Brasil
Especialistas e gestores defendem fortalecimento do Sistema Público de Emprego em seminário dos 35 anos do FAT e do Codefat
O segundo dia do seminário “Trabalho, Renda e Desenvolvimento: 35 anos do FAT e do Codefat”, realizado nesta quinta-feira (4), em Brasília (DF), reuniu gestores estaduais, especialistas, técnicos, representantes de trabalhadores e empregadores para um amplo debate sobre os desafios e caminhos para fortalecer o Sistema Público de Emprego (SPE). O encontro destacou experiências estaduais, análises sobre a sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e discussões sobre qualificação profissional, intermediação de mão de obra e integração federativa.
A programação foi aberta pelo Fórum Nacional de Secretarias do Trabalho (Fonset), conduzido pelo presidente da entidade, Wladson Viana, que reforçou o papel fundamental dos estados na manutenção das políticas de emprego durante o período de desarticulação nacional entre 2017 e 2022.
Segundo Viana, “os estados mantiveram vivo o Sistema Público de Emprego nos anos mais difíceis. Agora, com diálogo e coordenação nacional, temos a chance de reconstruir um modelo integrado, robusto e capaz de alcançar quem mais precisa”. Ele também alertou para a baixa participação do Sine na intermediação de vagas, hoje inferior a 2%, e defendeu maior integração entre qualificação, intermediação e transferência de renda. O presidente reafirmou ainda o apoio da Fonset à Carta do Codefat, que pede medidas urgentes pela sustentabilidade do FAT.
A mesa seguinte, moderada por Francisco Canindé Pegado (UGT), revisitou o papel estratégico do FAT e do Codefat no financiamento do desenvolvimento e na organização das políticas de trabalho. Pegado lembrou visitas técnicas a empresas apoiadas pelo fundo, destacando a efetividade da política pública, e recordou momentos de tensão com órgãos de controle que chegaram a paralisar o abono salarial. Para ele, o debate reforça que o tripartismo segue essencial para modernizar instrumentos e recuperar a força institucional do fundo.
No período da tarde, o debate ganhou contornos práticos com a apresentação de experiências estaduais. O destaque foi o Programa de Residência Técnico-Profissional, apresentado por Luiz Henrique Lula, secretário estadual do Trabalho e Economia Solidária do Maranhão. Criada para suprir a falta de mão de obra qualificada, a iniciativa oferece 50 vagas com bolsa de R$ 2.500, atividades práticas e desenvolvimento de projetos aplicados em parceria com empresas como Vale e Ambev. O programa, que adota recortes afirmativos, já contribui para reduzir a taxa de desocupação do estado, atualmente em 6,1%, e será ampliado em 2025, com prioridade para estudantes de baixa renda.
O encerramento do seminário reforçou a urgência de pactuar uma agenda nacional para a sustentabilidade do FAT e reposicionar o Sistema Público de Emprego como política de Estado. O secretário nacional de Trabalho do MTE, Carlos Augusto, defendeu a retomada do debate estruturante sobre o financiamento do fundo e a aproximação do Codefat das experiências territoriais. Ele destacou ainda a necessidade de pactuar com o Congresso Nacional regras que garantam estabilidade financeira ao FAT.
O diretor do Departamento de Trabalho, Emprego e Renda do MTE, Thiago Motta, reiterou as prioridades do Ministério: fortalecer o FAT, ampliar a qualificação profissional e recolocar o Sine como protagonista na intermediação de vagas. “É fundamental fortalecer o FAT, ampliar a qualificação profissional e recolocar o Sine como protagonista na intermediação de empregos”, afirmou. Para Motta, somente com diálogo entre União, estados e sociedade civil será possível consolidar um Sistema Público de Emprego eficaz, moderno e sustentável.
Acompanhe o evento na íntegra aqui.
Brasil
SUS reforça preparação em todo o país para antecipar riscos e proteger população dos impactos do El Niño
Em mais uma etapa de preparação do SUS para os eventos climáticos previstos com a chegada do El Niño, o Ministério da Saúde mobilizou, nesta terça-feira (1º), gestores de 26 estados e do Distrito Federal para avançar na construção dos Planos Estaduais de Enfrentamento ao El Niño. Ao longo do dia, técnicos, gestores e apoiadores trabalham simultaneamente nos estados para identificar os principais riscos e necessidades de cada território e definir prioridades e ações para fortalecer a capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Este é o segundo encontro nacional realizado neste ano, em formato presencial e virtual. A iniciativa dá continuidade ao trabalho iniciado em junho, quando o Ministério da Saúde promoveu encontros regionais para orientar os estados na avaliação de riscos, construção de cenários e elaboração de planos de contingência. Nesta nova etapa, o trabalho avança para a definição de ações considerando as particularidades e vulnerabilidades de cada território, com atenção especial às populações mais expostas aos impactos dos eventos climáticos.
Os planos vão orientar a organização antecipada das ações necessárias diante de eventos climáticos extremos, contribuindo para garantir a continuidade da assistência e integrar políticas, programas e redes de apoio já existentes nos territórios.
A mobilização reúne apoiadores institucionais do Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde, Rede Conasems-Cosems, Defesa Civil, gestores municipais e outros atores estratégicos envolvidos na preparação e resposta a emergências climáticas. Nos estados, os Coletivos Locais do Ministério da Saúde apoiam essa articulação e facilitam o trabalho das equipes durante as oficinas.
Atuação nos territórios
Os Coletivos Locais são espaços de articulação formados por apoiadores do Ministério da Saúde que atuam nas Superintendências. Eles ajudam a conduzir as equipes estaduais na identificação das principais dificuldades e capacidades de cada território e na definição de ações que possam ser incorporadas aos Planos Estaduais de Enfrentamento ao El Niño.
A atuação dos Coletivos permite organizar o trabalho entre as diferentes áreas e atores envolvidos na resposta aos eventos climáticos, contribuindo para que os planos considerem as características e necessidades de cada estado.
As informações produzidas durante as oficinas serão registradas e sistematizadas em tempo real em ferramenta de uso interno do Ministério da Saúde, que permitirá acompanhar, de forma integrada, os desafios, necessidades e encaminhamentos identificados nos territórios, com possibilidade de consulta por estado e região.
Mobilização com gestores
A programação começou às 9h e vai até 18h, combinando atividades presenciais nos estados e momentos de integração nacional por videoconferência.
Pela manhã, gestores e apoiadores participaram de uma discussão nacional sobre os desafios para a preparação e a resposta do SUS aos impactos do El Niño. Na sequência, as equipes avançaram na construção dos Planos Estaduais, com a definição de prioridades e encaminhamentos de acordo com as necessidades de cada território.
À tarde, o trabalho segue com oficinas nos estados, com apoio dos Coletivos Locais, para aprofundar a definição de ações e integrar as diferentes frentes de atuação existentes nos territórios.
A programação termina com uma atividade nacional para reunir os encaminhamentos dos estados. As informações consolidadas vão subsidiar um relatório final da mobilização e apoiar a definição dos próximos encaminhamentos do Ministério da Saúde e dos estados.
Amanda Milan
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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