científico global é resultado direto da participação das alunas na IV Feira de Ciências, Engenharia e Tecnologia (Fecet), maior evento científico pré-universitário do Paraná, promovido em agosto de 2025, em Cascavel. A feira reuniu estudantes de 9 estados do país e de diversos municípios do Paraná, premiando os projetos de maior destaque.
BRAILLE-MATH – O projeto que rendeu as premiações às jovens estudantes foi o ‘Braille-Math’: uma calculadora adaptada como alternativa de recurso para pessoas com deficiência visual e baixa visão. O trabalho foi desenvolvido no contexto do componente curricular de Agro Robótica, no qual os alunos são ensinados a desenvovler soluções tecnológicas na agricultura, usando ferramentas de robótica, sensores, automação e programação.
Utilizando componentes de Arduíno (placa eletrônica programável), Paola e Raquel adaptaram uma calculadora convencional, criando teclas em relevo para leitura tátil e um sistema de respostas em áudio, gravadas com suas próprias vozes, facilitando o aprendizado da matemática para pessoas com deficiência visual. O projeto se destacou pela proposta de unir acessibilidade, inclusão social e tecnologia em uma solução prática e de baixo custo.
“A ideia do projeto nasceu em 2024, em sala de aula, quando as estudantes ouviram falar pela primeira vez da Fecet. Desde criança, meu sonho era participar de uma feira de ciências. Quando soube que o destaque desse desafio poderia garantir credenciamento para a feira, comecei a idealização do trabalho”, contou Paola.
Após uma reflexão, a jovem levantou a dúvida: “Será que existe uma calculadora para cegos?”. A partir desse questionamento, ela compartilhou a ideia com sua colega Raquel e, com apoio da orientadora, professora Flávia Danieli Rech Cassol, e do coorientador, pedagogo Ricardo Pereira Munhoz, desenvolveram a ferramenta.
Após meses de trabalho árduo, a conquista do destaque na Fecet foi para as jovens, mais que um reconhecimento acadêmico, mas também a realização de um sonho. “Nossa reação foi chorar de alegria. Não acreditávamos que tínhamos potencial para isso. Foi um choque, mas uma felicidade enorme”, afirmou Paola.
PRÓXIMA ETAPA: ÍNDIA – Com o pensamento na ICYS, as alunas planejam a apresentação do projeto. “Até lá já teremos novos dados de pesquisa de viabilidade, incluindo consultas que faremos com o público-alvo, e planejamos fazer a demonstração prática do funcionamento da calculadora para avaliadores e visitantes da feira”, diz Paola.
Além dos dados de uso prático da ferramenta, a Braille-Math também terá atualizações operacionais. “Considerando que nosso projeto será apresentado num evento global, estamos planejando adaptações, incluindo algarismos em inglês, para tornar a ferramenta ainda mais acessível”, explicou a professora Flavia.
“Nossa expectativa é que seja uma experiência incrível, tanto por representar nosso Estado quanto por conhecer pessoas de outros países. O maior prêmio já é estar participando dessa feira”, acrescenta Raquel.
Fonte: Governo PR
Paraná
Nova atualização do Monitor de Secas aponta para continuidade da estiagem no Paraná
As regiões Oeste e Noroeste do Paraná estão em situação de seca fraca, de acordo com o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas, divulgado nesta quinta-feira (16). O estudo é realizado em parceria com vários institutos, entre eles o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná. Agora todas as regiões paranaenses registram algum tipo de seca no mapa referente a março.
Nas cidades de divisa com São Paulo, de Sengés à Jacarezinho, houve um recuo da seca grave para moderada. Além destas cidades, a seca moderada também atinge o Vale do Ribeira, as cidades mais ao norte do Litoral, do Sul até a cidade de Pinhão e parte mais ao sul do Sudoeste paranaense. Nas outras regiões, há registro de seca fraca.
No norte da Região Metropolitana de Curitiba, nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro, a seca já está estabelecida há mais de um ano. Os impactos são de curto e longo prazo no Norte do Paraná, ou seja, podem prejudicar a agricultura e o abastecimento de água; e de curto prazo nas demais áreas, ou seja, prejudicando apenas a agricultura.
CHUVAS RECENTES – A irregularidade das chuvas nos últimos meses foi o principal fator para o avanço da seca, que já era observada no Centro-Leste e Centro-Norte do Paraná, para a faixa oeste. Janeiro, fevereiro e março são os meses com maior volume de chuva no Estado, porém o verão registrou chuvas com má distribuição.
A situação ficou mais crítica em março. Entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de seis anos de operação, apenas oito atingiram o volume histórico de chuva para o mês de março de 2026. Algumas delas registraram menos de 25 mm de chuva durante o mês inteiro, como é o caso de Cascavel, Curitiba, Irati, Loanda, Pato Branco e Santo Antônio da Platina.
“Essa precipitação abaixo da média histórica foi influenciada pela atuação de massas de ar seco que predominaram ao longo do mês. A ausência de movimento de umidade da região amazônica para o estado do Paraná também justifica a ocorrência de vários dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva, principalmente nos municípios das regiões Oeste e Sudoeste”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
O déficit de precipitação no Oeste, Noroeste e Sudoeste favoreceu para que a seca fraca se estabelecesse. “A seca fraca está relacionada à ausência de precipitação e alguns indicadores, como o crescimento baixo de algumas culturas, afetando a agricultura. Além disso, no Sudoeste especificamente, a seca se agravou um pouco mais, evoluindo de fraca intensidade para moderada. Ou seja, também há impactos em alguns riachos, rios da região. Isso pode ocasionar desabastecimento, ou alguma cultura poderá ser mais atingida que outras”, diz Kneib.
As informações da plataforma de inteligência agroclimática do Simepar, o Simeagro, apontam que os eventos pontuais de precipitação identificados nas imagens de chuva espacializada foram insuficientes para recompor o déficit hídrico acumulado. Esse comportamento se reflete em anomalias negativas moderadas no índice de vegetação, indicando redução do vigor das culturas, especialmente em áreas de soja em final de ciclo e milho segunda safra em fase inicial de desenvolvimento.
Já na região Noroeste, segundo o Simeagro, o cenário é mais crítico, com maior persistência de falta de chuva ao longo do mês de março e aumento expressivo do risco de incêndio, evidenciando condições de estresse hídrico mais severo. Nesse contexto, os impactos sobre as lavouras tendem a ser mais acentuados, com comprometimento do desenvolvimento vegetativo, maior risco de falhas no estabelecimento do milho safrinha e redução do potencial produtivo.
EM ABRIL – A tendência é de que a situação de seca continue ao longo do mês de abril. Neste mês, historicamente, as chuvas são mais volumosas em poucos episódios: são muitos dias sem chuva, e quando chove, os acumulados são mais altos. A previsão climática do Simepar indica que o Litoral terá volumes acumulados de chuva dentro ou muito próximo da média histórica para abril, e o resto do Estado registrará acumulados abaixo da média – principalmente a Região Metropolitana de Curitiba e os Campos Gerais, onde já choveu pouco em março.
A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) acompanha o avanço da estiagem e auxilia as prefeituras de acordo com a demanda. Atualmente estão vigentes 20 decretos de situação de emergência homologados pelo Estado nos municípios de Boa Vista da Aparecida, Nova Tebas, Planalto, Realeza, Capitão Leônidas Marques, Coronel Domingos Soares, Espigão Alto do Iguaçu, Laranjal, Prudentópolis, Quedas do Iguaçu, Missal, Santa Helena, Iretama, Salto do Lontra, Roncador, Nova Prata do Iguaçu, Capanema, Santa Mariana, Borrazópolis e Antonina.
Nestes casos, o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) pode direcionar recursos para ações de prevenção e recuperação, como detalha o coronel Fernando Schunig, coordenador estadual da Defesa Civil. “Ao todo destinamos já R$ 324 mil para as prefeituras de Nova Prata do Iguaçu, Roncador e Antonina que solicitaram ajuda à Cedec. O dinheiro está sendo investido na compra de caixas d’água e combustível usado nos veículos pesados para obras de emergência para a captação de água”, completa.
Em 2025 e 2026 foram doados 57 reservatórios flexíveis, com capacidade de 6 mil litros de água, para 35 municípios. Os equipamentos permanecem instalados nos locais com maior demanda e podem ser reabastecidos. Este ano foram enviadas ainda 1.440 cestas básicas para os municípios de Antonina, Quedas do Iguaçu, Boa Vista da Aparecida, Roncador, Iretama e Espigão Alto do Iguaçu.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, explica que a Companhia mantém um sistema de monitoramento constante do volume dos mananciais e acompanha a evolução do quadro de estiagem em todas as regiões do Paraná.
“Graças ao sistema Infohidro, ferramenta desenvolvida em parceria com o Simepar e o IAT, podemos realizar a gestão de riscos e estamos trabalhando ininterruptamente para garantir a regularidade do abastecimento. No entanto, água é um bem finito e sua disponibilidade depende de um esforço coletivo. Por isso, a Sanepar reforça a necessidade do uso consciente e racional da água, evitando o desperdício”, recomenda Bley.
MONITOR – O Monitor de Secas iniciou em 2014 focado no semiárido, que sofria desde 2012 com a seca mais grave dos últimos 100 anos. Desde 2017 a ANA articula o projeto entre as instituições envolvidas e coordena o processo de elaboração dos mapas.
O Simepar todos os meses faz a análise das regiões Sul e Sudeste, utilizando dados como precipitação, temperatura do ar, índice de vegetação, níveis dos reservatórios e dados de evapotranspiração (a relação entre a temperatura e a evaporação da água). A cada três meses, o Simepar ainda coordena a elaboração do mapa completo.
No Brasil, no mapa divulgado nesta quinta-feira (16), a seca grave, assim como no Paraná, recuou para moderada em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Goiás. A área de seca extrema também reduziu, ficando restrita agora a cidades do Ceará e do Rio Grande do Norte. No país, a única região que ainda tem registro de seca grave é o Nordeste.
A seca moderada atinge, além do Paraná, maior parte de São Paulo; cidades ao sul e noroeste de Minas Gerais; uma pequena área a noroeste do Mato Grosso do Sul; cidades ao sul e nordeste de Goiás; a maior parte da região Nordeste, com exceção do Maranhão; e algumas cidades ao leste do Piauí, no Norte.
A seca fraca aparece em quase toda a região Sul, em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí e Amazonas, e em pequenas áreas do Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amapá e Pará. Os únicos estados brasileiros sem qualquer registro de seca neste mapa do Monitor de Secas são o Acre e o Espírito Santo.
O Monitor de Secas explica que, apesar dos episódios de chuva intensa registrados em Minas Gerais nos últimos meses, a condição de seca infelizmente permanece. “Esse aparente contraste se explica pela má distribuição das chuvas no tempo e no espaço, muitas vezes concentradas em poucos dias e em áreas isoladas, o que limita a recuperação das reservas hídricas. Assim, eventos de cheias podem coexistir com escassez hídrica, em razão do déficit acumulado e do início desfavorável da estação chuvosa 2025/2026”, detalha o estudo.
Fonte: Governo PR
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