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Especialistas e instituições discutem atualização do Plano de Tecnologia Assistiva e caminhos para inclusão

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O Plano Nacional de Tecnologia Assistiva (PNTA), que orienta ações de inclusão e impulsiona soluções acessíveis em todo o Brasil, entra em uma nova etapa de atualização. Mais do que um instrumento técnico, ele é parte essencial da construção de uma sociedade que acredita no direito de todas as pessoas viverem com autonomia, dignidade e oportunidades.

Para apoiar esse processo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) promove, de 2 a 4 de dezembro, em Brasília (DF), o 2º Fórum Nacional de Tecnologia Assistiva. Em alusão ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado no dia 3, o encontro reúne especialistas, instituições, gestores públicos e usuários, pessoas que vivenciam, pesquisam e transformam diariamente o campo da tecnologia assistiva.

A abertura, nesta terça-feira (2), marcou o início de três dias de escuta ativa, troca de experiências e construção coletiva. O evento é organizado pelo Comitê Interministerial de Tecnologia Assistiva (Cita), composto pelo MCTI, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e Ministério da Educação.

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A programação incluiu painéis técnico-científicos, grupos temáticos e atividades com representantes governamentais, pesquisadores, setor produtivo, instituições de ensino, organizações sociais e usuários de tecnologias assistivas.

O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) do MCTI, Inácio Arruda, lembrou que a construção de políticas inclusivas só é possível em um ambiente democrático e participativo, em que a sociedade tem voz e o Estado tem compromisso. “O papel do fórum é mobilizar, instigar, fomentar e lutar. Nada avança sem participação ativa. A democracia nos permite dialogar, questionar e propor caminhos para que as políticas públicas deixem de ser apenas intenções e se tornem melhorias reais na vida de quem mais precisa”, explicou.

Ele destacou ainda que o ministério e o comitê interministerial têm buscado romper barreiras históricas, aproximar a ciência da sociedade e apoiar iniciativas que fortaleçam a autonomia das pessoas com deficiência, lembrando que políticas públicas só se concretizam quando encontram, investimento e união de esforços.

Durante a cerimônia, o coordenador-geral de Tecnologia Assistiva do MCTI, Milton Carvalho, ressaltou que a atualização do PNTA precisa nascer do diálogo real com quem vive a inclusão no cotidiano.

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“Essa revisão não é um trabalho de gabinete. Queremos um processo amplo e democrático, reunindo toda a cadeia da tecnologia assistiva, desde o usuário, que é o principal interessado, até quem pesquisa, desenvolve, comercializa e produz. É dessa troca que surgem propostas que fortalecem as políticas públicas e ampliam a inclusão das pessoas com deficiência”, afirmou.

Plano de Tecnologia Assistiva

As principais diretrizes do plano são a eliminação, redução ou superação de barreiras à inclusão social por meio do acesso e do uso da tecnologia assistiva; o fomento à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação para a criação e implementação de produtos, de dispositivos, de metodologias, de serviços e de práticas de tecnologia assistiva; o fomento ao empreendedorismo, à indústria nacional e às cadeias produtivas na área de tecnologia assistiva; a promoção da inserção da tecnologia assistiva no campo do trabalho, da educação, do cuidado e da proteção social; e a priorização de ações voltadas ao desenvolvimento da autonomia e da independência individuais.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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População quilombola passa a contar com política nacional de saúde integral

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Para organizar a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) às necessidades da população quilombola, foi pactuada nesta quinta-feira (27/08), a Política Nacional de Saúde Integral da População Quilombola (PNASQ) no âmbito do SUS. A medida contou com a aprovação de gestores locais, estaduais e federais da saúde, durante a 8ª Reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília (DF).

A PNASQ foca na superação de barreiras estruturais de acesso à saúde e no combate ao racismo e às desigualdades étnico-raciais que atingem as comunidades tradicionais. Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a normativa busca incorporar as especificidades do território, cultura, identidade quilombola e trajetória ancestral ao planejamento e organização do cuidado no SUS.

“Essa política é resultado de uma luta histórica dos povos quilombolas pelo reconhecimento de suas vulnerabilidades, combate ao racismo e defesa da equidade em saúde. Hoje selamos a responsabilidade compartilhada entre estados, municípios e a união pela garantia do direito à saúde, à redução das desigualdades e à melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dessa população”, destacou Massuda.

 A aprovação da política também foi comentada por lideranças quilombolas que atuam pela ampliação do acesso à saúde e pelo reconhecimento da cultura e identidade quilombola. Para Marinho da Estiva, coordenador Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a expectativa é que a política possa acolher e cuidar das comunidades com respeito à sua história. “A gente espera que o nosso povo, as nossas práticas, os nossos saberes ancestrais na saúde do nosso povo quilombola sejam respeitados, nos postos de saúde, hospitais, pelas pessoas que estão na ponta”, reforçou.

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 As responsabilidades pela implementação da política serão compartilhadas e organizadas entre os três entes, cabendo à União a coordenação das ações da política – define diretrizes, apoia de forma técnica, informa e monitora; aos estados a articulação e apoio aos municípios para promoção da regionalização; e aos municípios a implementação, com planejamento, qualificação da atenção e promoção da participação social. A PNASQ utilizará os instrumentos do próprio SUS para viabilizar as suas ações, com financiamento também compartilhado entre as três esferas de gestão.

Participação social e equidade A política recebeu contribuições de gestores e da sociedade civil, por meio de consulta pública, conferências de saúde e recomendação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além de contar com um amplo e qualificado processo de diálogo com lideranças quilombolas, em uma agenda participativa e democrática de construção conjunta das propostas.

 “Estou dentro desse processo desde o começo. O Ministério da Saúde nos ouviu, nós sentamos e conversamos sobre a nossa política. E nós tivemos essa vitória. Para nós, ter essa conquista e chegar até onde nós chegamos, é um dia de muita alegria, de honra, mas sabemos que a caminhada está só começando. Sei que temos muitos desafios pela frente”, comemorou a quilombola Tereza de Jesus da Silva, integrante do Coletivo Nacional de Saúde Quilombola Graça Epifânio, da CONAQ.

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 Próximos passos

Com a pactuação federativa, o próximo passo para implementação da PNASQ é a construção de um plano operativo nacional, que definirá as prioridades, ações, metas, indicadores e responsabilidades dos gestores. Também serão criados instrumentos de monitoramento e avaliação da política, com estratégias, orientações e ferramentas para apoiar gestores na implementação e no enfrentamento das iniquidades e desigualdades as quais estão expostas as populações quilombolas.

Comunidades quilombolas

Para o SUS, as comunidades quilombolas são povos tradicionais definidos por sua ancestralidade, cultura e uma territorialidade que vai além da regularização das terras, servindo como espaço coletivo de reprodução social e identidade. Segundo o Censo de 2022, o Brasil possui mais de 1,3 milhão de quilombolas distribuídos por 1.696 municípios, com a maior concentração na Região Nordeste e, especificamente, no estado da Bahia.

 Apesar desse contingente, apenas 12,6% da população quilombola reside em territórios oficialmente delimitados. Diante disso, a PNASQ estende sua cobertura também aos contextos urbanos e favelas, reconhecendo que a autoidentificação e os vínculos étnico-raciais e comunitários independem de o território ser rural ou formalmente titulado.

Para garantir a integralidade do cuidado, é fundamental que as especificidades quilombolas sejam integradas aos processos de regionalização e regulação do SUS, assegurando o acesso a consultas especializadas, urgências e assistência farmacêutica.

Tatiany Volker Boldrini
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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