Política Nacional
CAE aprova debate com Petrobras e IG4 Capital sobre Braskem em Maceió
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (1º) requerimento para ouvir representantes da Petrobras e da gestora de investimentos IG4 Capital sobre a reparação dos danos provocados pela mineração da Braskem em Maceió. De acordo com o autor do pedido, senador Renan Calheiros (MDB-AL), a audiência deverá esclarecer a participação das vítimas nas negociações relacionadas à reestruturação da petroquímica e a apuração dos passivos ambientais e financeiros decorrentes do afundamento do solo na capital alagoana.
A audiência terá como convidados a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o sócio-diretor da IG4 Capital, Hélio Batista Novaes. Os dois também integram o Conselho de Administração da Braskem — Magda ocupa a presidência do colegiado e Novaes, a vice-presidência. A data da audiência ainda será definida.
O REQ 100/2026 – CAE aponta uma “exclusão sistemática” das vítimas das tratativas sobre a mudança no controle da Braskem, o novo arranjo societário e o processo de recuperação da companhia. Os convidados também deverão explicar como os passivos relacionados ao desastre estão sendo calculados e quais medidas serão adotadas para garantir a reparação das famílias e das populações atingidas.
Na justificativa, Renan afirma que a reorganização financeira da Braskem — que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 56 bilhões em dívidas — não pode resultar na subavaliação, ocultação ou postergação das obrigações relacionadas aos danos causados em Maceió. Para o senador, que preside a CAE, os impactos ambientais, sociais, urbanísticos e econômicos precisam ser identificados, quantificados e incorporados às obrigações da companhia.
Estrutura societária
A Petrobras detém aproximadamente 47% das ações ordinárias da Braskem, que dão direito a voto, e participa do controle compartilhado da petroquímica. Já o fundo Shine I, administrado pela IG4 Capital, detém pouco mais de 50% das ações ordinárias.
Segundo o requerimento, essa estrutura confere à Petrobras e à IG4 participação nas decisões de governança e nos rumos da companhia. Renan defende que as duas acionistas garantam que a reestruturação empresarial seja acompanhada da responsabilização e da reparação dos prejuízos causados à população e ao meio ambiente.
Reforma tributária
A comissão aprovou ainda dois requerimentos para a realização de audiências. O REQ 99/2026 – CAE, do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), prevê debate sobre a implementação da reforma tributária sobre o consumo, aprovada pelo Congresso e regulamentada pela Emenda Constitucional 132 e pela Lei Complementar 214, de 2025. O objetivo, segundo o senador, é obter informações sobre as soluções tecnológicas necessárias para o recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 1º de janeiro de 2027.
“A transição do ICMS, do ISS e do PIS/Cofins para o IBS e a CBS depende, em grande medida, de que a Receita Federal do Brasil e o Comitê Gestor do IBS disponibilizem, em tempo hábil, as especificações técnicas, as APIs, os ambientes de homologação e a regulamentação infralegal necessários ao desenvolvimento, aos testes e à distribuição dos sistemas aos contribuintes”, argumenta o senador.
Izalci sugere como convidados o secretário especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Sakiyama Barreirinhas, e representantes do Comitê Gestor do IBS, da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom) e da Associação Brasileira das Empresas de Software, entre outros.
Pulverização aérea
Já o REQ 86/2026 – CAE, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), prevê audiência pública para discutir o projeto que proíbe a pulverização aérea de agrotóxicos em áreas afetadas ou suscetíveis à desertificação. O PL 1.859/2022 foi apresentado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA) e tramita na CAE. O texto altera a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, prevê a criação da Comissão Nacional de Combate à Desertificação e estabelece a proibição da pulverização aérea de agrotóxicos em zonas afetadas ou suscetíveis à desertificação.
No requerimento, Mourão afirma que o projeto deve ser analisado detalhadamente pela comissão por, segundo ele, “trazer impacto econômico, produtivo, regulatório e operacional expressivo, sobretudo porque alcança diretamente a dinâmica de manejo fitossanitário em importantes regiões produtoras do país”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Política Nacional
Criação de Mapa de Vulnerabilidade Educacional vai à Câmara
A Comissão de Educação e Cultura (CE) aprovou nesta terça-feira (1º) projeto que cria o Mapa de Vulnerabilidade Educacional (Mave), instrumento destinado a identificar redes públicas municipais de educação básica com baixos indicadores de desempenho e alta vulnerabilidade socioeconômica dos estudantes. A classificação poderá ser usada para definir prioridades em ações de apoio técnico e financeiro da União.
A inclusão das redes municipais no Mave deverá considerar critérios objetivos, como Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) abaixo da média nacional, taxa de abandono ou evasão escolar acima da média e índices de vulnerabilidade social superiores à média nacional. A localização no Semiárido brasileiro ou na Amazônia Legal poderá ser considerada como critério adicional.
O PL 3.467/2025, do senador Rogério Carvalho (PT-SE), recebeu parecer favorável, com emendas, do senador Camilo Santana (PT-CE). Caso não haja recurso para votação em Plenário, a proposta segue para a Câmara dos Deputados.
Ferramenta de apoio
A classificação no Mave poderá orientar ações federais, como repasses voluntários de recursos, assistência técnica e apoio à gestão educacional, formação de professores, gestores e técnicos, implantação ou ampliação de escolas em tempo integral e projetos de melhoria da infraestrutura física, tecnológica e pedagógica.
Segundo Camilo Santana, o mapa permitirá identificar, com base em dados objetivos, as redes municipais que enfrentam maiores dificuldades. Na avaliação do relator, a ferramenta também poderá tornar mais eficiente a aplicação dos recursos públicos.
— A proposta não cria obrigações automáticas de novos repasses, mas estabelece critérios transparentes para a alocação de recursos em programas já existentes, assegurando o respeito à autonomia federativa e promovendo maior eficiência na aplicação de recursos públicos — afirmou.
O senador Flávio Arns (PSB-PR) destacou que o Mave poderá ajudar a identificar redes com dificuldades e orientar a atuação do poder público para melhorar o desempenho educacional. Para o senador, o baixo desempenho não deve ser motivo para reduzir o acesso a recursos, mas um indicativo da necessidade de apoio.
— O que está acontecendo naquela realidade para que o desempenho possa ser melhor? — questionou Arns, ao defender que o poder público atue para mudar as condições que prejudicam a qualidade da educação.
Controle e transparência
As redes que receberem apoio em razão da classificação no Mave deverão prestar contas sobre a aplicação dos recursos e os resultados alcançados. A permanência no mapa poderá ser revista em caso de uso inadequado dos recursos ou descumprimento dos objetivos pactuados, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
O texto também prevê que a União possa firmar acordos, convênios e outros instrumentos de cooperação com estados, Distrito Federal e municípios para executar ações destinadas às redes classificadas no mapa. Os dados consolidados e os critérios utilizados deverão ser publicados anualmente em site de acesso público.
Emendas
O projeto original atribui ao Ministério da Educação a elaboração, manutenção, atualização e publicação do mapa. O texto do relator, Camilo Santana, dá essa atribuição à União, para evitar possível vício constitucional relacionado à organização da administração federal.
O texto aprovado também estabelece que a implementação das medidas deverá observar a disponibilidade orçamentária e financeira. Além disso, a inclusão de uma rede no Mave não gera, por si só, direito ao recebimento de recursos ou transferências da União.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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