Agro
Queijo colonial gaúcho ganha destaque com produção artesanal e regulamentação técnica
O queijo colonial do Rio Grande do Sul tem sua produção artesanal e importância socioeconômica reconhecidas em pesquisa desenvolvida por Emater/RS-Ascar, DDPA/Seapi e Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). O estudo resultou na Circular Técnica nº 28 e apoiou a criação do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do Queijo Colonial Artesanal do RS (RTIQ), regulamentado pela Instrução Normativa nº 2, de março de 2023.
Pesquisa detalha produção e perfil dos produtores
O estudo buscou caracterizar o queijo colonial quanto à receita, ingredientes, processos de produção e aos aspectos socioeconômicos dos produtores e da cadeia produtiva. Para isso, foi aplicado um questionário com 22 perguntas divididas em três blocos: perfil socioeconômico, perfil produtivo e caracterização do queijo.
Segundo a pesquisadora Larissa Ambrosini (DDPA/Seapi), a pesquisa forneceu dados representativos do universo de produção do queijo colonial. “Apesar de sua importância cultural e econômica no sul do Brasil, ainda eram escassos estudos que abordassem características físico-químicas, microbiológicas, sensoriais e sociais do produto”, afirmou.
A extensionista Bruna Bresolin (Emater/RS-Ascar) ressaltou a relevância do trabalho conjunto entre pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural (Aters), que possibilitou um diagnóstico completo e ações concretas para fortalecer a cadeia produtiva.
Amostra e dados da produção
A seleção da amostra foi baseada em dados do Instituto Gaúcho do Leite e da Emater/RS-Ascar (2015). De 8.317 produtores, foram selecionadas 293 propriedades rurais, sendo 82 com agroindústria formalizada e 211 com produção caseira ou para consumo familiar.
Os resultados revelaram que o queijo colonial gaúcho é produzido com leite cru ou pasteurizado, coalho e sal, apresenta formato redondo (60,8%) ou retangular (33,9%), peso médio de 1,22 kg e tempo médio de maturação de 9,4 dias, com alto teor de umidade e gordura.
Perfil dos produtores e impacto econômico
A produção artesanal é majoritariamente realizada por mulheres agricultoras familiares, utilizando leite de animais criados a pasto e mão de obra familiar, com tradição de cerca de 20 anos. O queijo deixou de ser apenas de consumo doméstico e passou a representar mais de 30% da renda familiar, sendo vendido principalmente direto ao consumidor.
Características sensoriais e influência da biodiversidade
O estudo identificou características únicas ligadas à biodiversidade local, ressaltando o sabor diferenciado do queijo produzido a partir de leite de vacas Jersey, Holandesa ou cruzamento das raças. Esses fatores destacam o queijo colonial como uma expressão cultural e gastronômica do sul do Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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