Brasil
MMA promove capacitação sobre REDD+ para servidores da Funai e ICMBio
Entre os dias 26 e 28 de agosto, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou, em Brasília, uma formação técnica para servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) que atuam diretamente na implementação de políticas públicas em áreas protegidas e territórios indígenas. O evento teve como foco o fortalecimento de capacidades institucionais relacionadas à emergência climática, ao REDD+ e ao mercado voluntário de carbono florestal.
Mais de 80 servidores participaram da capacitação, que foi promovida em parceria com o ICMBio e a Funai. A iniciativa teve ainda o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia, e da GIZ, no âmbito do Projeto Ação para as Florestas (Action4Forests).
A integração de conhecimento e experiências proporcionada pelo encontro foi destacada pela diretora do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Incêndios da Secretaria Extraordinária de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, Roberta Cantinho. “Os processos formativos que temos desenhado no âmbito da CONAREDD+ [Comissão Nacional de REDD+] precisam se capilarizar e chegar nos territórios com informação de qualidade. Essa oficina também trouxe a perspectiva do território para o nosso plano de formação, foi muito rico.”
Durante o encontro, foram promovidas discussões e troca de experiências entre os servidores, a partir dos desafios enfrentados em campo, relatos de vivências e casos de sucesso.
O coordenador regional da Funai em Cacoal (RO), Rubens Naraikoe Suruí, ressaltou a importância da formação para o trabalho desenvolvido junto às comunidades indígenas. Segundo ele, a formação colabora “A comercialização de créditos de carbono já é uma realidade para os povos indígenas, e a compreensão sobre o REDD+ e mudanças climáticas precisa estar atualizada e aprofundada para todos, seja para nós técnicos ou indígenas”, afirmou.
A programação do evento também abordou estudos de casos nos estados do Pará, Tocantins e Mato Grosso, além de discussões sobre mercado voluntário e regulado, pagamento por resultados e definições legais de projetos. Ainda houve discussão sobre projetos privados em territórios coletivos, titularidade do carbono, contratos, estudos de casos relacionados a projetos de REDD+ em terras indígenas (TIs) e reservas extrativistas (Resex), além de debate sobre REDD+ Jurisdicional e políticas públicas correlatas, salvaguardas, matriz de riscos e protocolos de consulta.
“A oficina foi muito importante para os servidores pois respondeu a uma demanda recorrente de quem atua nos territórios. O espaço para troca e construção de entendimentos trouxe reflexões que irão nortear as diretrizes institucionais sobre o tema”, ressaltou a coordenadora de Planejamento da Visitação da Coordenação de Uso Público e Serviços Ambientais, do ICMBio, Renata Apoloni. “Além disso, essa capacitação irá subsidiar a elaboração de uma estratégia de capacitação continuada sobre o tema”, acrescentou.
REDD+
O REDD+ é um incentivo desenvolvido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados de redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal. A ação considera o papel da conservação de estoques de carbono florestal, o manejo sustentável de florestas e o aumento de estoques de carbono florestal.
O MMA preside a Comissão Nacional para REDD+, que é responsável por coordenar, acompanhar, monitorar e revisar a Estratégia Nacional para REDD+ do Brasil. O colegiado também é responsável pela elaboração dos requisitos para o acesso a pagamentos por resultados de políticas e ações de REDD+ no Brasil, reconhecidos pela UNFCCC.
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Brasil
Ministério da Saúde apresenta modelo de atenção à saúde indígena no México
Em agenda oficial na Cidade do México, a comitiva do Ministério da Saúde compartilhou a experiência do Brasil na gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). O encontro acontece na mesma semana em que a política pública voltada à saúde dos povos indígenas completa 27 anos. No Brasil, o subsistema integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) atende a mais de 821 mil indígenas, em todas as cinco regiões do país.
A Secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, esteve à frente da apresentação do tema durante reunião com representantes do governo mexicano. Segundo ela, o SasiSUS possui princípios que promovem a escuta ativa, fomentam o diálogo e a participação direta dos povos indígenas nas decisões.
“O acesso à saúde é um direito de todos e o Brasil construiu um subsistema que realmente prioriza e valoriza a história dos povos indígenas, e é por isso que nossas experiências interessam a outras nações. O SasiSUS é mais do que uma política de Estado; esse modelo fortalece a saúde com equidade, promove a cidadania e o controle social, com respeito às especificidades, às culturas e aos saberes tradicionais”, ressaltou.
O diálogo entre representantes do Brasil e do México também abordou temas como medicina tradicional indígena, participação de parteiras nos sistemas de saúde, direitos humanos, formação de especialistas e interculturalidade. O intercâmbio de conhecimentos sobre desafios e experiências amplia as possibilidades futuras de cooperação técnica entre os países.
Como funciona o SasiSUS
Criado em 23 de setembro de 1999, o SasiSUS conta com 34 Distritos Especiais de Saúde Indígena (DSEI), que estão distribuídos em todo o território nacional. Esse modelo promove a atenção integral à saúde de forma intercultural e alinha a medicina contemporânea com os saberes tradicionais. Dentro das aldeias, as Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) são o ponto inicial de atenção primária para os povos indígenas.
A rede de assistência ligada ao subsistema também contempla o suporte de polos-base, localizados em aldeias estratégicas e possuem a função de organizar os fluxos de atendimentos, além de prestar apoio administrativo e assistencial para as equipes de saúde. Quando são necessários serviços especializados ou de média e alta complexidade, os usuários indígenas são encaminhados para as unidades de média e alta complexidade do SUS. Enquanto recebem atendimento nos centros urbanos, os pacientes indígenas e seus acompanhantes são acolhidos pelas Casas de Apoio à Saúde Indígena (CASAI) até o retorno às suas aldeias de origem.
Ao todo, são 1.211 UBSI, 388 polos-base e 70 Casai. Os atendimentos no SasiSUS são realizados por equipes multidisciplinares de saúde indígena, compostas por médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. Também há atuação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e de Saneamento (AISAN), que promovem a ponte linguística e cultural entre os povos e os demais profissionais de saúde.
Rayane Bueno
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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