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Milho mantém preços firmes com dólar em alta e exportações aquecidas, mas analistas alertam para ilusão de valorização

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Com produtores focados na semeadura da safra de verão e exportações brasileiras em ritmo acelerado, o mercado de milho segue firme no Brasil. No entanto, especialistas apontam que o avanço nas cotações pode mascarar riscos de rentabilidade diante do aumento de custos e da chegada da nova colheita.

Produtores priorizam o plantio e limitam oferta no mercado interno

Os preços do milho seguem firmes na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), sustentados pela retração de vendedores que permanecem focados nas atividades de semeadura da safra de verão. A demanda doméstica, por sua vez, está pontual e os negócios ocorrem de forma localizada, apenas para recomposição de estoques.

Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), até 15 de novembro, 52,6% da área da safra de verão havia sido semeada no país, o que representa avanço semanal de 4,9 pontos percentuais, embora ligeiramente abaixo da média histórica dos últimos cinco anos.

Exportações brasileiras ganham fôlego em novembro

No front externo, os embarques de milho do Brasil seguem acelerados neste mês. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em dez dias úteis de novembro, 2,67 milhões de toneladas foram enviadas ao exterior — um ritmo 7,6% superior ao registrado em novembro de 2024.

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Caso o desempenho se mantenha, as exportações podem atingir 5 milhões de toneladas até o fim do mês, fortalecendo a posição do Brasil no comércio global do grão.

Mercado internacional sente pressão, mas demanda ainda sustenta preços

Apesar da queda recente nas cotações internacionais, causada por projeções de aumento da produção global entre 2024/25 e 2025/26, as baixas foram limitadas pela forte demanda internacional pelo milho dos Estados Unidos. A redução das exportações ucranianas e o bom ritmo de vendas norte-americanas — 2,26 milhões de toneladas na semana encerrada em 2 de outubro, o que representa 37,6% da meta do USDA — também contribuem para a sustentação das cotações.

Consultoria alerta: alta pode mascarar riscos de prejuízo

Embora o mercado siga valorizado, a TF Agroeconômica alerta que a recente alta pode ser ilusória se o produtor não levar em conta o custo real de produção. Segundo a consultoria, aqueles que consideram apenas o custo variável trabalham com R$ 39,96 por saca, o que gera lucro aproximado de 32,6%. Já os que utilizam o custo total calculado pelo Deral/PR, de R$ 73,55 por saca, enfrentam prejuízo de 27,9%.

A tendência, segundo a TF, é de continuidade da alta até dezembro, quando começa a colheita da primeira safra — tradicionalmente voltada ao consumo interno, o que tende a limitar o avanço das cotações. Por isso, a recomendação é que os produtores vendam os lotes remanescentes nas próximas semanas, antes que o mercado inicie um movimento de correção.

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Alta do dólar impulsiona milho na B3

O dólar valorizado e o otimismo com as exportações impulsionaram os contratos de milho na B3 (Bolsa de Valores brasileira) no retorno do feriado. Segundo a TF Agroeconômica, o mercado físico registrou variação positiva ao longo de novembro, enquanto os contratos futuros encerraram o pregão em alta:

  • Janeiro/2026: R$ 71,04/saca
  • Março/2026: R$ 72,53/saca
  • Maio/2026: R$ 71,77/saca

A valorização da moeda americana reforçou a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional, estimulando embarques e sustentando as cotações na bolsa.

Cenário global segue pressionado por supersafra americana

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o milho encerrou a semana em leve queda. O avanço das vendas pelos produtores norte-americanos e o fim da colheita — que confirma uma supersafra nos Estados Unidos — aumentaram a oferta e mantiveram os preços sob pressão.

A TF Agroeconômica observa que fatores como a queda do petróleo, a valorização do dólar e a estimativa do Conselho Internacional de Grãos (IGC), que projeta a maior produção global de grãos em três anos, também pesam sobre as cotações. A consultoria recomenda atenção aos níveis de suporte entre 428 e 436 centavos por bushel nos contratos de março.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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