Agro
Açúcar recua com dólar valorizado, mas etanol mantém trajetória de alta com oferta reduzida e demanda firme
O mercado de açúcar e etanol encerrou a semana com movimentos distintos. Enquanto o açúcar registrou queda nas bolsas internacionais em meio à valorização do dólar e à ampliação das exportações brasileiras, o etanol hidratado manteve tendência de alta no mercado doméstico, sustentado pela menor oferta e pela demanda aquecida.
Dólar forte pressiona cotações do açúcar
Na terça-feira (9), os contratos futuros do açúcar fecharam em queda nas bolsas de Nova York e Londres, reflexo da valorização do dólar frente ao real. Analistas explicam que o câmbio mais alto incentiva as exportações das usinas brasileiras, aumentando a oferta global da commodity e pressionando as cotações internacionais.
Na ICE Futures de Nova York, o contrato março/26, de maior liquidez, encerrou o dia cotado a 14,67 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 15 pontos em relação à sessão anterior. Já o maio/26 fechou a 14,30 centavos, queda de 14 pontos.
Em Londres, na ICE Futures Europe, o contrato março/26 foi negociado a US$ 418,80 por tonelada, desvalorização de US$ 3,80, enquanto o maio/26 caiu para US$ 415,70, baixa de US$ 4,30. Os demais lotes recuaram, em média, 1%.
De acordo com Claudiu Covrig, fundador da Covrig Analytics, o mercado segue pressionado por ampla disponibilidade do produto. “O mercado spot de açúcar continua bem abastecido, enquanto a demanda segue fraca, o que limita reações positivas nos preços”, observou o analista.
Queda é seguida por leve recuperação nas bolsas internacionais
Na quarta-feira (10), o cenário mudou levemente, e o açúcar voltou a operar em alta nas bolsas internacionais. Em Nova York, o contrato março/26 subiu 0,61%, cotado a 14,76 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o maio/26 avançou 0,56%, a 14,38 centavos. Em Londres, o março/26 valorizou 0,93%, a US$ 422,70 por tonelada.
Apesar da recuperação, analistas apontam que a desvalorização do real continua influenciando o mercado, estimulando as exportações brasileiras e ampliando a oferta global do adoçante. Além disso, o aumento da produção mundial, especialmente na Índia, e a estratégia das usinas brasileiras de manter estoques reduzidos devem limitar movimentos de alta no curto prazo.
Revisão de safra e entressafra no Centro-Sul impactam expectativas
O cenário também foi influenciado pela revisão nas projeções de safra da consultoria StoneX. Para a temporada 2026/27, a estimativa de moagem foi reduzida para 620,5 milhões de toneladas, com o mix de produção de açúcar caindo para 50,6% e a produção total prevista em 41,5 milhões de toneladas.
Segundo a consultoria, o ajuste reflete um ambiente de preços menos favoráveis, o que deve limitar o aumento da produção de açúcar no mix industrial. Para 2025/26, a projeção de moagem foi mantida em 598,8 milhões de toneladas, com ajustes no ATR e no TCH.
Na última sexta-feira, o contrato mais negociado do açúcar bruto em Nova York encerrou cotado a 15,21 centavos de dólar por libra-peso, acumulando alta semanal de 2,9% diante da combinação entre menor oferta e avanço da entressafra no Centro-Sul.
Etanol segue valorizado com oferta limitada e demanda aquecida
Enquanto o açúcar enfrenta volatilidade, o etanol hidratado segue em valorização contínua no mercado spot paulista desde meados de outubro. Segundo o Cepea/Esalq, o indicador do biocombustível registrou alta pela oitava semana consecutiva, impulsionado pela menor oferta e pela maior demanda.
Entre 1º e 5 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq para o estado de São Paulo fechou a R$ 2,8853 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), avanço de 0,7% frente à semana anterior. Já o etanol anidro, usado na mistura com a gasolina, foi cotado a R$ 3,3128 por litro, elevação de 0,38% no mesmo comparativo.
O aumento é explicado pelo encerramento antecipado da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), 120 usinas já encerraram a safra 2025/26, número significativamente superior às 70 unidades registradas no mesmo período do ano passado.
A menor oferta de etanol no mercado interno, aliada à forte demanda das distribuidoras, levou o biocombustível a superar R$ 3,54 por litro em algumas negociações, renovando o recorde anual e reforçando a tendência de preços firmes para o produto.
Mercado doméstico: açúcar cristal em alta e etanol recua pontualmente
No mercado interno, o açúcar cristal registrou forte valorização no início da semana. O Indicador Cepea/Esalq fechou a terça-feira (9) em R$ 110,82 por saca de 50 kg, alta de 3,19% em relação à segunda-feira.
Já o etanol hidratado apresentou leve recuo pontual no mesmo dia, com o Indicador Diário Paulínia fechando a R$ 3.003,50/m³, queda de 0,25% em relação à véspera.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Safra de milho do Paraná tem previsão elevada para 17,6 milhões de toneladas; estimativa para trigo é mantida
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), elevou ligeiramente a estimativa para a produção da segunda safra de milho 2025/26 no estado. A nova projeção aponta uma colheita de 17,6 milhões de toneladas, acima das 17,54 milhões de toneladas previstas no levantamento divulgado no mês anterior.
O ajuste positivo reforça a expectativa de uma boa safra para o Paraná, um dos maiores produtores de milho do Brasil. No entanto, mesmo com a revisão, o volume estimado ainda representa uma queda de 2% em comparação com a produção registrada na temporada passada, refletindo uma redução na produtividade das lavouras.
Colheita da segunda safra de milho ainda está no início
Segundo o Deral, a colheita da segunda safra de milho está em fase inicial no Paraná. Até o começo desta semana, aproximadamente 3% da área cultivada havia sido colhida.
Apesar da expectativa de menor produtividade, a expansão da área plantada ajudou a sustentar o potencial produtivo do estado. Nesta safra, os produtores cultivaram cerca de 2,9 milhões de hectares, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior.
O avanço da colheita nas próximas semanas será determinante para confirmar o desempenho da produção paranaense, considerada estratégica para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras de milho.
Produção de trigo permanece estimada em 2,36 milhões de toneladas
Para a safra de trigo 2025/26, o Deral manteve inalterada a estimativa divulgada no levantamento anterior.
A previsão continua em 2,36 milhões de toneladas, volume que representa uma retração de 18% na comparação com a safra passada.
A redução esperada decorre, principalmente, da diminuição da área cultivada pelos produtores paranaenses, que reduziram o investimento na cultura diante das condições de mercado e dos custos de produção.
Paraná segue estratégico para a produção nacional de grãos
Mesmo com perspectivas de queda na comparação anual para milho e trigo, o Paraná mantém posição de destaque entre os principais estados produtores de grãos do país.
As atualizações mensais do Deral são acompanhadas de perto pelo mercado, cooperativas, cerealistas e agentes da cadeia produtiva, pois servem como referência para as expectativas de oferta, formação de preços e planejamento da comercialização ao longo da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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